OLHOS AZUIS

Sinatra morre aos 82 anos de ataque cardíaco

Da Reuters/AE - Los Angeles

Frank Sinatra, de 82 anos, morreu ontem vítima de ataque cardíaco, no Hospital Cedars-Sinai, de Los Angeles, às 22h50 (hora local, 2h50 de Brasília). Sua quarta mulher, Barbara, e seus filhos Frank Jr., Tina, Robert e Nancy, assim como dois de seus netos, estavam a seu lado quando morreu na sala de emergência do hospital.

O cantor não era visto em público desde janeiro do ano passado, quando sofreu um ataque cardíco. Desde essa época, repousava a maior parte do tempo. Em fevereiro deste ano, Sinatra acabou mais uma vez internado, oficialmente para realizar exames. Há 20 dias, retornou ao hospital, supostamente para realizar novos exames. Depois de algumas horas, foi liberado pelos médicos.

Segundo amigos próximos, o cantor e ator estava com a saúde bastante debilitada nos últimos meses e passava a maior parte do tempo com os familiares. Acreditava-se que o cantor sofresse de câncer na bexiga.

Sinatra, em 60 anos de carreira, lançou mais de 200 álbuns. O "olhos azuis" gravou sucessos mundiais como "Try a Little Tenderness," "My Way," "I`ve Got You Under My Skin" e "Strangers in the Night." Como ídolo do cinema, atuou em "A Um Passo da Eternidade", "Aconteceu Assim" e "O Homem do Braço de Ouro". No total, o artista gravou 1.800 músicas e teve seu nome incluído nos créditos de 60 filmes. Ganhou nove Grammys e um Oscar, por sua participação em "A Um Passo da Eternidade".

Nascido em New Jersey, nos Estados Unidos, em 1915, filho único de um casal de italianos, Sinatra tornou-se um ícone da cultura americana. Foi o recordista em presença entre os mais ouvidos da Billboard, figurando ininterruptamente na lista dos "tops" entre 1955 e 1995. Com a morte de Sinatra, acaba uma época de glamour e sofisticação na música do século 20.

Amigos e fãs começaram a se aglomerar diante da mansão do artista em Bel-Air assim que foi divulgada a notícia de sua morte. "Este é o dia mais triste de minha vida", afirmou a cantora Eydie Gorme, amiga de Sinatra. As emissoras de rádio e TV interromperam sua programação normal para dar a notícia e jornais como o New York Post chegaram às bancas com edições epeciais.

O presidente Bill Clinton, que participa de um encontro do Grupo dos Oito, em Birmingham, Inglaterra, disse: "Creio que todos os americanos deveriam sorrir e dizer que ele realmente fez as coisas a seu modo", numa referência a uma de suas canções mais famosas, My Way.

O presidente francês Jacques Chirac também lamentou a morte do cantor e ator. "Ele fez nossa geração sonhar", afirmou. "Havia seu talento, seu carisma e sua voz - que deu o ritmo, acompanhou e fez nossa geração sonhar - mas havia também sua personalidade calorosa e entusiasmada", prosseguiu. "Tive a sorte de conhecê-lo e nossa amizade foi imediata, ninguém poderá ocupar o seu lugar."

Em Cannes, a atriz francesa Jeanne Moreau também lamnetou a morte do cantor. "Ele vai cantar com os anjos e tenho certeza de que eles existem."

Segundo a porta-voz da família Sinatra, Susan Reynolds, informou que o enterro será uma cerimônia reservada. Antes de morrer, o cantor pediu que amigos e admiradores fizessem doações para o Centro Infantil Barbara Sinatra, do Eisenhower Medical Center, da Califórnia.

Sinatra foi o primeiro cantor popular a conquistar o público adolescente, que superlotava seus shows no início da década de 40, muito antes de Elvis Presley e dos Beatles.


