| OLHOS
AZUIS Sinatra morre
aos 82 anos de ataque cardíaco
Da Reuters/AE - Los Angeles
Frank Sinatra, de 82 anos, morreu ontem vítima de
ataque cardíaco, no Hospital Cedars-Sinai, de Los
Angeles, às 22h50 (hora local, 2h50 de Brasília). Sua
quarta mulher, Barbara, e seus filhos Frank Jr., Tina,
Robert e Nancy, assim como dois de seus netos, estavam a
seu lado quando morreu na sala de emergência do
hospital.
O cantor não era visto em público desde janeiro do
ano passado, quando sofreu um ataque cardíco. Desde essa
época, repousava a maior parte do tempo. Em fevereiro
deste ano, Sinatra acabou mais uma vez internado,
oficialmente para realizar exames. Há 20 dias, retornou
ao hospital, supostamente para realizar novos exames.
Depois de algumas horas, foi liberado pelos médicos.
Segundo amigos próximos, o cantor e ator estava com a
saúde bastante debilitada nos últimos meses e passava a
maior parte do tempo com os familiares. Acreditava-se que
o cantor sofresse de câncer na bexiga.
Sinatra, em 60 anos de carreira, lançou mais de 200
álbuns. O "olhos azuis" gravou sucessos
mundiais como "Try a Little Tenderness,"
"My Way," "I`ve Got You Under My
Skin" e "Strangers in the Night." Como
ídolo do cinema, atuou em "A Um Passo da
Eternidade", "Aconteceu Assim" e "O
Homem do Braço de Ouro". No total, o artista gravou
1.800 músicas e teve seu nome incluído nos créditos de
60 filmes. Ganhou nove Grammys e um Oscar, por sua
participação em "A Um Passo da Eternidade".
Nascido em New Jersey, nos Estados Unidos, em 1915,
filho único de um casal de italianos, Sinatra tornou-se
um ícone da cultura americana. Foi o recordista em
presença entre os mais ouvidos da Billboard, figurando
ininterruptamente na lista dos "tops" entre
1955 e 1995. Com a morte de Sinatra, acaba uma época de
glamour e sofisticação na música do século 20.
Amigos e fãs começaram a se aglomerar diante da
mansão do artista em Bel-Air assim que foi divulgada a
notícia de sua morte. "Este é o dia mais triste de
minha vida", afirmou a cantora Eydie Gorme, amiga de
Sinatra. As emissoras de rádio e TV interromperam sua
programação normal para dar a notícia e jornais como o
New York Post chegaram às bancas com edições epeciais.
O presidente Bill Clinton, que participa de um
encontro do Grupo dos Oito, em Birmingham, Inglaterra,
disse: "Creio que todos os americanos deveriam
sorrir e dizer que ele realmente fez as coisas a seu
modo", numa referência a uma de suas canções mais
famosas, My Way.
O presidente francês Jacques Chirac também lamentou
a morte do cantor e ator. "Ele fez nossa geração
sonhar", afirmou. "Havia seu talento, seu
carisma e sua voz - que deu o ritmo, acompanhou e fez
nossa geração sonhar - mas havia também sua
personalidade calorosa e entusiasmada", prosseguiu.
"Tive a sorte de conhecê-lo e nossa amizade foi
imediata, ninguém poderá ocupar o seu lugar."
Em Cannes, a atriz francesa Jeanne Moreau também
lamnetou a morte do cantor. "Ele vai cantar com os
anjos e tenho certeza de que eles existem."
Segundo a porta-voz da família Sinatra, Susan
Reynolds, informou que o enterro será uma cerimônia
reservada. Antes de morrer, o cantor pediu que amigos e
admiradores fizessem doações para o Centro Infantil
Barbara Sinatra, do Eisenhower Medical Center, da
Califórnia.
Sinatra foi o primeiro cantor popular a conquistar o
público adolescente, que superlotava seus shows no
início da década de 40, muito antes de Elvis Presley e
dos Beatles.
