ARTIGO
Terça-feira, 22 de Março de 2011, 20h:40
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MARIANNA PERES
Carta ao Madureira
Várzea Grande precisa pôr fim a um câncer que corrói as administrações municipais há anos: o Departamento de Água e Esgoto (DAE). Não faço de forma alguma apologia à privatização. Nem tudo se resolve assim. Muito pode ser resolvido por meio da vontade de fazer, coisa que o recém empossado prefeito parece estar disposto. O DAE não precisa ser privatizado, pelo menos, para atender com respeito e atenção quem o procura diariamente. Os relatos que acumulo e a experiência vivida há alguns dias, me levam a crer que os escritórios do Departamento podiam ser agropecuárias e veterinárias, pois parece que todos lá estão prontos para atender mulas, burros, cavalos, antas, bois e outros irracionais. O DAE não precisa de investimentos apenas para levar água aos várzea-grandenses, precisa de capacitação. Boa parte dos seus funcionários, tem de aprender a respeitar. Ouvir o que a pessoa tem a dizer e prestar atenção para que ela não tenha de repetir. Em frente a minha casa, um ramal de água danificou e ficou vazando água tratada 24 horas por dia. Desde janeiro ligava ao DAE, mas nunca vinha o conserto. Fui até o DAE Cristo Rei e me disseram que o prazo era de 48 horas. O reparo da formalização do pedido até a visita do pessoal levou exatamente dez dias úteis. Foi realizado há duas sextas-feiras. Eu saía de casa quando a equipe chegava. Lamentei que não tinha como ficar acompanhando em função de ter uma entrevista marcada às 9h. Só retornei para casa às 22h30 e para minha surpresa o vazamento estava contido. No entanto, minha alegria durou pouco. O reparo foi feito e eu, sem qualquer débito com o DAE estava sem água. E assim foi todo o final de semana. Ainda no sábado pela manhã liguei para dois números de telefones que constam no verso da fatura como números de emergência, inclusive aos finais de semana e feriados. Nenhum está ativo. Enganam descaradamente a população. Os escritórios só funcionam em horário comercial e de segunda a sexta-feira. Na segunda-feira seguinte corri logo cedo ao DAE e obviamente cheguei brava. O tal responsável pelo DAE Cristo Rei João ou José Edílson - nem olhou para minha cara, nem ouviu o que eu dizia. Mandou o abacaxi para outro funcionário que também nem atenção deu e me disse que a Kombi da equipe estava estragada. No resumo da ópera, tive de ligar para outro funcionário número que eu consegui como jornalista e não como cidadã o Móia, que prontamente me ouviu. Em cerca de meia hora, um funcionário muito humilde e educado, o Josemar, estava na minha casa. Como se vê, falta boa vontade. Nem tudo se resolve com dinheiro. Para as bizarrisses do DAE falta comando, metas e comprometimento, coisas que qualquer funcionário ganhando bem ou mal tem de ter. Aroeira neles, Madureira. MARIANNA PERES é editora de Economia