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Cuiabá MT, Quarta-feira, 29 de Junho de 2022

ARTIGO
Segunda-feira, 20 de Junho de 2022, 10h:35

GABRIEL NOVIS

Centro Histórico de Cuiabá

Ao escrever sobre a região, sinto como os cuiabanos são amorosos com a terra onde nasceram

Sempre que escrevo sobre fatos relacionados aquele pedacinho do céu que era aquela região onde nasci e hoje chamado de Centro Histórico, sinto como os cuiabanos são amorosos com a terra onde nasceram.

Meu mundo era tão pequeno que não percebi, pelo aconchego da sua gente, onde todos éramos iguais.

Suas casas coladas com a mesma parede de adobes nos permitia invadir a privacidade alheia.

E a promiscuidade existia entre as residências e casas comerciais, na sua maioria de migrantes árabes, italianos e portugueses, tomando conta de toda a rua de Baixo até a Voluntários da Pátria, rua 13 de Junho até a Major Gama no Porto, espalhando pelas ruas de Cima e do Meio.

Com a Praça da República e a Catedral e a Alencastro com o Palácio do Governo, eis a minha cidade.

Tudo tinha dono nesse espaço, inclusive as pessoas acostumadas a se apresentarem, como “filho de quem”!

Como é belo olhar pelo retrovisor do tempo e contemplar aquilo que existiu e não existe mais!

Sinto saudades e não tristeza do centro da velha Cuiabá, hoje Centro Histórico.

Lugar onde os moradores sentavam-se em cadeiras de balanço nas calçadas da rua onde moravam.

Era a verdadeira sala de visitas das casas, local de encontros de amigos ou simples transeuntes para bater um papo, onde o cafezinho e bolos caseiros eram oferecidos.

Não existiam desconhecidos na cidade e nem ladrões de carteira, mas ouvia-se dizer de ladrões de galinha.

Como é belo olhar pelo retrovisor do tempo e contemplar aquilo que existiu e não existe mais! Sinto saudades e não tristeza do centro da velha Cuiabá, hoje Centro Histórico

A noite era tranquila para passeios nas Praças e uma paradinha na sorveteria do bar do Bugre para saborear os variados tipos de sorvetes de frutas naturais ou de leite.

Júlio Muller puxou a cidade para cima abrindo a avenida Presidente Vargas e construindo modernos prédios institucionais.

A população transbordou para os novos bairros, e aquele pedacinho do céu onde nasci, foi tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional, a ser preservado.

Infelizmente, por falta de recursos financeiros, assistimos diariamente ao desabamento de velhos e lindos casarões coloniais.

Como uma cirurgia plástica malfeita, está o lugar onde nasci, quando tudo era conservado.

Assim é a marcha do progresso dizem alguns, rotulados de realistas.

Prefiro estar entre os sonhadores responsáveis. 

GABRIEL NOVIS NEVES é médico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT


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