ARTIGO
Quinta-feira, 04 de Março de 2010, 22h:12
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LORENZO FALCÃO
No microônibus
Minha vida dentro de um ônibus, exercendo meu direito de ir e vir nesta esburacada e calorenta cidade, tem sido uma constante por aqui. Tais acontecimentos, volta e meia ficam registrados aqui neste cantinho da página dois deste jornal. E cá estou novamente. Quer dizer, desta feita não vou me referir aos ônibus, o sofrível transporte coletivo que é oferecido aos cuiabanos. Vou falar de algo menor. Não menor em nível de ser menos ruim. Menor de tamanho mesmo. Os microônibus. Pois é, se são menores, hão de ser piores, porque a gente viaja ali ainda mais apertadinho, o que aumenta o desconforto e o rala rala cotidiano. Mas o preço da passagem, esse não. Permanece o mesmo. E agora, depois do carnaval, quando o ano começa pra valer e os estudantes voltam às aulas, há sempre um perigo a mais quando se anda de ônibus, ou de microônibus. É mochilada pra lá, mochilada pra cá. Quase sempre, quem anda com uma mochila nas costas não se preocupa ou sequer imagina que quando vira de lado ou faz algum movimento brusco dentro de um espaço apertado, pode acertar alguém. Alguém que está sentado, por exemplo. E as tais mochilas, algumas são bem recheadas com objetos pesados, sólidos e machucam. Para falar a verdade, eu mesmo, nunca fui ofendido por uma mochila. Só coisas assim meio de raspão ou apenas uma esbarradinha de leve. Mas, outras pessoas que andam de ônibus, que nem eu, já me reclamaram disso. Então, cá está, feito o registro. E um puxão de orelhas nos estudantes e outras pessoas que andam com mochilas nos ônibus ou microônibus e não têm noção de que podem incomodar os outros. Eu, particularmente, não gosto mesmo dos microônibus. Minhas pernas compridas não se encaixam atrás do banco que está à minha frente e minha cabeça está quase sempre raspando o teto. Mas devo reportar aqui uma dura viagem que fiz num microônibus recentemente. Estava sentado e ao lado de uma moça bonita. Quem estava ao lado dela se levantou e ela preferiu ficar no assento do corredor, em vez de ir pra janela. Daí que me ofereceu o assento da janela. Coitada dela. Mal sabia o que aconteceria. A parte em que estávamos no maldito microônibus foi tomada por um daqueles CCs absurdos e vinha do corredor do veículo. Dava pra perceber o incômodo que causava em praticamente todos os passageiros que estavam por ali. Acho que até mesmo o proprietário daquele mau cheiro se incomodou, tamanha a sua potência. E a coitada da moça bonita ao meu lado só que puxava a manga de sua bela blusa, na tentativa de tampar as narinas com aquele pedaço de pano emprestado da própria blusa. E assim seguimos viagem até que chegou a hora mais feliz do dia. Quando o micro ônibus chegou ao ponto onde eu saltei... LORENZO FALCÃO é editor do Ilustrado