Sinatra surge como cantor de jazz no final
dos anos 30
Francis Albert Sinatra, filho de imigrantes italianos
pobres de Nova Jersey, surgiu como cantor de jazz nas
bandas de Harry James e Tommy Dorsey no final dos anos
30. Em janeiro de 42, inicia uma bem-sucedida carreira
solo.
A partir de sua estréia gloriosa como solista no
Teatro Paramout, em Nova York, em 1943, Sinatra não se
distanciou mais de seu público. As excessões
aconteceram no começo dos anos 50, quando o cantor
passou por uma rápida fase decadente, incluindo duas
tentativas de suicídio. E, entre 1971 e 1973, período
em que se afatou do show business.
Os romances tumultuados - com Ava Gardner, Lauren
Bacall, Mia Farrow, Marylin Monroe e Kim Novak -, os
vários casamentos e as insinuações de envolvimento com
a Máfia rechearam sua biografia e as páginas dos
jornais do mundo inteiro.
Mas, para seu fiél público, Sinatra continua como um
cantor impecável e um ator talentoso.
Como cantor, foi o maior ídolo popular da primeira
metade de século; só tiveram popularidade semelhante a
ele, em toda a história, Elvis Presley e os Beatles. Ele
transformou sua voz em uma espécie de marca registrada,
carimbando canções dos mais diversos compositores, da
Cole Porter e George Gershwin a Lennon & McCartney.
Mesmo depois do advento do rock, Sinatra manteve-se no
topo; com a música "Strangers in the Night",
de Bert Kampfert (da qual ele, aliás, não gostava),
chegou ao primeiro lugar das paradas, derrubando os
Beatles. Em 1981, bateu o recorde mundial como artista
solo que reuniu maior multidão em um show, no Maracanã,
no Rio de Janeiro.
Sinatra ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em
"A Um Passo da Eternidade", em 1953. Entre seus
principais filmes como ator estão "Eles e
Elas", "O Homem do Braço de Ouro",
"Alta Sociedade" (em que contracenou com Bing
Crosby, sua maior influência musical), "Meus Dois
Carinhos", "A Hora do Diabo" e "Sob o
domínio do Mal". Teve uma experiência como
diretor, com o filme "Os Bravos Morrem
Lutando", um filme elogiado pela crítica.
Tony Giske, da The Hollywood Reporter, disse certa vez
de Sinatra: "Quando ele finalmente partir, ficará
um enorme buraco na música do século XX, talvez o maior
de todos: maior, certamente, do que o de seu antigo
ídolo, Bing Crosby, ou Elvis Presley, ou os Beatles, ou
até mesmo Duke Ellington ou Charlie Parker. Porque,
quando você soma tudo, é só Sinatra que fala para todo
mundo, que toca um pequenino lugar no coração de todos
- jovens, velhos, negros, brancos, homens, mulheres,
amantes do rock e da ópera".
FILMES
John Travolta e Ray Liota farão
Sinatra no cinema
Ricardo Bairos
Da Planet Pop/AE Nova York
A morte de Frank Sinatra deve apressar a finalização
de alguns dos projetos que estão em produção em
Hollywood sobre a vida dele e de seus companheiros do Rat
Pack: Dean Martin, Sammy Davis Jr. e Peter Lawford. A
maioria, por sinal, estava a caminho por conta das
notícias sobre os problemas de saúde do cantor nos
últimos tempos. Sem dúvida, outros filmes devem
começar a ser produzidos nos próximos meses. Uns chamam
de oportunismo, outros de homenagem. De qualquer maneira,
os produtores deixam claro que, com a morte de todos os
personagens, fica muito mais remota a possibilidade de
ações na Justiça.
O mais comentado de todos os projetos é o da Warner
Bros., "Dino", que não é especificamente
sobre Sinatra. O diretor Martin Scorsese e o roteirista
Nicholas Pileggi (a dupla de "Cassino" e
"Os Bons Companheiros") trabalham no script do
filme que vai ser parcialmente baseado na biografia de
Dean Martin escrita por Nick Tosches em 1992. No elenco,
estão previstos Tom Hanks (como Martin), John Travolta
(como Sinatra), Hugh Grant (com Lawford), Adan Sandler
(como Joey Bishop) e Jim Carrey (como Jerry Lewis).
