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ARTIGO
Quinta-feira, 18 de Março de 2010, 22h:03

LORENZO FALCÃO

Dá-lhe Scorsese

Uma experiência inusitada, mas não propriamente por causa do filme que assisti, e sim pela reação da plateia. Assisti ao filme “A Ilha do Medo”, do qual gostei muito. Além disso, me diverti bastante com a reação do público presente, pouco mais de cem pessoas. O filme tem a direção de Martin Scorsese (“O Aviador”, “O Touro Indomável” e “Cabo do Medo”, entre muitos outros, traz no elenco Leonardo DiCaprio, numa excelente atuação. Mark Rufallo ótimo como coadjuvante e até o veteraníssimo Max Von Sidow, que eu pensava que já não estava mais entre nós, faz um papel brilhante. O filme é uma mistura de suspense com horror. As pessoas me perguntavam, quando eu disse que assistiria ao filme, se era de terror, ao que eu respondia: “Não, é de horror”. Bom, horror é diferente de terror, eu sei, mas nem me perguntem porque. E nem pretendo me estender muito sobre o filme e nem vou contar o final, porque sei que a maior parte das pessoas não gosta de saber disso. O que, definitivamente, não é o meu caso. O que vale num filme e num livro, segundo meu entendimento, é a forma como a história é contada. O que me fascina é a narrativa e não a história pura e simplesmente. Voltemos, pois, à plateia. Não me iludo e sei que um filme com esse nome, “A Ilha do Medo”, há de levar aos cinemas uma legião de pessoas desinformadas que vão em busca da adrenalina provocada pelo medo que, supostamente, as espera. Gente que seleciona os filmes que assiste pelo seu título é o que não falta neste mundo. Começa o filme e a falta de educação desses falsos cinéfilos continua a predominar. Gente que tem a cara de pau de atender ao celular e conversar, atrapalhando quem está por ali. Fiquei meio colérico e soltei um sshhhhh. Adiantou, mas ainda tinha uma ou outra pessoa que continuava com o aparelhinho. Fiquei com vontade de gritar: “Vai pra casa assistir o big brother, ô meu”. Mas me contive. Bom, quem conhece Scorsese, sabe que seus filmes costumam ser arrastados, apesar de boas dosagens de ação. Mas este filme tem um clima que vai pegando o espectador de mansinho e o envolve quase que totalmente. Por mais desavisados e desacostumados com aquilo que classifico como filme de arte, meus companheiros de sessão, aos poucos foram ficando quietinhos e se surpreendendo com o que a telona mostrava. Da metade do filme pra frente, nem precisei mais me enraivecer com a plateia. Disfarçadamente, olhava para os lados e para trás, reparando nas pessoas. Houve uma espécie de ‘transe coletivo’, com os baderneiros se transformando em embasbacados, para a milha alegria. E dá-lhe Scorsese!!!

Edição EDIÇÃO 16958




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