ARTIGO
Quarta-feira, 26 de Maio de 2010, 21h:54
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ANA ROSA FAGUNDES
Festival de CPI
Uma, duas, três, quatro, cinco... até perdi a conta de quantas CPI ouvi falar nos últimos meses só em Cuiabá. Umas saíram do papel, outras não. Das que saíram, algumas são visivelmente sem necessidade. A proliferação das tais comissões tem como motivo mais óbvio o político. Às vezes não tanto pelo ataque ao outro, mas pela promoção pessoal. O deputado Sérgio Ricardo, o homem dos peixes e dentaduras, agora também é o homem da saúde. No dia-a-dia das reportagens conseguimos ver um pouco do que se passa nesses corredores, bastidores. Olha, a coisa parece brava, cada história que quase me faz perder a fé nos poderes... No caso dessa CPI da Saúde, lembro-me que o lobby foi pesado para ver quem ia ficar com a presidência da comissão. Lágrimas rolaram, boato pra lá e pra cá e taí, o resultado da briga são anúncios de medidas que estão sendo tomadas em favor da saúde. Fila Zero é palavra recorrente. Bem, se não tiver mais gente na fila mesmo e outras diversas ações anunciadas serem realmente concretizadas será muito bom. O problema será se projeto em papel virar bandeira política. Na Assembleia também temos a CPI da Unemat, que até agora não mostrou a que veio. O motivo de sua criação foi o fiasco do concurso público do governo do Estado. Anunciado como o maior concurso da história de Mato Grosso, 270 mil pessoas de inscreveram para concorrer a mais de 10 mil vagas no governo, a cargos diversos. Com tantas vagas, o sonho do emprego público, a estabilidade financeira poderia ser enfim alcançada. Naquele dia 11 de novembro de 2009 270 mil pessoas nas ruas. A maioria fez a prova aqui em Cuiabá. Imaginem quase 270 mil pessoas querendo chegar impreterivelmente às oito horas num lugar em Cuiabá. Fernando Correa, Getúlio Vargas, Coronel Duarte, Filinto Muller, Rubens de Mendonça... Nenhum desses, que hoje são ruas, deu conta do recado, era gente demais. Insuportável. A cidade inteira estava igual a beira-rio em dia de show de Ivete Sangalo na Unic: um caos, insuportável. Fora o problema logístico, vieram as denúncias de fraudes no concurso com vazamento da prova. Aí criaram então a CPI da Unemat. Há seis meses atrás. Deu em nada ainda. Ah, o deputado que a criou estava, e ainda está, em plena campanha a favor de um candidato ao governo que não é o atual governador. Isso não tira a legitimidade dele... mas até agora nada. A mais recente da Assembleia foi a tentativa de criação da CPI do maquinário. Proposta da oposição, é claro.. Muito legítimo também. O problema nesse caso é que a denúncia já está sendo investigada, pela Polícia Federal, inclusive. Se fosse para ser julgado só pela Justiça Estadual aí era bom ficar de olho aberto. Tá um disse me disse de venda de sentença por lá. Mas bem, isso não é assunto para hoje. Quiseram criar também CPI dos incentivos fiscais, da Ager. Na Câmara dos vereadores é a mesma coisa... Uma anunciação geral dos paladinos da moralidade dizendo que vão investigar isso e aquilo. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito é um instrumento eficiente para apurar responsabilidade e trazer o assunto para o debate público. Mas CPI para inglês ver não dá é demais pra gente. ANA ROSA FAGUNDES é repórter