Nenhum dos nomes está confirmado, no entanto. Hanks, por
sinal, diz que nem sabia de sua eventual participação
no filme, mas acha a idéia muito boa.
Outro filme em produção atualmente é o do canal de
TV por assinatura HBO, chamado "The Rat Pack".
No elenco, estão Ray Liotta (como Sinatra), Joe Mantegna
(com Martin) e Don Cheadle (de "Boogie Nights",
como Davis). As filmagens já começaram e este deve ser
o primeiro a ficar pronto. A não ser que algum problema
legal apareça no caminho: as filhas de Sinatra, Tina e
Nancy, são contra o projeto e vão fazer de tudo para
pará-lo. Elas leram o roteiro, não gostaram de nada e
já negaram a permissão do uso das canções das quais
têm os direitos autorais.
A diretora Betty Thomas vai dirigir para a Columbia um
filme sobre a tentativa de seqüestro de Frank Sinatra
Jr., filho do cantor, em 1963. A história saiu na
publicação "New Times", de Los Angeles, e os
direitos foram vendidos por US$ 600 mil. A Warner também
tem planos de refazer "Ocean`s Eleven", um
filme clássico do Rat Pack sobre um assalto em Las Vegas
que deu errado. De qualquer maneira, é certo que a turma
radical dos anos 60 - eles bebiam e fumavam à beça,
tratavam muito mal as mulheres e contavam piadas de
"pessoas de cor" - deve causar rebuliço
novamente, desta vez nas telas, nos politicamente
corretos anos 90.
MODA
Guto Barra
Do Planet Pop/AE Nova York
Não foi apenas na música e no cinema que Frank
Sinatra colocou sua marca registrada. O cantor deu origem
a uma série de mudanças de comportamento em termos de
estilo, em uma época em que os homens ainda não eram
tão preocupados com detalhes ligados à aparência e à
estética. Além de quebrar tabus quanto aos cuidados com
cabelos, pele e uso de acessórios, ele foi também
pioneiro ao falar abertamente sobre esses assuntos em
público, adicionando seu charme de conquistador a eles.
Com certeza a maior influência de Sinatra para a moda
foi sua compulsão pelo uso de chapéus. Ao celebrizar a
maneira meio torta de usar o acessório (conseguido por
meio de uma "ajeitada" característica feita
com as duas mãos), ele foi o maior responsável pelo
estouro de vendas de chapéus nos Estados Unidos nos anos
50.
O músico gostava de chapéus desde que ainda morava
em Hoboken, em New Jersey, não deixava eles de lado nem
durante suas gravações em estúdio e apareceu em mais
de 30 capas de discos com a cabeça coberta. "Eles
eram uma extensão da personalidade dele", diz sua
filha Nancy no livro "The Way You Wear Your
Hat", de Bill Zehme, lançado há poucos meses nos
Estados Unidos. Ele abandonou a mania apenas nos anos 70,
quando seus cabelos começaram a ficar brancos.
As gravatas também eram assunto sério para ele.
Apenas as de seda serviam, de preferência com listras ou
padronagens discretas. Suas preferidas eram as fabricadas
pela Sulka e pela Turnbull & Asser, que inspiraram
sua própria linha de gravatas, lançada no mercado
norte-americano sem muito alarde nos anos 60. Em uma de
suas declarações famosas, o cantor disse que o dia que
encontrasse uma mulher capaz de escolher dez gravatas que
ele gostasse, ela teria passado no teste supremo.
Quanto à mistura de cores para roupas, a única regra
dele era quanto à hora do dia. De acordo com ele, nenhum
tom era menos masculino do que outro: ele usava
cor-de-rosa e lilás sem problemas e era especialmente
fã do laranja, que aparecia com freqüência em seus
suéteres e camisas esportivas.
A paixão de Sinatra por ternos também é famosa.
