ARTIGO
Sábado, 02 de Junho de 2001, 13h:43
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ANTONIO DE SOUZA
Dilema tucano
É possível que nessas próximas horas ou nesses próximos dias tenhamos, enfim, o final (feliz para uns, infeliz para outros, inevitável e fatalmente) da novela (ou dramalhão) Antero Paes de Barros x Roberto França, ou vice-versa. Pelo menos é essa a expectativa, considerando que o governador Dante de Oliveira, principal artífice do grupo de notáveis do PSDB que busca um consenso entre os dois pré-candidatos, já deu mostras inequívocas de que não suporta mais tanto lengalenga em torno da discussão do nome que será o candidato à sua própria sucessão, no contexto do ninho famoso. Não há como negar que vai ser um alívio enorme não apenas para o chefe do Paiaguás, mas para outros integrantes do grupo (o deputado José Riva já defendeu, inclusive, a extinção pura e simples da Comissão de Entendimento, em entrevista a este Diário) e para a opinião pública, que, definitivamente, já não suporta mais ouvir falar em palavras como consenso e unidade, que, na verdade, existem apenas no papel. Justamente pelo fato de ser o mentor desse grupo, é que o governador Dante se sobressai na condição de magistrado. Dele se espera o máximo de equilíbrio e, sobretudo, de isenção. Aparentemente, essas duas coisas vêm sendo notadas, a partir do momento em que ele próprio procura se posicionar, no contexto das discussões internas, como o defensor mais intransigente do tal consenso para a escolha do candidato do PSDB ao Governo no ano que bem, bem como da tão perseguida unidade partidária. Deve ser por isso, aliás, que em torno de Sua Excelência estão todas as atenções. Não deixando de se considerar, de outro lado, que da escolha do candidato tucano vai depender o futuro político do governador e de algumas pessoas da sua mais estreita intimidade e que, como ele, sonham com vôos altos em matéria de eleições 2002. A propósito disso, aliás, é que começaram a circular rumores, nos meios políticos, dando conta de que Dante, no fundo, manifesta uma ponta de preocupação com o que o futuro pode lhe reservar, diante do que o PSDB possa definir em termos de candidato a governador, entre Antero e França. Pelo que se ouve de fontes seguras, por exemplo, o nobre governador, por mais de uma ocasião, teria deixado escapar que o senador, como Mato Grosso inteiro sabe, é pessoa da sua mais absoluta confiança, além de ser amigo pessoal. Mas, para que os seus projetos político-eleitorais (como se sabe, é candidato ao Senado) prevaleçam, não corram risco, o ideal era ter como respaldo, digamos assim, eleitoral, um nome como o do prefeito, pela sua densidade em matéria de prestígio popular, a partir da Capital. Resumo da ópera: Dante, nas entrelinhas, acha que com Antero candidato a governador, simplesmente corre o risco de não se eleger senador. Para completar, escuto de analistas a seguinte observação: o problema do PSDB é um grupo econômico que luta, desesperadamente, para continuar manipulando verbas públicas em alguns setores estratégicos do Palácio Paiaguás. ANTONIO DE SOUZA é editor-executivo do DIÁRIO. asouza@diáriodecuiaba.com.br