Muito se conhece a respeito da história do mineiro de coração cuiabano Gilnei Viana. Médico, professor da UFMT, Deputado Estadual e Federal pelo PT, Secretário de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável do Ministério do Meio Ambiente, tendo participado da equipe de transição e da elaboração do programa do Governo Lula na área ambiental, onde sempre teve atuação destacada. Mas, muitos não conhecem a história de Gilnei preso político por quase 10 anos na luta pela Anistia para todos os brasileiros punidos pela ditadura militar. Uma história de sofrimento e dor. Mas, também, de coragem. Coragem sem limites, de idealismo e amor ao país. Afirmando a sua dignidade, na primeira linha de todas as ações de luta, Gilnei decidiu romper o silêncio e publicar o livro Fome de Liberdade esta semana no restaurante Carpie Diem, em Brasília. Estive presente. Levei o companheiro José Ronald Pinto(CNB), um dos grandes articuladores políticos do partido no Congresso Nacional e amigo de Perly Cipriano, co-autor do livro. O livro trata da participação de um grupo especial de resistência os prisioneiros políticos contra a longa noite de arbítrio que vigorou no país a partir do golpe militar de 64. Foi um período de repressão, de censura a imprensa e cerceamento das liberdades democráticas. A dura luta de resistência nos cárceres políticos pela Anistia ampla, geral e irrestrita foi expressa no poema de José Roberto Rezende: É penoso, a gente ser ainda jovem e quase velho, ainda vivo e quase morto, quase livre e tão preso. O ponto alto do livro foi, sem dúvida, quando o governo do General Figueiredo enviou ao Congresso o projeto de Anistia parcial e excludente, os presos políticos do Rio de Janeiro, esgotados os meios convencionais de protesto, colocaram em risco as próprias vidas realizando uma longa e sofrida greve de fome de 32 dias que comoveu o país. Durante essa greve de fome, Gilnei recebeu a visita de várias personalidades políticas da época, como o Deputado Ulysses Guimarães, o Senador Teotônio Vilela e o Deputado Dante de Oliveira. A luta de Gilnei pode ser comparada a de Nelson Mandela, um dos maiores líderes negros já conhecidos, principal representante do movimento antiapartheid, bem ao contrário do que considerava o governo sul-africano, o qual temia suas atuações por classificar como um terrorista. A liberdade é um valor indiscutível de cada ser humano. Jean Jacques Rousseau vem dizer, no seu Contrato Social(1792), que cada indivíduo detém uma parte do poder e utiliza-o de acordo com a vontade geral. Tal vontade, segundo ele, manifesta-se por sufrágio universal e de acordo com a regra da maioria. Rosseau foi um filósofo suíço, escritor, teórico político e um compositor musical autodidata. Ao defender que todos os homens nascem livres, e a liberdade faz parte da natureza do homem, Rosseau inspirou todos os movimentos que visavam uma busca pela liberdade. Inclui-se aí as Revoluções Liberais, o Marxismo, o Anarquismo etc. Portanto, fica o registro ao valoroso companheiro Gilnei Viana. Fica atestado o meu respeito a um homem íntegro, honesto, que não poupou esforços pela conquista de direitos, da liberdade e de justiça social. E graças a Deus, nós vivemos, hoje, numa democracia representativa. Num país onde há liberdade de expressão, de pensamento e religiosa. * VICENTE VUOLO é cuiabano, economista e ex-vereador de Cuiabá
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