"Sou um homem simétrico, gosto de tudo no seu
lugar, então minhas roupas também têm de ser
assim", dizia. Ele colecionava "apenas a
quantidade certa" de ternos para preencher os
guarda-roupas de suas cinco casas, em geral importados da
Savile Row, em Londres.
Ele era também um grande incentivador do uso do
smoking, mesmo quando o evento não obrigava o traje.
Entre suas dicas estavam deixar um centímetro e meio do
punho da camisa aparecendo para fora da jaqueta e a
bainha feita para ficar imediatamente acima do sapato.
"Tente não sentar, para não amarrotar a calça e
se você tiver de sentar, não cruze as pernas",
ensinava ele. Um de seus smokings mais famosos foi um
desenhado por Don Loper (espécie de Giorgio Armani dos
anos 60) para o baile de posse de John F. Kennedy. O
traje foi usado com faixa vermelha, luvas brancas e
chapéu forrado de seda. Uma das grandes manias de
Sinatra era, no entanto, nunca usar smoking aos domingos,
dia considerado "de descanso".
Sinatra era também maníaco por limpeza. Ele tomava
pelo menos dois banhos todos os dias e fazia questão de
não sair de casa sem passar sua Yardley`s English
Lavander. De acordo com Ava Gardner, ele era o homem mais
limpo que ela já conheceu: "Não me espantaria se
visse ele tentando lavar o sabonete", disse a atriz
em uma célebre entrevista. O cantor era especialmente
preocupado com o estado de sua unhas, já que usava as
mãos para pontuar suas canções no palco.
PERFIL
Frank Sinatra viveu a vida à sua
maneira
Da Reuters/AE - Los Angeles
Uma vez ídolo de jovens admiradoras que desmaiavam ao
vê-lo, Sinatra continuou cantando à sua maneira durante
a época das grandes orquestras, do rock and roll, do
rock metálico, sem nunca tentar novos estilos de
música. No meio do caminho se transformou em uma lenda,
caminhando com presidentes e brigando com a imprensa.
Em sua carreira de mais de 60 anos, os "Olhos
Azuis", como era conhecido, lotou estádios de Nova
York a Londres, de Paris a Las Vegas. Participou de mais
de 50 filmes e vendeu milhões de discos.
Aos 77 anos, Sinatra lançou um novo disco, que o
jogou para os primeiros lugares de paradas musicais de
vários países. Entitulado como "Duetos", o
disco o trouxe cantando com jovens intérpretes que um
dia se opuseram a seu estilo de música.
Dono de uma enorme fortuna, o cantor sempre fazia
doações a instituições de caridade. Mas isso não o
impedia de gastar com luxos como sua mansão em Palm
Spring, na Califórnia, aviões particulares e limosines.
Toda vez que viajava era acompanhado por uma corte que
costumava lotar todo um andar de hotel.
Seu pai, nascido na Sicília, era bombeiro e boxeador,
e queria que seu filho fosse um lutador. Sua mãe,
nascida na cidade italiana de Gênova, era considerada
uma mulher forte.
Sinatra, que queria ser cronista esportivo, trabalhou
como mensageiro no periódico Hudson Observer, em Nova
Jersey. Mais tarde se tornou admirador de Bing Crosby e
de Billie Holiday, o que o animou a formar um quarteto
musical chamado "Os Quatro de Hoboken".
O quarteto não durou muito tempo, mas Sinatra cantou
a música "Night and Day" em uma rádio local.
A performance lhe valeu um emprego de cantor em um
pequeno hotel. Sua carreira decolou quando Sinatra se
uniu à orquestra de Harry James em 1939. No mesmo ano
gravou seu primeiro disco, no qual interpretava
"From the Bottom of My Heart".
Algum tempo depois ele se casava com sua namorada de
juventude, Nancy Barbato, com quem teve três filhos:
Nancy, Frank e Tina, antes de se divorciarem em 1951.
Sinatra fez sua estréia no cinema em 1941 no filme
"Noites de Las Vegas" e foi protagonista em
musicais como "Anchors Aweigh" (1945) e
"On the Town" (1949).
