ARLINDO TEIXEIRA JR.
O Brasil comemora 50 anos de conquista da sua primeira Copa do Mundo de Futebol, ocorrida em 29 de junho de 1958, em Estocolmo, Suécia. Foi uma final emocionante, segundo cronistas da época, com a vitória de 5 a 2 sobre os donos da casa. Mas a história de meio século de copas mundiais do Brasil possui uma curiosidade, a partir dessa peleja de 1958, quando os brasileiros, na semifinal, venceram a França também pelo mesmo placar de 5 a 2. É interessante observar que, depois desse jogo semifinal contra a França, o Brasil não venceu mais nenhum mundial, quando se viu diante dos franceses. Naquela semifinal, o Brasil travou um grande duelo contra os franceses, que possuíam o melhor ataque 15 gols em quatro jogos. O Brasil havia marcado apenas seis, mas com a melhor defesa até então, com nenhum gol sofrido. Jogo duro. Empate por um gol antes mesmo dos dez minutos do primeiro tempo. Lá pelos 30 minutos, diz a lenda, houve uma paralisação da partida. Coisa rápida, mas suficiente para uma reunião de emergência. Didi, o "folha seca", teria colocado a bola debaixo do braço e chamado dois, três companheiros, entre eles, Vavá. No recado rasteiro, a preocupação com o desenrolar da peleja frente ao forte ataque francês. Partida reiniciada e nervosa. A França tinha o perigosíssimo Just Fontaine, com oito gols em quatro jogos e que viria a ser o artilheiro do mundial com 13 gols. Marca imbatível, até hoje, numa única edição de copa. Pois bem. Aos 37 minutos, pau no zagueiro Robert Jonquet. Vavá fez uma falta tão violenta no beque francês, que fraturou a perna do jogador. Foi uma entrada de extrema deslealdade, mas mesmo assim Vavá não foi expulso. Curioso é que a crítica desportiva do Brasil não aborda essa questão como um fator que teria favorecido para o placar final da partida. Com a perna imobilizada, Jonquet se arrastou em campo, bravamente, até o final do primeiro tempo, com a vitória do Brasil por 2 a 1. Jonquet foi enaltecido pelos franceses como herói, assim como um soldado das batalhas napoleônicas! Àquela época não era permitido fazer substituição. Mas não dá para entender é o que levou o médico francês a permitir a permanência do atleta Jonquet em campo, com a perna quebrada. E a França jogou todo o segundo tempo com um homem a menos. Recuou e perdeu de goleada. O Brasil foi, então, para a grande final contra a seleção da Suécia. Bellini, Vavá, Zagalo, Nilton Santos, Pelé e companhia fizeram uma grande partida. Para muitos, era um time de outro planeta! Surge ali para o mundo aquele que viria a ser o atleta do século e assim foi conquistada a primeira taça para todos os brasileiros! Outras quatro conquistas vieram: 1962, numa final contra a Tchecoslováquia, vencendo por 3 a 1; 1970, 4 a 1 na Itália. Depois de um jejum de 24 anos, venceu novamente a Itália, nos pênaltis, por 4 a 3; e venceu também em 2002, com 2 a 0 sobre a Alemanha. É, o Brasil, o único país a participar de todas as copas, desde a primeira, em 1930. É, também, o único pentacampeão. Mas, após aquela semifinal de 1958 carrega um fardo bastante pesado, de não mais conseguir superar os franceses. Tudo bem, nesses 50 anos o Brasil venceu mais quatro mundiais, mas deixou de ganhar outros três quando encontrou a França pela frente. O Brasil foi eliminado pela França nas quartas-de-final de 1986 e na semifinal de 2006. Até hoje a França venceu apenas um mundial, o de 1998, com a presença decisiva de Zidane e tinha que ser justamente em cima do Brasil! Quer mais? Tem ainda a final das Olimpíadas de 1984, quando a França venceu os meninos do Brasil por 2 a 0. Nessas partidas decisivas frente à França aconteceram coisas incríveis, a exemplo do pênalti perdido coisa inusitada , pelo craque Zico, em 1986; e a bola que bate na trave, rebate na nuca do goleiro Carlos e entra. Em 1998 foram as inexplicáveis convulsões de Ronaldo, à véspera da decisão. E em 2006 alguma força estranha abaixou o lateral Roberto Carlos para arrumar o meião, justamente enquanto um francês corria às suas costas e cruzar para o único gol com Thierry Henry. Então, é isso. Quem quiser que conte outra. Mas depois que Vavá quebrou a perna do zagueiro Jonquet, o Brasil caiu em todas as partidas contra os franceses. Coincidência? Praga? Coisa dos deuses do futebol, que não aceitam deslealdade? Sabe-se lá! Mas, na dúvida de quanto tempo ainda isso vai durar, o jeito é jogar urucubaca também, para que os franceses, por tão cedo, não cruzem mais o nosso caminho. * ARLINDO TEIXEIRA Jr. é jornalista
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