Quando estou assistindo a horários religiosos nas madrugadas da vida, fico pensativo e preocupado sobre minha Igreja Católica Apostólica Romana, da qual sou praticante, e o rumo que ela vem tomando. O mundo todo procura incansavelmente a cura da AIDS, doença que vem se alastrando e ceifando milhares de vidas, deixando as autoridades do setor de cabelos brancos. Conseguiu-se provar cientificamente que o uso do preservativo, a popular camisinha, diminui consideravelmente o risco de adquirir a doença. Mas para espanto da comunidade científica do planeta, vem sua Santidade o Papa Bento XVI a caminho do continente Africano afirmar para o site G1 da Globo do dia 17 de março, o seguinte: A AIDS não será controlada somente com a distribuição de preservativos, já que a solução é humanizar a sexualidade com novos modos de comportamento. Claro, isto tem tudo a ver com o controle da natalidade, assunto proibitivo para a Igreja Católica. Meu querido Sumo Pontífice, nós cidadãos deste planeta, que temos filhos e netos e estes, que também terão filhos e netos, necessitamos que posições radicais da nossa Igreja sejam, para o bem do planeta, revistas com a máxima urgência, transformando sua população, sadia e compreensiva para que tenhamos cada vez mais novos e fervorosos devotos. A meu ver, o controle da natalidade é uma necessidade absoluta para determinadas populações, visto que as condições de vida que serão oferecidas a esses novos seres estarão bem abaixo das condições mínimas exigidas pela OMS. Não me passa pela cabeça que Cristo, quando disse: crescei e multiplicai, gostaria de ver aqueles meninos e meninas de Biafra da maneira que hoje vivem, em condições sub humanas, sem nenhuma perspectiva de vida. Imaginem os senhores se na China não houvesse um rígido controle de natalidade. Como estariam fazendo as autoridades de lá para acomodar sua população? O celibato também tem que ser abolido. Por que padres e freiras não podem se casar e ter filhos? Para eles não serve o crescei e multiplicai? Precisa a nossa Igreja ficar livre de ver na imprensa nacional e internacional, cenas que a ridicularizam, como aquelas protagonizadas por um padre dos Estados Unidos que de uma praia da Flórida chega a dar inveja a qualquer menino do Rio, ou um Bispo que dia a dia acumula herdeiros em sua biografia. Isto sem contar os inúmeros casos de pedofilia que aparecem a toda hora. Agora, o fim da picada veio do Arcebispo de Recife e Olinda que, numa atitude digna dos povos pré-históricos, ameaça excomungar toda equipe médica que, de maneira técnica, médica e jurídica, pratica aborto em uma criança de nove anos. Vi e ouvi várias entrevistas do Arcebispo nas quais confirmava categoricamente a excomunhão da equipe médica, da menina e de seus pais. Em nenhum momento vi ou ouvi o arcebispo ameaçar de excomunhão o estuprador. São atitudes como esta que justificam a preocupação do Vaticano, que chegou à conclusão de que a nossa igreja perde diuturnamente um numero considerado de fiéis, enquanto as outras angariam novos devotos. Torçamos para que a evolução nos dogmas da Igreja Católica venha com a mesma velocidade que seus fiéis a abandonam. Claro, sei que com este artigo serei criticado e se depender de alguns bispos, até excomungado, porém, nenhum ser humano abalará minha fé e meu respeito ao meu Deus! * EDUARDO PÓVOAS é cuiabano
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