Sua carreira decaiu nos anos 50, quando o cantor
sofreu hemorragias na garganta e iniciou suas brigas com
a imprensa. Quando todos pensavam que Sinatra havia sido
esquecido, ele fez uma volta triunfal em 1952 ao
participar do filme "Daquí para a Eternidade",
papel que lhe rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante.
Sinatra continuou sua aparições no cinema e na
música, gravando clássicos como "Chicago"
(1957) e "Strangers in the Night" (1966). Tendo
uma carreira agitada, sua vida profissional não foi
menos conturbada. Passou seis anos casado com a atriz Ava
Gardner, sendo que durante um grande período
permaneceram separados. Em 1966, quando tinha 50 anos, se
casou com a atriz Mia Farrow, que tinha então 21 anos.
Se separaram no ano seguinte. Sua quarta esposa foi
Bárbara, modelo e bailarina que já havia sido casada
com Zeppo Marx, dos Irmãos Marx.
Em novembro de 1986 Sinatra foi submetido a uma
operação de urgência no intestino grosso. Em março de
1994 desmaiou no palco, sufocado pelo calor da Virgínia.
O cantor foi novamente hospitalizado dia primeiro de
novembro de 1996. Embora sua assessora de imprensa
afirmasse que se tratava de problemas de nervos, havia
boatos de que Sinatra também estava sendo tratado de
pneumonia e problemas cardíacos.
CINEMA
Festival de Cannes promete salto de
qualidade
LUIZ CARLOS MERTEN
Enviado especial/AE
Para o cinéfilo, a palavra tem conotações míticas.
Cannes é um lugar de sonho. Evoca cinema, champanhe e
starlets ávidas por publicidade, posando seminuas nas
praias da Côte dAzur. Evoca grande cinema, o melhor que
se faz no mundo. Se o Oscar é a festa do cinema
americano, Cannes quer ser a festa do cinema mundial. O
Festival de Cannes é um dos eventos mais dissecados e
mediatizados do planeta. O deste ano, o 51º Festival
International du Film, que já está rolando desde ontem,
não será a exceção.
Os críticos saúdam o que lhes parece mais
importante. Depois da decepção provocada pela seleção
do cinqüentenário, no ano passado, a seleção deste
ano registra um significativo aumento de qualidade. Nada
mais natural. O diretor do festival, Gilles Jacob, foi o
primeiro a admitir que o nível geral aumentou, mas
destacou: a oferta global dos filmes também aumentou. No
ano passado, a comissão de seleção viu 489 filmes de
70 nacionalidades. Este ano o número aumentou para 586
filmes de 74 nacionalidades. Entre eles foram
selecionados os 21 que integram a mostra competitiva mais
os 9 que serão vistos fora de concurso.
A seleção americana é a mais numerosa. Serão
exibidos nove filmes, sendo quatro em competição. Além
dos filmes da abertura e do encerramento, também vão
passar, fora de concurso, Goodbye Lover, de Roland
Joffé, Blues Brothers 2000, de John Landis, e Dark City,
de Alex Proyas. Em competição, o principal título
americano talvez seja Fear and Loathing in Las Vegas, do
ex-Monty Python Terry Gilliam medo e nojo em Las Vegas.
Mas a seleção americana também traz Hal Hartley, um
dos grandes nomes do cinema de autor, em todo o mundo,
com Henry Fool, Lodge Kerrigan, com Claire Dolan, e John
Turturro, que já foi premiado em Cannes, com Mac. Desta
vez ele concorre com Illuminata. O quinto americano da
competição, o cineasta Todd Haynes, de Veneno, está
inscrito pela Inglaterra, com Velvet Goldmine. Quem já
viu garante que tem chance de virar o filme cult desta
seleção.
