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ARTIGO
Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2006, 19h:37

* JOSEMAR H. BARRETO

No reino da bicharada

Um dia, muitos anos atrás, no reino dos bichos, um Grande Urso foi eleito presidente. Ele foi o maior de todos naquela parte do mundo. Mudou a capital para o centro da grande floresta, e governou com muito jogo de cintura. Trouxe o maior progresso para aquela linda floresta. Em seguida a ele veio um gambá, que ficou na presidência por nove meses e depois renunciou. Deixou o governo nas mãos do vice, uma velha raposa, que muitos confundiram com um lobo. Os leões começaram a ter medo dos pequenos lobos darem um golpe e tomarem o poder, porque pensavam que os lobinhos do reino iriam seguir um outro reino muito perigoso, cheio de lobos vorazes. Então deram eles próprios o grande golpe, em um final de mês, acho que foi em março. Ficaram mandando, numa ditadura, estes leões e seus apaniguados por uns trinta anos. Mataram e torturaram muitos bichos, pois até gato foi confundido com lobo. Finalmente falou-se em uma tal democracia, decidiram então eleger uma velha coruja e o macaco, para serem presidente e vice, respectivamente. Infelizmente a sábia coruja, já um pouco velha, morreu antes da posse. O macaco ficou na presidência durante cinco longos anos. Fez uma porção de besteiras, foi um verdadeiro desgoverno. Alguns bichos até diziam ter saudades dos leões. Finalmente veio outra eleição e os bichos lançaram o pavão para presidente e um papagaio para vice. O pavão ganhou, tomou o dinheiro da bicharada toda e ainda por cima dizem que começou a roubar. Foi aí que deu uma confusão dos diabos. Os bichos foram para a floresta e gritaram, pois já estavam todos de saco cheio. Teve uns frangotes que até pintaram a cara para protestar. Colocaram o pavão na rua e deixaram o papagaio no comando. Olha que o tal papagaio de crista fez uma série de besteiras que deu certo! Os bichos (principalmente as ovelhas e os burros) ficaram felizes e gostaram tanto que, após esse período, elegeram uma corujona de orelha, indicada pelo nosso verde-amarelo. A corujona era sábia. Falava as línguas de vários reinos, principalmente o das águias. Dai em diante foi vendendo tudo. Fez coisas boas também, pois conservou a valorização do dinheiro do reino, que em certa época era melhor que as folhas verdes do reino das águias. Mas o que os outros bichos não sabiam era que os animais políticos possuem o poder de mimetismo, isto é, transformam suas cores e formas, pois na verdade o corujão era um belo tucano. Depois ela indicou para sucedê-la um galo índio da cabeça pelada, que perdeu para o porco espinho, que já vinha lutando para chegar ao poder. O porco espinho foi e ainda é um grande artista. Não é que no dia da sua posse ele até chorou. Disse então que ninguém passaria fome. Inventou uma tal de “Fome Zero”, mas esta coisa não pegou, pois tinha filhotes morrendo de inanição por toda parte, como também adultos e velhos. Dizem a boca pequena que seus auxiliares roubaram pra ninguém por defeito. Entretanto ele sempre disse que nunca soube de nada (talvez não, somente Deus e a posteridade o julgarão). O pior de tudo é que ele era amigo de um índio maluco, que morava em uma floresta bem próxima, aliás muito rica em um líquido preto existente embaixo da terra. Este presidente também possuía o tal poder de mimetismo. Pois, na verdade, ele nunca foi porco espinho, mas um peixe de água doce, chamado de bagre, que por ser muito liso o chamam de “bagre ensaboado”. No final de quatro anos, quando houve outra eleição, o bagre (ou polvo, ou lula, pois o seu poder de mimetismo é enorme) ganhou de novo. Vejam só quem estava com ele: os lobos, os burros, as ovelhas, os urubus, as hienas, a maioria dos leões, o louva-deus (representando os religiosos), o João de barro (representando os empreiteiros) e vários pássaros cantores. Vamos esperar que no ano de 2007, o mimetismo transforme o presidente em um pombo da paz, que una num belo progresso todos os bichos do reino, principalmente onde o Mato é Grosso. * JOSEMAR HONÓRIO BARRETO é médico psiquiatra

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