Pá de cal. Areia lavada. Cimento de qualidade certificada. Estrutura desarmada. Mais de um elefante branco abatido pelo valor comercial do marfim. Mais de um começo sem fim. Mais de uma cidade metropolitana sem vias urbanas adequadas. Mais de um megaprojeto aguardando o papel moeda dos cofres públicos em vias duplicadas. As mesmas figurinhas escolhidas de um álbum politicamente preenchido em sua totalidade institucional. Outras notas divulgadas do fazer governamental. Argamassa ou grude de cola quente? Argamassa ou ingerência de mais de um presidente? Argamassa ou falcatrua em andamento? Argamassa ou invento do professor Pardal? Argamassa ou ausência de previsão orçamental? Argamassa ou agência de emprego virtual? Argamassa ou falácia de cunho federal? Quantas bolas disputadas neste mesmo ano letivo sem merendas e sem merendeiras? Quantas crianças de pé no chão sonhando com o par de chuteiras de um artilheiro qualquer? Quantas crianças de barriga vazia soletrando a violência de cada dia? Quantas crianças nos bancos de reservas abarrotados pelo abandono da família e pelo desamparo do Estado? Quantos adolescentes infratores resgatados da criminalidade cada vez mais precoce e fatal? Quanta pretensão em querer ser o país (cidade) sede da Copa Mundial. Quantas responsabilidades de cunhos sócio-ambientais inerentes e comprometidas em contratos assinados. Quantos bilhões nas arquibancadas e adjacências de uma arena destinada ao esporte e ao lazer? Quantos leitos hospitalares desprovidos do verbo socorrer? Quantos presídios na insalubridade do verbo ser? Em definitivo, no Brasil republicano a saúde e a educação também não são tratadas com a devida relevância constitucional. Se nesses setores básicos da vida de uma nação democrática a corrupção já tem os seus costumeiros desvios, o que esperar quando o objetivo é o esporte e o lazer desse mesmo povo massificado por arbitrariedades distantes de qualquer ordenamento jurídico deveras eficaz e operante? Todavia, o tempo urge. Prazos se esgotam e o espetáculo tem hora certa para começar. Quem recebeu e aplica, tem como aliada a tecnologia para fazer bem-feito. Quem ainda não recebeu esta comendo mais de uma mosca por segundo. Quem recebe e não paga é mais do que um devedor. Quem recebe e não põe a mão na massa é mais do que um simples enganador. Enquanto isso, diz o dito popular: cavalo dado não se olha os dentes. Enquanto isso, a Copa do Mundo é mais do que um estádio lotado para inglês ver. Enquanto isso, o veículo é leve e nos trilhos não embarcarão apenas passageiros de colarinhos engomados. Enquanto isso, argamassa nos ramais atrasados. Estamos com a trolha na mão. Brinca não! *AIRTON REIS é poeta em Cuiabá
[email protected]