HABITUÉS - Dois habitués de Cannes (e do cinema de
autor) estão de volta à Croisette, tentando arrebatar a
Palma de Ouro que ainda não ornamenta seus currículos:
o grego Theo Angelopoulos, com Mia Eoniotita Ke Mia Mera,
que pode ser traduzido como A Eternidade, um Dia, e o
inglês Ken Loach, com My Name Is Joe. Também habitués
de Cannes são o dinamarquês Lars Von Trier, que vem com
um filme que promete fazer sensação, por roçar o
pornográfico, Idioterne (Os Idiotas), e o italiano Nanni
Moretti, que prossegue com o tom confessional de Meu Caro
Diário num filme agora intitulado Aprile (Abril).
Do Oriente estão, em concurso, dois cineastas
idolatrados pela crítica francesa - Hou Hsiao Hsien, com
Flowers of Shanghai (Flores de Xangai), e Tsai
Ming-Liang, o gênio de O Rio, que concorrerá com The
Hole (O Buraco).Fora de concurso, outro mestre oriental
não está presente na Croisette, mas do japonês Shohei
Imamura poderá ser visto Kanzo Sensei. No ano passado,
ele dividiu a Palma de Ouro com o iraniano Abbas
Kiarostami. Ganhou com A Enguia, seu belo filme em
exibição em São Paulo.
Dona da casa, a França tem quatro filmes na seleção
oficial, sendo três em competição. Após a
superprodução Rainha Margot, com seu barroquismo que
arrebatou os críticos e o público, Patrice Chéreau
volta em chave mais intimista com Ceux Qui MAiment
Prendront le Train, que pode ser traduzido como Aqueles
Que Me Amam Pegarão o Trem.
Benoit Jacquot, o diretor de O Sétimo Céu, que
concorreu em Veneza no ano passado e integrou a Semana do
Cinema Francês no Vitrine, concorre com LÉcole de la
Chair (A Escola da Carne) e Claude Miller entra na
disputa pela Palma de Ouro com um thriller La Classe de
Neige (A Aula de Neve). O quarto francês, fora de
concurso, é o estreante Erick Zoncka, que vai mostrar La
Vie Revée des Anges (literalmente: A Vida Sonhada dos
Anjos).
Grande vencedora do Festival de Berlim, em fevereiro
(com Central do Brasil, de Walter Salles), a América
Latina conseguiu emplacar dois filmes na competição. Um
deles é a co-produção argentino-brasileira Coração
Iluminado, de Hector Babenco, que será exibida no
finalzinho do festival, no sábado, dia 23. O outro é La
Vendedora de Rosas, do colombiano Victor Gavíria. As
sessões especiais incluem filmes do espanhol Carlos
Saura (Tango) e do mestre português Manoel de Oliveira
(Inquietude).
BERGGMAN E SCORSESE - Na mostra paralela Un Certain
Regard, o destaque vai para um telefilme dirigido pelo
sueco Ingmar Bergman, que, no ano passado, ganhou a Palma
das Palmas. Mas também parecem atraentes O Apóstolo, de
Robert Duvall, e O Evangelho das Maravilhas, do mexicano
Arturo Ripstein, que a crítica francesa (em especial a
revista Cahiers du Cinéma) considera o maior diretor
latino-americano da atualidade.
Ainda nas mostras paralelas desperta atenção
especial a projeção, numa versão restaurada (e mais
longa), de A Marca da Maldade, uma das obras-primas de
Orson Welles. Vai passar numa homenagem ao produtor
Anatole Dauman.
Presidido no ano passado pela atriz Isabelle Adjani, o
júri deste ano tem a presidência de um dos maiores
diretores americanos (e do mundo) na atualidade. Martin
Scorsese recebeu a Palma de Ouro de 1975 com Taxi Driver.
Ele chegou a Cannes para presidir o 51º festival cercado
da aura de ser um dos artistas que mais se destacam na
área de preservação do cinema. Scorsese não apenas
sabe fazer cinema (e fazer muito bem, diga-se de
passagem). Ele também conhece o assunto a fundo,
bastando citar sua série comemorativa do centenário do
cinema, há três anos.
A personalidade do presidente é sempre decisiva no
júri de Cannes. Quando Clint Eastwood foi o presidente,
o vencedor da Palma foi Pulp Fiction (Tempo de
Violência), de Quentin Tarantino. A questão agora que
fica no ar é: para onde se inclinará a preferência de
Scorsese? A resposta sai no dia 24, quando será
anunciado o vencedor da Palma deste ano.
