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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Junho de 2026

ARTIGO
Sábado, 26 de Julho de 2008, 14h:09

GUSTAVO OLIVEIRA

Credulidade e o ceticismo

O pôster que diz "Eu quero acreditar" ainda está na parede de Fox Mulder seis anos depois do final de Arquivo X. E é o subtítulo do segundo longa-metragem inspirado na série que está em cartaz nos cinemas de Cuiabá. Tudo é uma questão de fé: perseguido pelo FBI, Mulder ainda é capaz de buscar a verdade lá fora? A médica Danna Scully ainda dúvida de algo maior do que a ciência? Os dois ex-agentes podem ser complementares, apesar das diferenças, a ponto de formar um casal? E uma outra questão: os fãs serão capazes de defender um epílogo para Mulder (David Duchovny) e Scully (Gillian Anderson) em que a aventura e o suspense não empolgam? Ou passado tanto tempo os personagens e seus desfechos importam mais do que perseguições e soluções surpreendentes? Lançado uma década depois do primeiro filme da série, Arquivo X: Eu Quero Acreditar chega ao cinema anunciando uma história independente da cronologia da série, que dedicou nove temporadas na investigação de uma grande conspiração que envolvia ETs. Em foco, a relação complicada dos dois ex-agentes - que, para desespero dos fãs, nunca chegaram a ter um envolvimento romântico - , e sites debatiam se haveria beijo. Tem, mas talvez não o beijo imaginado. Arquivo X dá margem a ambigüidades sobre o relacionamento de Mulder e Scully nos seis anos que se passaram assim como deixa o espectador na dúvida sobre o possível teor sobrenatural da trama - e estão nessas sombras seu maior mérito. Uma agente do FBI desaparece, e Scully, que trabalha em um hospital, é procurada por policiais para localizar Mulder. Eles querem a ajuda dele para decifrar a veracidade de um suposto vidente - um padre pedófilo que afirma ter visões sobre a agente desaparecida. O padre diz a verdade? Obviamente, Mulder acredita que sim, Scully aposta que não, e se dá o embate entre a credulidade e o ceticismo que fez o sucesso da série. Ao fim, o roteiro de Arquivo X deixa arestas. Algumas desapontam (as cenas finais de ação subestimam a credulidade de qualquer um), outras fazem o espectador sair do cinema intrigado. Mas fica a sensação de que Mulder e Scully mereciam uma despedida mais arrebatadora. A menos que você acredite que esse ainda não é um adeus. GUSTAVO OLIVEIRA é diretor de Redação do Diário [email protected]

Edição edição 16957




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