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ARTIGO
Quinta-feira, 17 de Maio de 2007, 21h:06

ADILSON ROSA

Com a faca e o queijo

A ex-deputada Vera Araújo, ou professora Verinha, está no lugar certo e no momento certo. Como secretária-adjunta de Gestão e Pessoas da Seduc de Mato Grosso, é ela quem vai definir a política salarial dos professores. É prerrogativa dela negociar o reajuste dos professores. Conheço Verinha há exatos 22 anos, desde a época da militância na extinta AMP – Associação Mato-grossense dos Professores, que posteriormente virou Sintep. Há mais de duas décadas, o sonho dela e depois dos militantes era ter um salário digno. A ex-deputada é adepta da fórmula da gratificação de 100% de gratificação para professores em sala de aula. Quem ganha R$ 1.500, por exemplo, recebendo essa gratificação terá um salário de R$ 3 mil. Como somente metade da categoria está em sala de aula, o custo será menor e uma forma de fazer os educadores correrem para a sala de aula. Esse sonho sempre esteve na direção do sindicato, época em que Marilia Pedrolo Salomoni, Elismar Bezerra e até Carlos Abicalil carregavam faixas pedindo dignidade salarial. Verinha está hoje do outro lado do balcão. Está com a caneta e o papel na mão – para não dizer a faca e o queijo – e todos torcem para que ela coloque em prática sua teoria de educadora no tocante à questão salarial. Mas não sejamos ingênuos a ponto de pensar que Verinha poderá dobrar o salário de um mês para o outro. Ela está no cargo estrategicamente no governo Blairo Maggi. Com o deputado Carlos Abicalil em Brasília negociando projetos junto ao Ministério da Educação e Ságuas Moraes no comando da Seduc, o governador quer ver chegando caminhões e caminhões de dinheiro vindos de Brasília para pavimentar a política educacional em Mato Grosso. Maggi também não seria descuidado a ponto de deixar a chave do cofre com a pessoa errada. Se os professores terão reajuste salarial, ainda não se sabe, mas que a cobrança será grande, disso ninguém duvida. Afinal, não é todo dia que um sindicalista que saiu das bases da rede oficial de ensino se senta numa cadeira e tem a prerrogativa de mexer no salário de toda a categoria. Diga-se de passagem, os professores, na época em que a senadora Serys Marly foi secretária de Educação, em 1987, tinham o equivalente, hoje, a um salário de R$4.200 reais. Agora, resta esperar Verinha fazer o mesmo. ADILSON ROSA é jornalista

Edição EDIÇÃO 16958




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