Sinatra surge como cantor de jazz no final dos anos 30

Francis Albert Sinatra, filho de imigrantes italianos pobres de Nova Jersey, surgiu como cantor de jazz nas bandas de Harry James e Tommy Dorsey no final dos anos 30. Em janeiro de 42, inicia uma bem-sucedida carreira solo.

A partir de sua estréia gloriosa como solista no Teatro Paramout, em Nova York, em 1943, Sinatra não se distanciou mais de seu público. As excessões aconteceram no começo dos anos 50, quando o cantor passou por uma rápida fase decadente, incluindo duas tentativas de suicídio. E, entre 1971 e 1973, período em que se afatou do show business.

Os romances tumultuados - com Ava Gardner, Lauren Bacall, Mia Farrow, Marylin Monroe e Kim Novak -, os vários casamentos e as insinuações de envolvimento com a Máfia rechearam sua biografia e as páginas dos jornais do mundo inteiro.

Mas, para seu fiél público, Sinatra continua como um cantor impecável e um ator talentoso.

Como cantor, foi o maior ídolo popular da primeira metade de século; só tiveram popularidade semelhante a ele, em toda a história, Elvis Presley e os Beatles. Ele transformou sua voz em uma espécie de marca registrada, carimbando canções dos mais diversos compositores, da Cole Porter e George Gershwin a Lennon & McCartney.

Mesmo depois do advento do rock, Sinatra manteve-se no topo; com a música "Strangers in the Night", de Bert Kampfert (da qual ele, aliás, não gostava), chegou ao primeiro lugar das paradas, derrubando os Beatles. Em 1981, bateu o recorde mundial como artista solo que reuniu maior multidão em um show, no Maracanã, no Rio de Janeiro.

Sinatra ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em "A Um Passo da Eternidade", em 1953. Entre seus principais filmes como ator estão "Eles e Elas", "O Homem do Braço de Ouro", "Alta Sociedade" (em que contracenou com Bing Crosby, sua maior influência musical), "Meus Dois Carinhos", "A Hora do Diabo" e "Sob o domínio do Mal". Teve uma experiência como diretor, com o filme "Os Bravos Morrem Lutando", um filme elogiado pela crítica.

Tony Giske, da The Hollywood Reporter, disse certa vez de Sinatra: "Quando ele finalmente partir, ficará um enorme buraco na música do século XX, talvez o maior de todos: maior, certamente, do que o de seu antigo ídolo, Bing Crosby, ou Elvis Presley, ou os Beatles, ou até mesmo Duke Ellington ou Charlie Parker. Porque, quando você soma tudo, é só Sinatra que fala para todo mundo, que toca um pequenino lugar no coração de todos - jovens, velhos, negros, brancos, homens, mulheres, amantes do rock e da ópera".


FILMES

John Travolta e Ray Liota farão Sinatra no cinema

Ricardo Bairos
Da Planet Pop/AE – Nova York

A morte de Frank Sinatra deve apressar a finalização de alguns dos projetos que estão em produção em Hollywood sobre a vida dele e de seus companheiros do Rat Pack: Dean Martin, Sammy Davis Jr. e Peter Lawford. A maioria, por sinal, estava a caminho por conta das notícias sobre os problemas de saúde do cantor nos últimos tempos. Sem dúvida, outros filmes devem começar a ser produzidos nos próximos meses. Uns chamam de oportunismo, outros de homenagem. De qualquer maneira, os produtores deixam claro que, com a morte de todos os personagens, fica muito mais remota a possibilidade de ações na Justiça.

O mais comentado de todos os projetos é o da Warner Bros., "Dino", que não é especificamente sobre Sinatra. O diretor Martin Scorsese e o roteirista Nicholas Pileggi (a dupla de "Cassino" e "Os Bons Companheiros") trabalham no script do filme que vai ser parcialmente baseado na biografia de Dean Martin escrita por Nick Tosches em 1992. No elenco, estão previstos Tom Hanks (como Martin), John Travolta (como Sinatra), Hugh Grant (com Lawford), Adan Sandler (como Joey Bishop) e Jim Carrey (como Jerry Lewis). Nenhum dos nomes está confirmado, no entanto. Hanks, por sinal, diz que nem sabia de sua eventual participação no filme, mas acha a idéia muito boa.

