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ARTIGO
Quarta-feira, 09 de Fevereiro de 2011, 20h:54

ADILSON ROSA

Incompetência ao quadrado

Enquanto Governo e ambientalistas se digladiam em Brasília por causa da usina hidroelétrica de Belo Monte, a triste realidade do planejamento energético no Brasil revela situações, no mínimo, inacreditáveis. Que é preciso investir em geração de energia no país, não é novidade. O problema é que existe geração sem aproveitamento, dinheiro investido que podemos dizer que está apodrecendo. Um exemplo é a usina de Dardanelos, em Mato Grosso, no rio Aripuanã que está com uma turbina em funcionamento para gerar mais de 65mw, mas tem que ficar desligada. Sabe porquê, caro leitor? Não tem linha de transmissão. Isso pode ser comparado com uma pessoa que compra uma picape e não pode se deslocar para sua fazenda porque não tem estrada. Falando sério, faltou planejamento. E olha que Dardanelos, em breve estará com quase 300 MW, mais que a Usina de Manso, prontinha e não pode entrar em operação. Mesmo com energia sobrando, não há uma definição de quando a linha de transmissão estará pronta. Em outros países, seria humilhante ter uma usina desse porte parada por falta de fios e postes e outros pequenos detalhes. É mais lenha na fogueira da incompetência de nossa política energética. Esses 65mw não abasteceriam somente Mato Grosso, mas colocariam todo o Nortão interligado ao sistema nacional e parte dessa energia poderia ser exportada para outro estado. O mais triste é que não é preciso investir tanto assim. Faltou planejamento, faltou competência. Não é possível que estejamos no meio de um suplício de Tântalo, sofrimento daquele que deseja algo aparentemente próximo, porém, inalcançável. Se Dardanelos é um exemplo de falta de planejamento, a termelétrica de Cuiabá passa a ser uma aberração. Enquanto pipocam os apagões no país, temos uma usina para gerar 480mw, o que é uma capacidade de grande porte, ela está parada. Bastava a Petrobrás arrendá-la ou ser sócia da usina para gerar uma energia que Belo Monte ainda não está produzindo. E energia limpa, sem agredir a natureza, diga-se de passagem que segue a cartilha dos ambientalistas. Se algum estrangeiro ouvir que essa usina está parada há dois anos, acharia que era uma piada. Acho que está na hora do Brasil deixar de ser uma piada e nossos governantes agirem com seriedade. ADILSON ROSA é repórter

Edição EDIÇÃO 16958




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