ARTIGO
Sexta-feira, 18 de Maio de 2007, 21h:35
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MARIANNA PERES
Nem na outra encarnação!
Na próxima encarnação, não quero vir consumidor! Como fugirei desta sina? Não sei, apenas sei que essa condição não quero mais. Já reparou como nós, consumidores, nunca levamos vantagem em nada? O Procon ajuda muito, mas haja tempo e disponibilidade para denunciarmos tanta agressão. E agressões diárias, diga-se de passagem! No supermercado, as duas bandejas de iogurte pelo preço de uma animam, viram chamariz ao estabelecimento, porém a data de validade expira em dois dias, no mínimo. Promoções deste tipo valem para praticamente todos os produtos perecíveis. Só que para não perder mercadoria e nem receita, o mesmo produto comercializado há duas semanas, quando a validade dava boa vantagem de consumo, tinha valor de etiqueta que cobria o custo e o lucro dele e mais o custo daquele outro da promoção pague um e leve dois. Nas fenomenais promoções das lojas de móveis e eletrodomésticos, o engodo passa despercebido aos menos atentos. As promoções do tipo pague tudo em 10 vezes sem juros realmente nos tiram de casa e nos fazem sucumbir àquela televisão tela plana, à geladeira duplex, ao superfogão do momento, a um sofá novo... Achamos que fazemos um bom negócio ao parcelar conforme é anunciado o preço à vista em várias prestações que cabem no orçamento. Mas, depois da compra fechada ou somente em casa, nos deparemos com um detalhe: Cada ficha de compensação do carnê tem embutida descaradamente taxa de até R$ 3,99. Numa compra em dez vezes, sugam praticamente R$ 40. Se cobram pelo papel e pela impressão, tá na hora de disponibilizarem as prestações na internet para imprimirmos de casa ou do trabalho, ou então aceitarem o nosso papel e a tinta para que a compra realmente saia sem qualquer forma de acréscimo ao valor original. Ainda neste segmento, há prazos de entrega e montagem de móveis de até 48 horas para cada um e que não são cumpridos. Já esperei por uma semana pela montagem de um armário de cozinha. Só não fui ao Procon por absoluta falta de tempo. Mas tenho consciência de que fui lesada, pois criaram falsa expectativa ao fazer na mídia propaganda enganosa. Tem a conta de telefone que não chega e na correria do dia-a-dia nos esquecemos de pagá-la e ao ligar para operadora temos de ouvir que é o cliente que tem de correr atrás e quitar o débito com juros. Eu já ouvi de uma atendente a seguinte frase: A senhora sabe a data de vencimento e pode pagar a conta em qualquer lotérica. Imagina, perdi a linha e mandei-a pro inferno e a qualifiquei de cretina para baixo. Não sei o que há nesta nossa mistura de sangue que nos faz tão passivos a situações extremamente abusivas. Somos desaforados constantemente por prestadores de serviços, por empresas e profissionais liberais e, quando reagimos, o máximo que fazemos é xingar. Sem entender nossa passividade, digo: Nunca mais quero ser consumidor. MARIANNA PERES é editora de Economia do Diário