Outro filme em produção atualmente é o do canal de TV por assinatura HBO, chamado "The Rat Pack". No elenco, estão Ray Liotta (como Sinatra), Joe Mantegna (com Martin) e Don Cheadle (de "Boogie Nights", como Davis). As filmagens já começaram e este deve ser o primeiro a ficar pronto. A não ser que algum problema legal apareça no caminho: as filhas de Sinatra, Tina e Nancy, são contra o projeto e vão fazer de tudo para pará-lo. Elas leram o roteiro, não gostaram de nada e já negaram a permissão do uso das canções das quais têm os direitos autorais.

A diretora Betty Thomas vai dirigir para a Columbia um filme sobre a tentativa de seqüestro de Frank Sinatra Jr., filho do cantor, em 1963. A história saiu na publicação "New Times", de Los Angeles, e os direitos foram vendidos por US$ 600 mil. A Warner também tem planos de refazer "Ocean`s Eleven", um filme clássico do Rat Pack sobre um assalto em Las Vegas que deu errado. De qualquer maneira, é certo que a turma radical dos anos 60 - eles bebiam e fumavam à beça, tratavam muito mal as mulheres e contavam piadas de "pessoas de cor" - deve causar rebuliço novamente, desta vez nas telas, nos politicamente corretos anos 90.


MODA

Guto Barra

Do Planet Pop/AE – Nova York

Não foi apenas na música e no cinema que Frank Sinatra colocou sua marca registrada. O cantor deu origem a uma série de mudanças de comportamento em termos de estilo, em uma época em que os homens ainda não eram tão preocupados com detalhes ligados à aparência e à estética. Além de quebrar tabus quanto aos cuidados com cabelos, pele e uso de acessórios, ele foi também pioneiro ao falar abertamente sobre esses assuntos em público, adicionando seu charme de conquistador a eles.

Com certeza a maior influência de Sinatra para a moda foi sua compulsão pelo uso de chapéus. Ao celebrizar a maneira meio torta de usar o acessório (conseguido por meio de uma "ajeitada" característica feita com as duas mãos), ele foi o maior responsável pelo estouro de vendas de chapéus nos Estados Unidos nos anos 50.

O músico gostava de chapéus desde que ainda morava em Hoboken, em New Jersey, não deixava eles de lado nem durante suas gravações em estúdio e apareceu em mais de 30 capas de discos com a cabeça coberta. "Eles eram uma extensão da personalidade dele", diz sua filha Nancy no livro "The Way You Wear Your Hat", de Bill Zehme, lançado há poucos meses nos Estados Unidos. Ele abandonou a mania apenas nos anos 70, quando seus cabelos começaram a ficar brancos.

As gravatas também eram assunto sério para ele. Apenas as de seda serviam, de preferência com listras ou padronagens discretas. Suas preferidas eram as fabricadas pela Sulka e pela Turnbull & Asser, que inspiraram sua própria linha de gravatas, lançada no mercado norte-americano sem muito alarde nos anos 60. Em uma de suas declarações famosas, o cantor disse que o dia que encontrasse uma mulher capaz de escolher dez gravatas que ele gostasse, ela teria passado no teste supremo.

Quanto à mistura de cores para roupas, a única regra dele era quanto à hora do dia. De acordo com ele, nenhum tom era menos masculino do que outro: ele usava cor-de-rosa e lilás sem problemas e era especialmente fã do laranja, que aparecia com freqüência em seus suéteres e camisas esportivas.

