É absolutamente vergonhoso a falta de auto-estima, amor próprio e escrúpulo da maioria dos nossos parlamentares. E isto vem de priscas eras. Um grupo de bajuladores de plantão queria prorrogar o mandato do presidente Castelo Branco, que somente aceitou cumprir o que seria o restante do mandato do João Goulart, frustrando o servilismo desse pessoal. Depois, veio o mesmo time de bajuladores profissionais tentar prorrogar os mandatos de Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo. Ninguém aceitou porque o militar, por formação, leva consigo um conceito de honra, dignidade, patriotismo e espírito cívico diferente dos civis, resguardadas algumas exceções. Se eu viver mil anos ainda assim não perdoarei Fernando Henrique pelo crime da reeleição. Porteira que passa um boi passa uma boiada, e por essa porteira que Fernando Henrique abriu às custas da prostituição moral do Congresso, na época, sempre vai aparecer um malandro querendo fazer média com o poder. Como bem disse o ministro Aires Brito, depois do segundo vem o terceiro, vem o quarto, o quinto e etcetera até chegar à ditadura. Os militares, pelo menos, tiveram escrúpulos e, mesmo com um regime de exceção, mudaram os presidentes a cada quatro anos. Diferente de Getúlio Vargas que, aproveitando uma brecha num momento de vacilo do Congresso, ficou 15 anos, e só saiu pela espada dos generais. A minha repulsa pelo gesto de Fernando Henrique não é propriamente pela reeleição, que, com o tempo, o desenvolvimento da educação do eleitor e a vigilância da justiça eleitoral, pode até ter alguma coisa positiva. Ela se dá pelo fato de ele ter legislado em causa própria. Assistindo à TV outro dia, tive a oportunidade de ver e ouvir os senadores Pedro Simon, Cristovam Buarque e Demóstenes Torres alguns desses gatos pingados do Senado que têm moral perante a sociedade brasileira oportunidade em que discorreram sobre algumas propostas de moralidade que vão apresentar naquela casa de leis. O senador Cristovam tem uma proposta a qual eu tenho defendido em meus artigos: a proibição de coligação no 1° turno. Todos os partidos serão obrigados a lançar candidatos em todos os níveis, desde vereador, prefeito, governador e presidente da República. O partido que não cumprir perde a legenda. Tal medida será altamente moralizadora porque vai acabar com esses partidos de aluguel que vivem atrás de boquinhas, que se transformam em negócio altamente rentável aos seus dirigentes. Além dos que vivem de boconas, como o PMDB. O senador Pedro Simon propõe que seja convocada uma constituinte, na condição de que, quem dela participar, não possa se candidatar nas três eleições seguintes. Seria uma constituição para o Brasil, e não para defender interesses pessoais ou de grupos, que não contempla a maioria da população. Seria uma constituinte formada por pessoas cultas, sérias, preocupadas com a moralidade e o futuro da nação. Não haveria a promiscuidade que houve tanto em 1946, como em 1988, da mistura de constituintes com parlamentares. E, o que é pior, gente como a de 88, que não foi eleita com a finalidade específica de elaborar uma constituição. O senador Demóstenes Torres, representante do Estado de Goiás, vai propor que quem tenha ficha suja, seja objeto de processos, não possa registrar candidatura. Para tanto, no sentido de não prejudicar pessoas inocentes, haverá um dispositivo de prioridade de pauta para julgamento dos processos de pretensos candidatos antes da eleição. Vou sugerir a esses senadores que elaborem uma PEC, com natureza jurídica de cláusula pétrea, na qual ficaria vedada toda e qualquer emenda constitucional que beneficiasse detentores de mandatos. Qualquer dispositivo teria validade para o mandato seguinte. Aí eu aposto que não apareceria nenhum irresponsável bajulador para fazer gracinha. Fica a pergunta: será que o inexpressivo deputado Jackson Barreto iria querer um terceiro mandato para o Serra. * PEDRO LIMA é analista político e advogado
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