ARTIGO
Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009, 08h:57
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RENIEL POUZO FILGUEIRA
Dia do Soldado
No Exército Brasileiro, o dia 25 de agosto é comemorado o Dia do Soldado. Nesta data, 50 anos atrás centenas de jovens vindos das mais diferentes regiões do país, principalmente do interior do Estado de Mato Grosso, juraram a Bandeira Brasileira. Neste juramento, além dos compromissos assumidos para com a nação, também ficou explícito que a partir daquele instante, aqueles jovens juramentados seriam responsáveis pelos seus atos e que os interesses da pátria deveriam estar sempre acima de tudo e de todos. Ainda hoje, deve estar na memória de muitos aquele acontecimento ocorrido na manhã ensolarada no dia 25 de agosto de 1959. Para chegarem a este juramento houve quase 8 meses de treinamento e preparo. Aquelas centenas de jovens que entraram no Exército ou como se dizia naquela época, sentaram praça no início de janeiro de 1959, foram distribuídos nas Companhias: 1ª, 2ª, CCS e CPP. Alguns eram analfabetos, outros nunca tinham calçado sapatos, mas também havia filhos de famílias abastadas. Logo nos primeiros dias, já ficou bem claro a todos os recrutas de que realmente era verdadeiro o que se comentava no quartel, podem chorar a vontade, porque aqui a mamãe não vai ouvir os chorinhos do bebê. As obrigações eram cobradas de todos com igual rigor, independentemente da origem, da situação econômica ou do grau cultural. Os bons exemplos, quase sempre, vinham de cima para baixo. O filho do Sub-Comandante Geral do antigo 16 BC, também entrou no exército naquela data e nas mesmas condições que os demais, ou seja, como soldado raso. Capinava e lavava as estrebarias ao lado de outros soldados. Naquela época, no 16 BC criava-se porcos, cavalos, e cultivava-se hortaliças. Até o dia do juramento a Bandeira, as instruções e exercícios físicos eram realizados diariamente. Além do aprendizado militar ensinava-se de tudo um pouco, dando-se ênfase aos aspectos morais e cívicos. O serviço militar daquele tempo complementava e consolidava as bases morais que cada jovem trazia da família. Valorizava-se as qualidades individuais, infundindo nos espíritos daqueles jovens a certeza de que para a realização dos seus sonhos, cada um teria que fazer o melhor que pudesse. Muitos de lá saíram com profissões: barbeiros, técnicos em rádios etc. Dava-se atenção especial à aparência pessoal e à postura, tanto dentro como fora do quartel. Era inadmissível a barba e o cabelo por fazer, comprido só ficava bonito nas mulheres. O soldado, onde quer que estivesse, quando sentado e caso não houvesse mais lugar, tinha que ceder o seu assento às mulheres ou aos idosos. Delito considerado gravíssimo era o roubo. O castigo era a expulsão do Exército Brasileiro. Esta quando acontecia, se dava de frente a todo o batalhão; naquele ato o transgressor era entregue à polícia. Para aqueles que assistiram tal cerimônia, jamais esquecerão. O Exército Brasileiro dava também grandes oportunidades aos jovens talentosos, principalmente àqueles oriundos de famílias humildes. Foi através dele, que o cuiabano Eurico Gaspar Dutra pode chegar à Presidência da República e o mimoseando Cândido Mariano da Silva Rondon alcançar o marechalato e ainda em vida ter o seu trabalho mundialmente reconhecido. As obras de engenharia tem mostrado através do tempo o grau de desenvolvimento e de perseverança de um povo. Foi durante o regime militar que se construiu no Brasil duas grandes obras de engenharia, a ponte Rio- Niterói e a Usina Hidrelétrica de Itaipu, por enquanto a maior do mundo. O regime democrático de governo sempre foi e continua sendo o sonho de todos os brasileiros de bem. Contudo, o caminho que vem sendo atualmente trilhado para consolidar esse tão sonhado regime, infelizmente está levando brasileiros e brasileiras à indignação e provavelmente a uma zona de perigo. Assistindo a todo esse lodaçal, que não é só político, cabe no momento pelo menos indagar: quantos desses protagonistas passaram pelo serviço militar? * RENIEL POUZO FILGUEIRA, Engenheiro Civil e Professor fundador da UFMT