A paixão de Sinatra por ternos também é famosa. "Sou um homem simétrico, gosto de tudo no seu lugar, então minhas roupas também têm de ser assim", dizia. Ele colecionava "apenas a quantidade certa" de ternos para preencher os guarda-roupas de suas cinco casas, em geral importados da Savile Row, em Londres.

Ele era também um grande incentivador do uso do smoking, mesmo quando o evento não obrigava o traje. Entre suas dicas estavam deixar um centímetro e meio do punho da camisa aparecendo para fora da jaqueta e a bainha feita para ficar imediatamente acima do sapato. "Tente não sentar, para não amarrotar a calça e se você tiver de sentar, não cruze as pernas", ensinava ele. Um de seus smokings mais famosos foi um desenhado por Don Loper (espécie de Giorgio Armani dos anos 60) para o baile de posse de John F. Kennedy. O traje foi usado com faixa vermelha, luvas brancas e chapéu forrado de seda. Uma das grandes manias de Sinatra era, no entanto, nunca usar smoking aos domingos, dia considerado "de descanso".

Sinatra era também maníaco por limpeza. Ele tomava pelo menos dois banhos todos os dias e fazia questão de não sair de casa sem passar sua Yardley`s English Lavander. De acordo com Ava Gardner, ele era o homem mais limpo que ela já conheceu: "Não me espantaria se visse ele tentando lavar o sabonete", disse a atriz em uma célebre entrevista. O cantor era especialmente preocupado com o estado de sua unhas, já que usava as mãos para pontuar suas canções no palco.


PERFIL

Frank Sinatra viveu a vida à sua maneira

Da Reuters/AE - Los Angeles

Uma vez ídolo de jovens admiradoras que desmaiavam ao vê-lo, Sinatra continuou cantando à sua maneira durante a época das grandes orquestras, do rock and roll, do rock metálico, sem nunca tentar novos estilos de música. No meio do caminho se transformou em uma lenda, caminhando com presidentes e brigando com a imprensa.

Em sua carreira de mais de 60 anos, os "Olhos Azuis", como era conhecido, lotou estádios de Nova York a Londres, de Paris a Las Vegas. Participou de mais de 50 filmes e vendeu milhões de discos.

Aos 77 anos, Sinatra lançou um novo disco, que o jogou para os primeiros lugares de paradas musicais de vários países. Entitulado como "Duetos", o disco o trouxe cantando com jovens intérpretes que um dia se opuseram a seu estilo de música.

Dono de uma enorme fortuna, o cantor sempre fazia doações a instituições de caridade. Mas isso não o impedia de gastar com luxos como sua mansão em Palm Spring, na Califórnia, aviões particulares e limosines. Toda vez que viajava era acompanhado por uma corte que costumava lotar todo um andar de hotel.

Seu pai, nascido na Sicília, era bombeiro e boxeador, e queria que seu filho fosse um lutador. Sua mãe, nascida na cidade italiana de Gênova, era considerada uma mulher forte.

Sinatra, que queria ser cronista esportivo, trabalhou como mensageiro no periódico Hudson Observer, em Nova Jersey. Mais tarde se tornou admirador de Bing Crosby e de Billie Holiday, o que o animou a formar um quarteto musical chamado "Os Quatro de Hoboken".

O quarteto não durou muito tempo, mas Sinatra cantou a música "Night and Day" em uma rádio local. A performance lhe valeu um emprego de cantor em um pequeno hotel. Sua carreira decolou quando Sinatra se uniu à orquestra de Harry James em 1939. No mesmo ano gravou seu primeiro disco, no qual interpretava "From the Bottom of My Heart".

Algum tempo depois ele se casava com sua namorada de juventude, Nancy Barbato, com quem teve três filhos: Nancy, Frank e Tina, antes de se divorciarem em 1951.

Sinatra fez sua estréia no cinema em 1941 no filme "Noites de Las Vegas" e foi protagonista em musicais como "Anchors Aweigh" (1945) e "On the Town" (1949).

