ARTIGO
Terça-feira, 12 de Dezembro de 2006, 20h:10
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ANDRÉ LEITE
A questão da Sanecap
Há coisa de 15 dias, este diário perguntou para alguns populares qual era sua opinião sobre a privatização (ou concessão) da Sanecap. Como não me lembro mais dos nomes, darei nomes fictícios, porém manterei a essência de suas declarações. Importante, não sei detalhes da valorosa empresa municipal. Por isso, neste artigo, me deterei nos conceitos básicos de qual deve ser papel do estado e de quando devemos privatizar. O Vantuirson disse ser contra, com medo do aumento das tarifas. Realmente ninguém gosta de pagar mais. Mas o brasileiro já deveria ter aprendido que não existe almoço grátis. Alguém sempre paga a conta. O Vantuirson deve ser daqueles que pagam pouco e exigem pouco. Como é sabido, a qualidade de nossa água deixa a desejar. Será que o Vantuirson já faz a conta de quanto gasta por mês com água mineral? Será que dava para bancar uma maior tarifa em troca de uma água de boa qualidade? Vejamos um outro exemplo. Onde temos as melhores estradas do Brasil? São Paulo. Onde temos o maior número de pedágios? São Paulo. A Jenniffer Kelly é contra, pois para ela o município vai se desfazer do pouco que tem. Aí entra uma questão conceitual. O objetivo do estado (em qualquer esfera) é oferecer bons e universais serviços típicos do estado (saúde, educação, segurança, urbanização, etc...) ou acumular patrimônio? A Jennifer deve ter saudades daquele jogo de nossa infância, o Banco Imobiliário. O objetivo do estado definitivamente não é a acumulação patrimonial. O Delúbio é contra qualquer privatização, porém não disse seus motivos. Esse rapaz deve ser eleitor do PT desde 1980. Andou meio chateado com o déficit ético do governo Lulla (copyright by Tereza Cruvinéia) e votou no PSOL no primeiro turno. No segundo turno, ao ouvir o flautista marqueteiro tocar o mantra anti-privatização, deu uma banana para a ética e votou no Apedeuta. Ele e milhões de ratinhos ideológicos foram hipnotizados pelo flautista mágico. O prefeito Wilson Santos fala em concessão por 30 anos, com tarifa determinada pela municipalidade. Ele alega incapacidade de investimentos públicos para a Sanecap atingir um bom patamar de serviços. Deve ser verdade, afinal, ao assumir a Prefeitura, encontrou uma situação assombrosa. Este é o ponto, se o estado não tem condições de prestar um bom serviço aos contribuintes, a saída deve ser a privatização (ou concessão) à iniciativa privada. Mas este processo deve ser bem conduzido, regras claras, processo transparente, metas quantitativas e qualitativas que beneficiem a população, fiscalização rigorosa e naturalmente um nível de tarifas que remunere o investimento privado. Afinal, todos querem comer um bom almoço e isto custa dinheiro. * ANDRÉ LEITE é jornalista