Emma Thompson quer filmar vida de compositor
assassinado no Chile
Da Agência Estado
Emma Thompson está mais do que nunca decidida a
realizar seu projeto sobre o compositor chileno Victor
Jarra. "Já estou escrevendo o roteiro",
afirma. Emma está em Cannes para a exibição de
Segredos do Poder, filme de Mike Nichols que abriu
oficialmente o Festival e cuja estréia no Brasil está
sendo anunciada, pela distribuidora Playarte, para o dia
29.
"É um filme muito bem escrito", diz Emma,
explicando o que a atraiu em primeiro lugar na
produção. "Confesso que não recebi nada tão bem
escrito em produção de Hollywood desde que comecei a
trabalhar nesse negócio." O filme baseia-se no
romance de John Klein que satiriza a campanha de um
político americano à Presidência dos Estados Unidos. O
político é Bill Clinton, claro. Emma faz Hillary,
embora o negue. "Não me baseei nela para criar a
personagem, embora seja, obviamente, uma figura
fundamental para analisar quando se trabalha num projeto
como esse."
Emma tinha um acordo verbal com o diretor Nichols para
trabalhar num filme com roteiro de Elaine May. O projeto
mudou quando Elaine mostrou ao diretor seu roteiro
adaptado do livro de Klein. "Tudo ocorreu muito
rapidamente, conta ele. "Mike mostrou-me o script e
sugeriu que fizéssesmos esse filme antes."
Emma destaca o que há de melhor no roteiro. "Ele
consegue expressar um mix de idealismo e cinismo." O
idealismo vem de um jovem negro que se integra à
campanha do candidato. O cinismo vem dos políticos
profissionais, aqueles capazes de tudo para atingir seu
objetivo, que quase sempre é o poder. Emma viu Mera
Coincidência, de Barry Levinson, em cartaz nos cinemas
brasileiros. Aproveita para destacar que política é
aquilo mesmo, show business. Mas ela ainda continua
interessada em idealismo. Por isso mesmo, quer
concretizar seu projeto sobre Victor Jarra
compositor muito conhecido no Brasil graças às
gravações que Mercedes Sosa fez de suas canções.
Emma Thompson tinha 14 anos em 1973, quando ocorreu o
golpe no Chile. Tinha um amigo mais velho que se integrou
a um grupo de solidariedade ao povo chileno. Foi quando
ouviu pela primeira vez a história do compositor que
teve a mão esmagada pelos militares e depois foi morto
no Estádio Nacional de Santiago. Quer contar essa
história para discutir na tela a relação entre arte e
política e a permanência do ideal revolucionário.
"Era muito jovem e aquilo me marcou", conta.
Espera não ter abdicado do seu ideal de querer mudar o
mundo. Para ela, é disso que se trata.
O político de Segredos do Poder também quer mudar o
mundo, mas quer fazê-lo em proveito próprio, para
satisfazer seu ego monstruoso. "Acho que a
Presidência, especialmente a americana, é uma das
instituições mais interessantes do mundo na atualidade.
"O presidente americano dispõe de mais poder do que
qualquer outra pessoa no mundo, mas também está
submetido a uma mídia que lhe cobra a menor
atitude." "Ele vive sob pressão", ela
observa. "Nesse caso, como conciliar pequenos gestos
da vida cotidiana com as exigências do jogo da
política?".
Xuxa Lopes vive Lili em filme
autobiográfico de Babenco
Da Agência Estado
Xuxa Lopes conhece a pompa e a circunstância de
Cannes. Como mulher de Hector Babenco, acompanhou o
marido quando ele foi jurado do 42º festival, em 1989.
Naquele ano, o presidente era Wim Wenders e Babenco e
Xuxa não assistiram apenas a todas as sessões da mostra
competitiva, como era obrigação dele. Também
participaram de muitos almoços, jantares, coquetéis e
recepções.