Sua carreira decaiu nos anos 50, quando o cantor sofreu hemorragias na garganta e iniciou suas brigas com a imprensa. Quando todos pensavam que Sinatra havia sido esquecido, ele fez uma volta triunfal em 1952 ao participar do filme "Daquí para a Eternidade", papel que lhe rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante.

Sinatra continuou sua aparições no cinema e na música, gravando clássicos como "Chicago" (1957) e "Strangers in the Night" (1966). Tendo uma carreira agitada, sua vida profissional não foi menos conturbada. Passou seis anos casado com a atriz Ava Gardner, sendo que durante um grande período permaneceram separados. Em 1966, quando tinha 50 anos, se casou com a atriz Mia Farrow, que tinha então 21 anos. Se separaram no ano seguinte. Sua quarta esposa foi Bárbara, modelo e bailarina que já havia sido casada com Zeppo Marx, dos Irmãos Marx.

Em novembro de 1986 Sinatra foi submetido a uma operação de urgência no intestino grosso. Em março de 1994 desmaiou no palco, sufocado pelo calor da Virgínia. O cantor foi novamente hospitalizado dia primeiro de novembro de 1996. Embora sua assessora de imprensa afirmasse que se tratava de problemas de nervos, havia boatos de que Sinatra também estava sendo tratado de pneumonia e problemas cardíacos.


CINEMA

Festival de Cannes promete salto de qualidade

LUIZ CARLOS MERTEN
Enviado especial/AE

Para o cinéfilo, a palavra tem conotações míticas. Cannes é um lugar de sonho. Evoca cinema, champanhe e starlets ávidas por publicidade, posando seminuas nas praias da Côte dAzur. Evoca grande cinema, o melhor que se faz no mundo. Se o Oscar é a festa do cinema americano, Cannes quer ser a festa do cinema mundial. O Festival de Cannes é um dos eventos mais dissecados e mediatizados do planeta. O deste ano, o 51º Festival International du Film, que já está rolando desde ontem, não será a exceção.

Os críticos saúdam o que lhes parece mais importante. Depois da decepção provocada pela seleção do cinqüentenário, no ano passado, a seleção deste ano registra um significativo aumento de qualidade. Nada mais natural. O diretor do festival, Gilles Jacob, foi o primeiro a admitir que o nível geral aumentou, mas destacou: a oferta global dos filmes também aumentou. No ano passado, a comissão de seleção viu 489 filmes de 70 nacionalidades. Este ano o número aumentou para 586 filmes de 74 nacionalidades. Entre eles foram selecionados os 21 que integram a mostra competitiva mais os 9 que serão vistos fora de concurso.

A seleção americana é a mais numerosa. Serão exibidos nove filmes, sendo quatro em competição. Além dos filmes da abertura e do encerramento, também vão passar, fora de concurso, Goodbye Lover, de Roland Joffé, Blues Brothers 2000, de John Landis, e Dark City, de Alex Proyas. Em competição, o principal título americano talvez seja Fear and Loathing in Las Vegas, do ex-Monty Python Terry Gilliam medo e nojo em Las Vegas.

Mas a seleção americana também traz Hal Hartley, um dos grandes nomes do cinema de autor, em todo o mundo, com Henry Fool, Lodge Kerrigan, com Claire Dolan, e John Turturro, que já foi premiado em Cannes, com Mac. Desta vez ele concorre com Illuminata. O quinto americano da competição, o cineasta Todd Haynes, de Veneno, está inscrito pela Inglaterra, com Velvet Goldmine. Quem já viu garante que tem chance de virar o filme cult desta seleção.

HABITUÉS - Dois habitués de Cannes (e do cinema de autor) estão de volta à Croisette, tentando arrebatar a Palma de Ouro que ainda não ornamenta seus currículos: o grego Theo Angelopoulos, com Mia Eoniotita Ke Mia Mera, que pode ser traduzido como A Eternidade, um Dia, e o inglês Ken Loach, com My Name Is Joe. Também habitués de Cannes são o dinamarquês Lars Von Trier, que vem com um filme que promete fazer sensação, por roçar o pornográfico, Idioterne (Os Idiotas), e o italiano Nanni Moretti, que prossegue com o tom confessional de Meu Caro Diário num filme agora intitulado Aprile (Abril).

