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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

ARTIGO
Segunda-feira, 12 de Março de 2001, 21h:12

JOSÉ MARCONDES NETO

Critérios

Há quem não acredite na disputa interna do PSDB. Lobo mau, Papai Noel e saci-pererê sim, existem. Real ou não, a tucanada está em busca de critérios para definir entre o senador Antero e o prefeito Roberto França quem carregará o "standart" do 45 ao Governo do Estado. Vamos a eles: Experiência política: Roberto tem 30 anos de vida pública, comprovou experiência no Legislativo e no Executivo, sempre foi destaque por onde passou. Antero tem uma militância intensa e vem ganhando espaços consideráveis em nível nacional, através de leis, projetos e cargos de vultuosidade. Capacidade de agregar forças: Antero atrai a maioria dos partidos governistas, além de uma parte migratória do PMDB, não pelos lindos olhos, mas pelos arranjos e acomodações. Roberto atrai os governistas, arranca suspiros do PFL e faz a oposição balançar. Um pouco pela liderança pessoal, muito pela aversão ao "dantismo". Formação: Antero é formado em radialismo, mas é doutorado na política da vida, é uma raposa aplicada, sabe muito e tem uma visão estratégica, mas peca pelo excesso de esperteza. Roberto também é radialista, e em política é formado nas ruas, pedindo votos, encarna uma espécie de populismo com bravura. Não tem papas na língua, o que causa algum arrepio. Mas identifica-se facilmente com a camada mais humilde do eleitorado. Convenção: Há a assombração de 1965, quando a escolha do candidato da UDN ao Governo do Estado entre Garcia Neto e Lúdio Coelho foi decidido em convenção. A fissura foi tanta que sucumbiram ambos ante a vitória de Pedro Pedrossian. Prévia Partidária: É uma disputa desagregadora. Há um consenso interno de que este mecanismo racharia o partido e deixaria as principais lideranças em frangalhos. Pior até do que a própria convenção. Pesquisa eleitoral: Todas são suspeitas sob o ponto de vista do perdedor. Mas é a opção mais saudável entre todas, até agora. Para discutir esses critérios, a comissão colocou os dois cara-a-cara, ontem. É claro que ninguém jogou a toalha, nenhum desistiu. Aliás, é mais fácil um elefante passar no buraco de uma fechadura -plagiando a Bíblia- do que haver desistência. Mas o quadro está prestes a clarear. Os movimentos de uma ala são para empurrar com a barriga, enquanto a outra tenta não perder os prazos. Certo mesmo é que ninguém ali é bobo. Talvez a saída seja mesmo uma sala fechada, onde Antero e França pudessem acertar entre si. Na mesa de negociações, as vagas proporcionais para 2002, a vaga majoritária em 2006, os Diretórios Municipal e Estadual, Secretarias de Estado, sinecuras e outras fichas oficiais, que, aliás, não podem ser contadas assim. O pacto poderia ser avalizado e selado pela comissão de notáveis. E só. * JOSÉ MARCONDES NETO (MUVUCA), membro do Conselho Superior da UFMT, é colaborador do DIÁRIO e escreve nesta coluna às terças e sextas.

Edição EDIÇÃO 16958




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