ACM era um ícone político, poder e influência eram seus predicados, se fosse bicho seria um leão. Serys, um exemplo local da moralidade, decência, probidade e caráter, se fosse uma flor chamaria não-me-toque. Dante é aquela esperteza política toda que a gente conhece, matreiro, inteligente, no mundo animal entraria facilmente para a família das raposas. Agora pense rápido: o que tem a ver um com o outro ou uma coisa com a outra? Muito pouco, quase nada, a não ser pelo fato de estarem vivendo um momento bastante contundentes em suas vidas, vitimados pelo próprio veneno. Quais sejam: Antônio Carlos Magalhães, que sempre fez política com acusações, ameaças, pressões e infindáveis expedientes maléficos (daí o apelido de Toninho malvadeza) no trato com seus colegas políticos, acabou sendo julgado pelas suas próprias vítimas. Perdeu o mandato e saiu do cenário pelas portas do fundo. Serys. O caso da deputada não é menos igual. Depois de muito julgar, humilhar, vaticinar e enterrar pessoas e personagens, acatar denúncias infundadas, relatos vazios e carentes de provas no comando de uma CPI que ela mesma criou, acaba por ter de pagar com a mesma moeda. Foi acusada (ainda que sem provas) de participação na cabeluda história do caso Sivaldo. Passou a sair na capa dos jornais como ré, de um crime que ela mesma combateu. O caso de Dante é político (qual não é?), e tem relação com o assunto. Depois de ter carregado e apadrinhado politicamente seu assessor por anos a fio, ter-lhe dado plenos poderes, dois mandatos e um espaço desmedido, acaba por ser desancado. Dedos apontados na cara e desmentidos públicos fazem parte dessa história, que lembra aquela outra história que diz que a cria acaba se voltando contra o criador. Um parêntese curioso, as três histórias acontecem ao mesmo tempo, com uma precisão de datas incrível. Pegue-se por exemplo a negação de Antero sobre o acerto nas datas, fazendo Dante passar por mentiroso, que aconteceu na terça, a renúncia de ACM na quarta, e a bomba que explodiu sobre Serys na quinta. A segunda coincidência pode ser o que cada um vai arranjar para sair da lama e acabar com essas angústias momentâneas. Se saírem bem, podem transformar os respectivos episódios em um mero acidente de percurso. Suas carreiras não estão detonadas portanto, como muitos gostariam de anunciar. ACM ainda tem os votos da Bahia, que pode reconduzí-lo ao Senado, ou ao Governo estadual. Pode também empunhar uma bandeira cara ao Governo (a da moralidade), e sair como vítima, candidato à Presidência da República pelo PFL. A deputada Serys fará, como sempre, o papel de vítima, acusará uma armação para destruí-la, enfim. Até agora, as denúncias contra ela não têm fundamento, não têm provas, não têm nada, é só a opinião de alguém. Dante de Oliveira tem um enorme espaço de manobra pela frente, e passará a conversar mais, e com todos, não só com os amigos. O sinal mais claro dessa estratégia foi a renovação na sua Secretaria de Articulação Política. Mas as alternativas de cada um não saem tão baratas assim. A questão objetiva é que as manchetes deixam marcas. A subjetiva é que cada um tem um caminho a seguir, talvez um atalho. O Brasil vem sendo pródigo em derrubar ícones nos últimos tempos, é sinal que algo está mudando, não dá para negar. Quanto mais se radicaliza na democracia, mais o país conhece os espurgos que tem. Aos que estão chegando agora, e encontrando o país assim, parabéns. Aos que contribuem direta, ou indiretamente: saudações. Saudações a quem tem coragem! * JOSÉ MARCONDES NETO (MUVUCA) é articulista, membro do Conselho Superior da UFMT e escreve excepcionalmente hoje nesta coluna. E-mail:
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