Do Oriente estão, em concurso, dois cineastas idolatrados pela crítica francesa - Hou Hsiao Hsien, com Flowers of Shanghai (Flores de Xangai), e Tsai Ming-Liang, o gênio de O Rio, que concorrerá com The Hole (O Buraco).Fora de concurso, outro mestre oriental não está presente na Croisette, mas do japonês Shohei Imamura poderá ser visto Kanzo Sensei. No ano passado, ele dividiu a Palma de Ouro com o iraniano Abbas Kiarostami. Ganhou com A Enguia, seu belo filme em exibição em São Paulo.

Dona da casa, a França tem quatro filmes na seleção oficial, sendo três em competição. Após a superprodução Rainha Margot, com seu barroquismo que arrebatou os críticos e o público, Patrice Chéreau volta em chave mais intimista com Ceux Qui MAiment Prendront le Train, que pode ser traduzido como Aqueles Que Me Amam Pegarão o Trem.

Benoit Jacquot, o diretor de O Sétimo Céu, que concorreu em Veneza no ano passado e integrou a Semana do Cinema Francês no Vitrine, concorre com LÉcole de la Chair (A Escola da Carne) e Claude Miller entra na disputa pela Palma de Ouro com um thriller La Classe de Neige (A Aula de Neve). O quarto francês, fora de concurso, é o estreante Erick Zoncka, que vai mostrar La Vie Revée des Anges (literalmente: A Vida Sonhada dos Anjos).

Grande vencedora do Festival de Berlim, em fevereiro (com Central do Brasil, de Walter Salles), a América Latina conseguiu emplacar dois filmes na competição. Um deles é a co-produção argentino-brasileira Coração Iluminado, de Hector Babenco, que será exibida no finalzinho do festival, no sábado, dia 23. O outro é La Vendedora de Rosas, do colombiano Victor Gavíria. As sessões especiais incluem filmes do espanhol Carlos Saura (Tango) e do mestre português Manoel de Oliveira (Inquietude).

BERGGMAN E SCORSESE - Na mostra paralela Un Certain Regard, o destaque vai para um telefilme dirigido pelo sueco Ingmar Bergman, que, no ano passado, ganhou a Palma das Palmas. Mas também parecem atraentes O Apóstolo, de Robert Duvall, e O Evangelho das Maravilhas, do mexicano Arturo Ripstein, que a crítica francesa (em especial a revista Cahiers du Cinéma) considera o maior diretor latino-americano da atualidade.

Ainda nas mostras paralelas desperta atenção especial a projeção, numa versão restaurada (e mais longa), de A Marca da Maldade, uma das obras-primas de Orson Welles. Vai passar numa homenagem ao produtor Anatole Dauman.

Presidido no ano passado pela atriz Isabelle Adjani, o júri deste ano tem a presidência de um dos maiores diretores americanos (e do mundo) na atualidade. Martin Scorsese recebeu a Palma de Ouro de 1975 com Taxi Driver. Ele chegou a Cannes para presidir o 51º festival cercado da aura de ser um dos artistas que mais se destacam na área de preservação do cinema. Scorsese não apenas sabe fazer cinema (e fazer muito bem, diga-se de passagem). Ele também conhece o assunto a fundo, bastando citar sua série comemorativa do centenário do cinema, há três anos.

A personalidade do presidente é sempre decisiva no júri de Cannes. Quando Clint Eastwood foi o presidente, o vencedor da Palma foi Pulp Fiction (Tempo de Violência), de Quentin Tarantino. A questão agora que fica no ar é: para onde se inclinará a preferência de Scorsese? A resposta sai no dia 24, quando será anunciado o vencedor da Palma deste ano.


