O Congresso se prepara para votar projeto de criação de mais seis estados, sendo um no norte de Mato Grosso. Um dos autores desse projeto é o cabeça oca senador Mozarildo Cavalcanti, de Roraima, que por falta do que fazer vive metendo o bedelho onde não é chamado. Não é em vão que ele é titular absoluto do baixo clero do Congresso Nacional. Mesmo com o falecimento ou uma contusão séria de um titular, o nobre Senador Mozarildo continuará a esquentar o banco (como se diz na gíria desportiva), do timaço do baixo clero. Se conseguir se reeleger por 9, 10 ou 11 mandatos, jamais sua titularidade nesse timinho será contestada. Desta vez parece que o dedo do nobre deputado Fernando Gabeira (aquele que queria importar semente de maconha e tem no currículo vários projetos importantíssimos de criação de praias para nudistas, e a jóia de todos, a criação do Território do Pantanal) não está presente. Completando a dupla, sinto saudades do japonês Luís Gushiken, que desta vez não deu sua opinião por ter sido escanteado pelo chefe. Escrevi uma carta em 2003 endereçada ao Senador Mozarildo Cavalcanti pedindo-lhe que preocupasse mais com seu Estado. Lembro-me perfeitamente da posição de toda nossa bancada Federal. Foi o então deputado Wilson Santos, o único a declarar publicamente sua posição contrária à divisão. Tínhamos representantes à época e que até hoje detêm mandato, querendo dividir nosso estado não em mais um, mas sim em mais dois. Com essa nova investida de divisão, esses mesmos continuam bem quietinhos! Nenhum projeto de criação de novos estados apresenta estudos sobre custos e viabilidade econômica. Vêm com a criação de novos estados, novos executivos, novos legislativos e novos judiciários. Para um país como o nosso, rico, despesas dessa ordem, não serão problema. Até parece verdade! A senhora Ana Teresa Sotero Duarte, consultora legislativa da câmara, apontava, em 2005, interesses exclusivamente políticos às divisões. Em trecho do seu parecer, destaca a consultora: Criar um novo estado é pesado ônus para os cofres públicos, pelo menos nos primeiros anos. A organização política e administrativa faz com que o aparato burocrático e institucional que precisa ser montado para por em funcionamento uma nova unidade da federação, gere despesas vultosas, deixando poucos recursos para investimento em área social. Imaginem senhores, o Estado da Gurguéia, que nasceria do Piauí, se criado hoje, teria uma renda per capita de R$ 71,92, ou seja, seria o estado mais pobre do Brasil, seguido do estado do São Francisco com renda de R$ 77,93 e do Maranhão do sul com R$ 85,48. André Roberto Martin, professor de geografia da USP, diz que aqueles que afirmam que o tamanho do estado dificulta a administração estão equivocados. Vai além, diz que se assim fosse, teríamos que dividir o país em vários países, e conclui: basta olhar para a Europa que está a caminho de união total. Estou convencido de que aqueles que desejam insistentemente dividir este país, chegaram à conclusão que não têm cacife eleitoral para governar seus estados e assim sendo, melhorariam essas condições. Nunca na história deste país tantos se preocuparam com o bem estar de seus conterrâneos. Vejam que a grande maioria desses divisionistas pertence ao timaço do baixo clero. Sabem eles que suas ascensões ao time titular da Câmara é coisa muito longe de suas representatividades. Vamos arranjar tarefa para essa gente. Cabeça vazia é morada do diabo! * EDUARDO PÓVOAS é odontólogo
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