Este ano Xuxa está de volta à Croisette com o
marido. Participar da seleção oficial com Coração
Iluminado já é um presente. Independentemente do
resultado, se o filme obterá ou não a Palma de Ouro,
Xuxa acha que participar da competição já é um
prêmio.
"Foi um filme tão difícil, tão sofrido",
ela conta. Por isso a alegria agora é tanta. Há três
anos, Babenco esteve à beira da morte. Consumido pelo
câncer, os médicos não lhe davam mais do que três
meses de vida. Xuxa estava ao lado dele quando os
médicos disseram que a única solução, assim mesmo
envolvendo alto risco, era um transplante de medula.
"O Hector teve o melhor atendimento, mas se
sobreviveu foi porque queria, mais do que tudo no mundo,
fazer esse filme." O filme pronto é um símbolo da
sua ressurreição.
É um filme que nasceu autobiográfico. Babenco
projeta-se no personagem central, vivido pelo ator
argentino Miguel Angel Solá. Vivendo há vários anos no
Brasil, brasileiro por vontade própria, ele resolveu
fazer o inventário de sua vida, revisando suas origens
argentinas. E criou o personagem do diretor que parte em
busca de um amor da juventude, terminando por envolver-se
com outra mulher. Essa mulher é Lilith, interpretada por
Xuxa. "Sou eu mesma", ela resume.
Xuxa ajudou a criar o perfil da personagem, cuja
história tem semelhanças com a sua. Mas foi um longo
processo até que ela chegasse a interpretar Lilith (que
ficou sendo apenas Lili no roteiro). No início Babenco
ia fazer o filme com recursos americanos. As atrizes
seriam Nastassia Kinski, no papel de Lilith, e Irene
Jacob, como Ana, essa mulher jovem cujo mistério
permanece com o protagonista na idade madura, levando-o a
querer reencontrar seu passado.
Foi a partir da doença que Babenco tomou a decisão
radical. Desistiu de fazer o filme em inglês. Resolveu
fazê-lo em castelhano, com Xuxa. "Para mim, ele diz
agora que sempre soube que eu seria a intérprete do
papel." Então, ela pergunta, por que a escolha de
outra atriz? A própria Xuxa responde: "Foi um
processo que o Hector precisou vivenciar para amadurecer
a personagem." Ela é Lilith, Maria Luisa Mendonça
é Ana. "Somos as duas Marias Luisas do
Hector", diz Xuxa, explicando que seu nome de
batismo é esse, Maria Luiza.
COLUNA UNGARETH PIZ
Cuiabá anda cheio de Rafael!!
Não pense que é só na novela Por Amor que acontecem
os casos de homossexualismo. A cidade de Cuiabá anda
cheia, só que, como vocês viram, ninguém consegue
resistir tanto tempo. As mulheres estão escandalizadas.
É bom ficarem de olhos arregalados com seus maridos.
Grito do Micarecuia
Está tudo pronto para a festa começar: dia 23/05, na
boate Opera Light, com o lançamento da festa Micarecuia,
uma realização da NFN Promoções que já tem
engatilhadas as bandas Cheiro de Amor, Ricardo Chaves e
Pimenta Nativa. Esse ano, a festa começa mais cedo, no
mês de setembro. Vai ser o bi-cho, aguardem!!
Mingau em festa
Hoje, para quem quiser curtir uma festa diferente, e
de quebra colaborar para o Senhor Divino, o endereço é
a casa da tia Bia Spinelli, que promete balançar a
galera. Vamos que vamos!!
Copa Juventude 98
Hoje, tem mais uma rodada no Cuiabá Tênis Clube, com
a gurizada do Mingau, Fodedozão, Camorra, Viajandão,
Bafão e Peshanca às 21:00 hs, disputando aquela pelada
que vai levar o time campeão para Fortaleza, com todas
as mordomias, segundo o patrono deste evento o senador
Júlio Campos. Contamos também com apoio do vereador
Moacir Pires, vereadora Bia Spinelli, deputado estadual
Ricarte de Freitas e deputado federal Murilo Domingos.
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