Participei, como palestrante, de um interessante projeto do governo de Mato Grosso, realizado pela Casa Civil, em parceria com a Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Mato Grosso Facmat e a Federação do Comércio de Mato Grosso - Fecomércio que tem como objetivo estimular a diversificação produtiva de Mato Grosso e incentivar o pequeno empreendedorismo voltado para o mercado externo. Realizado sob o formato de work-shops, uma caravana de técnicos, líderes empresariais e professores especializados em diversas áreas, como economia, marketing de varejo, direito internacional, metodologia de comércio exterior, logística de transporte, passava um dia inteiro em cidades-pólos de Mato Grosso mostrando o potencial produtivo e exportador de nosso Estado, os cenários econômicos e ambientes de negócios em nível regional, nacional e mundial. Ao longo de vários meses foram realizados work-shops em 15 cidades com ampla e vibrante participação de autoridades locais, instituições de ensino superior, empresários de todos os ramos, estudantes, agricultores, artesãos, mulheres organizadas sob a forma de associações produtivas ou cooperativas. Ao mesmo tempo que recebiam as informações, expunham também o potencial produtivo e dificuldades do município ou região. O espírito empreendedor latente em todos os participantes surpreendia os expositores e organizadores diante do volume e diversidade de experiências produtivas já existentes no interior de nosso Estado. Muitas delas já voltadas para a exportação. Em meio ao turbilhão da crise que assolou o setor agropecuário, não vimos o desânimo dos derrotados nos participantes das cidades e regiões onde se realizaram os eventos. Ao contrário. Notamos, técnicos e realizadores, um destemor digno de elogios e a busca constante e intrépida de alternativas para diversificar e ampliar a base produtiva dos municípios, conscientes de que a economia de cada município não poderia continuar nas mesmas bases após o alerta dado pela crise conjuntural. Diante da crise e de um mercado em constante mutação evolutiva, soluções públicas e empresariais inovadoras que estavam apenas latentes foram aceleradas nessas cidades. A procura por informação mais qualificada sobre capacitação técnica, melhoria de processos e produtos, acesso a novos mercados, programas governamentais de incentivo à exportação, estruturação e consolidação de marcas, divulgação institucional e incentivos fiscais, parcerias estratégicas, foram assuntos calorosamente discutidos durante os debates. Conhecemos inúmeras experiências interessantes que vão desde a exportação de biojóias, belíssimas bijuterias feitas a partir de sementes da floresta tropical e de fibras do bagaço da cana das usinas de álcool, ao refinado mel exportado para países europeus. Com o objetivo de estimular a economia regional e num excepcional exemplo de alianças estratégicas entre governo estadual, prefeituras municipais, associações empresariais e instituições de ensino locais, algumas dessas cidades resolveram criar centros permanentes de estudos e apoio ao comércio exterior, casos de Várzea Grande, Tangará da Serra, Cáceres, Rondonópis e Sinop. Outras optaram por formar grupos de empresários, artesãs e artesãos para receberem capacitação técnica em cidades pólos próximas ou formar caravanas de empreendedores para visitar experiências de sucesso de Arranjos Produtivos Locais (APLs) em outros Estados e até países próximos. É indiscutível a aceitação e o sucesso da iniciativa nos locais onde os eventos foram realizados. Os resultados, com certeza, aparecerão em futuro próximo, beneficiando diretamente as cidades empreendedoras e, por conseqüência, o desenvolvimento social e econômico de Mato Grosso. * VIVALDO LOPES é economista, pós-graduado (MBA) em gestão financeira de empresas pela FIA/USP e consultor da Fundação Getúlio Vargas - FGV
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