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ARTIGO
Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008, 21h:06

ONOFRE RIBEIRO

A mudança na Segurança Pública

A próxima substituição do secretário de Segurança e Justiça, deputado estadual Carlos Brito, pelo delegado da Polícia Federal Diógenes Curado Filho, representará uma profunda mudança nessa área tão conflitante e desgastante do governo. Carlos Brito veio da política e teve a visão política do conjunto, mas esbarrou nos corporativismos das polícias civil e militar, entre outros entraves. Sai sem maiores desgastes políticos, mas pessoalmente muito machucado, até mesmo pela postura da sua Assembléia Legislativa que o apedrejou por motivações e por interesses políticos. Já o delegado Curado vem da área de combate ao crime organizado. Está habituado a trabalhar sem pressões políticas e com aparato técnico, em especial o de inteligência, área em que as polícias mato-grossenses ainda pecam muito. Já anunciou que terá assessores policiais federais. A primeira leitura que se faz, é que a sua escolha deverá diminuir(?), as pressões políticas sobre a secretaria, porque é um nome rigorosamente técnico e com todo o apoio do governador. Se for levado em conta que a Polícia Federal está passando por um grande momento na opinião pública, essa aproximação com os problemas estaduais interessa ao governo e à própria corporação, porque significa experiências de base com os problemas da violência comum. De certo modo, poderá acontecer um compartilhamento de experiências em relação aos problemas comuns, já que os crimes federais começam nos crimes estaduais da simples bandidagem, até o tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, contrabando, violação de fronteiras e conspirações financeiras e políticas. Algumas considerações são necessárias, contudo. A independência que a Polícia Federal goza na estrutura do governo federal, com a vinculação apenas hierárquica ao Ministério da Justiça, mas independente na maioria das ações e hoje, mais do que nunca, com poucas interferências políticas, é uma arma de dois gumes. Em estados como Mato Grosso, os interesses políticos diversos passam desde o fornecimento de marmitas nos presídios, à compra de viaturas e de armamentos, construções de presídios, etc., contrariar tais interesses é guerra certa! De qualquer modo, o acerto da escolha certamente virá nesse aspecto da segurança mais técnica, da independência em relação aos interesses políticos paroquiais. Mas o ganho talvez seja o uso esperado da inteligência. Esta é a maior arma para a segurança pública moderna. Existem desinteresses estaduais políticos, administrativos e policiais que não querem muita inteligência porque ela atrapalha interesses que todo mundo conhece. Por último, gostaria de registrar outro fato positivo na mudança da direção da segurança. O major Eumar Novacki, chefe do gabinete do governador Blairo Maggi, foi lembrado para o cargo de secretário e teve excelente repercussão e reconhecimento geral de sua capacidade para a função. De fato, é um estudioso, com cursos e aprimoramento em segurança. Ficou o registro e a certeza de que, mais hora menos hora, o governador poderá abrir mão dele noutra eventual necessidade. Foi acertada a escolha do novo nome e da manutenção de Novacki onde está. * ONOFRE RIBEIRO é articulista deste jornal e da revista RDM [email protected]

Edição edição 16957




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