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ARTIGO
Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009, 00h:19

ENOCK CAVALCANTI

Mauro Mendes agora é socialista

Meus amigos, meus inimigos: confesso que ainda não parei para pensar neste episódio do Mauro Mendes, que trocou o PR pelo PSB. Então, vou parar agora, pensando e escrevendo ao mesmo tempo. Sim, bem sei que escrevo muita bobagem, mas faço questão de expressar minhas opiniões, sempre que posso. No alicerce de nosso mundo todo mundo sabe que existe muita bobagem, verdades antes tidas como eternas que vão sendo desacreditadas com o passar do tempo. Vejam o caso da religião: durante séculos, tudo se resumiu a uma disputa entre o Bem, que seria Deus, e o Mal, que seria o Diabo. O tempo passou, Deus continua por aí, mas do Diabo a gente quase não houve falar. No mundo letrado, pouca gente dá bola, atualmente, para a influência do Capeta. Acredito que, mais adiante, como previu Marx, Deus também será devidamente aposentado – “e o homem será, para o próprio homem, o ser supremo”. Mas o fato é que Mauro Mendes, que antes se projetava ao lado de Blairo Maggi, na Turma da Botina, agora assumiu a bandeira do Partido Socialista. É bem verdade que o socialismo do PSB é mais retórico do que programático mas está aí posta a pretensa contradição. Ouvi algumas pessoas sussurrando que Valtenir Pereira, com este esquema, estaria transformando a legenda socialista numa espécie de partido de aluguel para Vips. Acho boa a piada, mas, como conheço o Valtenir e sua história, não acredito que este seja o caso. Minha mãe, dona Zuzu, que não gostava de complicação, quando via uma situação mais enrolada, costuma escapulir dizendo: “Vamos dar tempo ao tempo”. Para vocês verem que até minha querida mãezinha dizia suas bobagens. A gente precisa desenvolver esta capacidade de opinar. Opinar sobre futebol, sobre religião, sobre tudo. Eu, que não gostei da maneira como Mauro Mendes ingressou na política, movido basicamente pela força do dinheiro, fico querendo saber qual será, realmente, a motivação deste senhor. Não sou uma pitonisa. Não sei nada de Mauro Mendes – e pode ser que, lá no seu íntimo, o empresário cuiabano tenha evoluído em seus critérios e possa, agora, surgir como uma espécie de Eduardo Suplicy do Cerrado. Sim, Suplicy, como se sabe, tem origem na mais tradicional burguesia paulista e, desde que ingressou na política, se destaca por suas posições ora quixotescas, ora ridículas, mas está sempre contribuindo para ampliar o esclarecimento das pessoas. Não gostei de ver o Suplicy bancando o Trapalhão, com aquela cueca de Super-Homem, a desfilar pelos corredores do Senado, mas prefiro o Suplicy à maioria daqueles senadores sérios e sisudos que fazem pouso em nossa Câmara Alta. Agora que o PT vai abdicando de seu papel renovador na política de Mato Grosso, com seus deputados estaduais atuando como “Riva boys” na Assembléia, não deixa de ser curiosa esta sacudida que acontece no PSB. Com Ciro na cabeça e Mauro Mendes despontando em Cuiabá, pode ser que as legendas antes tidas de esquerda se sintam desafiadas a retomar uma função problematizadora. Do jeito que está, está tudo muito chinfrim. O PSOL não conseguiu ir além do procurador Mauro. O PPS, com Percival, Ivan Evangelista e Elismar Bezerra consegue ser menos desanimador que o PPS de Roberto Freire, linha auxiliar de Serra, mas pra que é que serve mesmo o PPS de Mato Grosso?! No PDT, o caldo também pode ser sacudido, agora que o partido atraiu biografias conflitadas e conflitantes como as de Lulula Ribeiro e Adriana Vandoni e tem Sérgio Cintra querendo sair do ovo. Torço, enfim, para que Mauro Mendes represente, de fato, um racha entre estes botinudos que, depois de anos de poder, só fizeram piorar o quadro político e administrativo em nosso Estado. Alguém dirá: mas não houve, na administração Maggi, um caso retumbante de corrupção. Se a gente pensar, todavia, sob o prisma da mediocridade, verá que mediocridade foi o que transbordou por aqui, desde que Blairo Maggi apareceu com seus Pagot, Novacki, Eder e outros que tais. Voltamos no tempo, Maggi não comanda nada, quem acaba comandando tudo é o Riva. Esse pra mim é o pior dos retrocessos. E pronto. Escrevendo e pensando, levantei um monte de questões sobre a nossa conjuntura política. Acho que é assim que todo cidadão, toda cidadã, deve fazer. Pensar e agir, que a vida cobra isso de nós. Pensar muito, se informar cada vez mais, para agir e votar depois. * ENOCK CAVALCANTI, jornalista, é titular do blog www.paginadoe.com.br

Edição EDIÇÃO 16958




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