Dizem as más línguas que o melhor show artístico, o verdadeiro "show do ano", no decorrer da 36ª Exposição Comercial, Industrial e Agropecuária (não seria também inflacionária?) que acabou ontem, domingo, foi o do cantor goiano Leonardo. Não propriamente pelo que esse artista representa - tem gente que não gosta (e este articulista se inclui no rol) dos tais cantores "sertanojos" -, mas pelo discurso que o rapaz fez, durante sua apresentação, na arena do parque, na noite de sexta-feira passada. Como este Diário revelou com exclusividade, ontem, num rasgo de sinceridade que deve ter deixado os organizadores do evento com a cara de tacho (muitos deles, aliás, não se cansaram de paparicar o cantor, num escandaloso e ridículo puxa-saquismo), Leonardo bateu duríssimo contra o verdadeiro assalto que se praticou contra o consumidor, naquela feira. Com efeito, o cantor considerou um absurdo a cobrança de um ingresso a R$ 3,00 a título de acesso ao recinto do Parque de Exposição e, em média, de até R$ 10,00 para ter direito aos shows que se realizavam na arena. "É muito caro!", bradou Leonardo, para em seguida lembrar (e ele estava muito bem informado) que esse expediente absurdo, quando nada, foi a causa do fracasso, em matéria de público, dos shows de duplas famosas como Rio Negro & Solimões e Rick & Renner, entre outras. "Se for continuar assim, da próxima vez, não venho mais", ameaçou um Leonardo, que, no fundo, não escondia a revolta, até porque, se a maracutaia, quer dizer, a cobrança exagerada dos ingressos não fosse tão absurda, ele próprio teria saído satisfeito. A sorte do cantor é que são inúmeras as menininhas (e meninonas, dizem) que desmaiam só em falarem o seu nome, e certamente fazem das tripas coração para vê-lo de perto. Essas, sem dúvida, pagariam até R$ 100 pelo ingresso. O "show" de Leonardo, não há como negar, foi extremamente oportuno para lembrar que, em que pese o fato de os organizadores transmitirem uma imagem de sucesso e coisas do gênero, há muito de falsidade, de cinismo. No aspecto de respeito ao público, a 36ª Expoagro foi um retumbante fracasso. A busca incessante pelo lucro fácil e o desejo de transformar o evento numa espécie de passarela, por onde os poderosos e os amigos destes pudessem desfilar de narizes empinados, acabaram relegando o povo a um plano secundário. Os expositores, que costumam fechar excelentes negócios, os donos de bares e restaurantes, que chegam a cobrar R$ 2 por uma latinha de cerveja, e os organizadores, que cuidam das bilheterias, são os únicos que faturam nesse evento. A Expoagro deveria ser "de grátis" (como costumam dizer os impagáveis Nico & Lau), deveria ser uma festa popular. Afinal, segundo se conta, o patrocínio da festa teria sido mesmo todo ele garantido pelo dinheiro do contribuinte. A propósito, fui ao Parque de Exposições no segundo dia do evento, um sábado, e paguei R$ 3 para ter acesso ao local. Estou pensando seriamente em recorrer ao Procon (ou à Polícia, se for o caso) para tentar reaver meu rico e difícil dinheirinho. ANTONIO DE SOUZA é editor-executivo do DIÁRIO.
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