A revista Veja provocou e recebeu retorno da provocação. As perguntas podem ser avaliadas nas páginas amarelas como pertinentes ou capciosas, mas as respostas de Robert Shiller, da Universidade de Yale, in A psicologia das bolhas, foram elucidativas e demonstram de fato como o neoliberalismo deve ser avaliado. E, igualmente, como ele é mal-interpretado. Jonh Maynard Keynes não foi um antagonista de Adam Smith, muito menos seu discípulo, mas complementou o que não estava dando certo na economia, dado que o capitalismo estava liberal em excesso. Este liberalismo é muito ruim para o mercado, pois promove desmandos, autoritarismo nas políticas econômicas e injustiça social, além de crises. Aliás, isto havia sido focado por Marx e, seu alerta foi suficiente para os governos buscarem uma terceira via. Esta, em alguns países foi aplicada com uma forte dose que acabou afetando os liberais e os intervencionistas. E por esta lógica percebe-se que Keynes previu uma atuação moderada na busca de um equilíbrio que permitisse que a economia saísse de sua crise, com um governo agindo de forma reguladora e moderada. Keynes, de fato, nunca preconizou um estado forte para controlar a economia. A constituição brasileira é o melhor exemplo, a meu ver, dessa proposta, pois deixa claro os mecanismos e seus limites de controle. A ação política por parte dos governos, particularmente do atual, é que não aceita e não quer ver, pois não lhe é conveniente. O seu projeto político é outro, o ideário político-partidário tem outros projetos para o país, daí os conflitos de mercado e a dificuldade do país em crescer de forma adequada, com um empresariado forte, e uma carga moderada de tributos. E, de modo que possa utilizar sua potencialidade sem sacrificar a maioria produtiva da população, valorizando, de fato quem agrega valores e pode produzir muito mais. Quando questiona o repórter, voltando às páginas amarelas, que o "espírito animal" é superior à famosa "mão invisível" dos mercados preconizada por Adam Smith? buscou criticar o mercado livre, que deve sim ser preservado. E a resposta foi positiva, pois para Schiller, na soma dessas ações egoístas, Smith viu uma "mão invisível" que produzia a prosperidade geral da sociedade. Por ser correta, não significa que essa visão seja totalmente abrangente. E que Keynes argumentou que o capitalismo era o melhor modelo, desde que regulado. Até hoje, é o que sempre defendemos, pois igualmente entendemos que a economia deva ser dotada de meios eficazes para o exercício dos marcos regulatórios setoriais e regionais para aplacar os excessos do capitalismo selvagem que promove injustiças e um sistema explorador de força de trabalho. Aqui e sempre representado pelos hipossuficientes trabalhadores, sejam qualificados, semi ou não, qualificados. E, de fato, estes marcos regulatórios existem no Brasil e em outros países. Os seus direcionamentos pela classe política é que suplantam sua exegese e faz de seus resultados uma caixa de pandora e uma cesta de injustiças. Às vezes aplaudidas e conduzidas por seus próprios governantes e seguidores. Na verdade, o papel dos governos é fundamental. Não apenas para avaliar os efeitos psicológicos na sociedade, pois ela é composta de comportamentos individuais e coletivos, mas, sobretudo, para informar aos seus agentes econômicos, consumidores e produtores, seus direitos e deveres num estado democrático de direito, e o governo deve ser o primeiro a respeitar seus pressupostos. Não defendemos Keynes por uma falaciosa proposta de intervenção no domínio econômico, mas, por um marco regulatório que respeite o ordenamento jurídico existente, com segurança jurídica. E que ainda, preconize a liberdade econômica como um marco civilizatório para garantia de um desenvolvimento auto-sustentável, sem a defesa de crescimento restritivo da economia brasileira. *ILSON SANCHES, Advogado e Professor Universitário em MT www.ilsonsanches.com/
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