Emma Thompson quer filmar vida de compositor assassinado no Chile

Da Agência Estado

Emma Thompson está mais do que nunca decidida a realizar seu projeto sobre o compositor chileno Victor Jarra. "Já estou escrevendo o roteiro", afirma. Emma está em Cannes para a exibição de Segredos do Poder, filme de Mike Nichols que abriu oficialmente o Festival e cuja estréia no Brasil está sendo anunciada, pela distribuidora Playarte, para o dia 29.

"É um filme muito bem escrito", diz Emma, explicando o que a atraiu em primeiro lugar na produção. "Confesso que não recebi nada tão bem escrito em produção de Hollywood desde que comecei a trabalhar nesse negócio." O filme baseia-se no romance de John Klein que satiriza a campanha de um político americano à Presidência dos Estados Unidos. O político é Bill Clinton, claro. Emma faz Hillary, embora o negue. "Não me baseei nela para criar a personagem, embora seja, obviamente, uma figura fundamental para analisar quando se trabalha num projeto como esse."

Emma tinha um acordo verbal com o diretor Nichols para trabalhar num filme com roteiro de Elaine May. O projeto mudou quando Elaine mostrou ao diretor seu roteiro adaptado do livro de Klein. "Tudo ocorreu muito rapidamente, conta ele. "Mike mostrou-me o script e sugeriu que fizéssesmos esse filme antes."

Emma destaca o que há de melhor no roteiro. "Ele consegue expressar um mix de idealismo e cinismo." O idealismo vem de um jovem negro que se integra à campanha do candidato. O cinismo vem dos políticos profissionais, aqueles capazes de tudo para atingir seu objetivo, que quase sempre é o poder. Emma viu Mera Coincidência, de Barry Levinson, em cartaz nos cinemas brasileiros. Aproveita para destacar que política é aquilo mesmo, show business. Mas ela ainda continua interessada em idealismo. Por isso mesmo, quer concretizar seu projeto sobre Victor Jarra – compositor muito conhecido no Brasil graças às gravações que Mercedes Sosa fez de suas canções.

Emma Thompson tinha 14 anos em 1973, quando ocorreu o golpe no Chile. Tinha um amigo mais velho que se integrou a um grupo de solidariedade ao povo chileno. Foi quando ouviu pela primeira vez a história do compositor que teve a mão esmagada pelos militares e depois foi morto no Estádio Nacional de Santiago. Quer contar essa história para discutir na tela a relação entre arte e política e a permanência do ideal revolucionário. "Era muito jovem e aquilo me marcou", conta. Espera não ter abdicado do seu ideal de querer mudar o mundo. Para ela, é disso que se trata.

O político de Segredos do Poder também quer mudar o mundo, mas quer fazê-lo em proveito próprio, para satisfazer seu ego monstruoso. "Acho que a Presidência, especialmente a americana, é uma das instituições mais interessantes do mundo na atualidade. "O presidente americano dispõe de mais poder do que qualquer outra pessoa no mundo, mas também está submetido a uma mídia que lhe cobra a menor atitude." "Ele vive sob pressão", ela observa. "Nesse caso, como conciliar pequenos gestos da vida cotidiana com as exigências do jogo da política?".


Xuxa Lopes vive Lili em filme autobiográfico de Babenco

Da Agência Estado

Xuxa Lopes conhece a pompa e a circunstância de Cannes. Como mulher de Hector Babenco, acompanhou o marido quando ele foi jurado do 42º festival, em 1989. Naquele ano, o presidente era Wim Wenders e Babenco e Xuxa não assistiram apenas a todas as sessões da mostra competitiva, como era obrigação dele. Também participaram de muitos almoços, jantares, coquetéis e recepções.

Este ano Xuxa está de volta à Croisette com o marido. Participar da seleção oficial com Coração Iluminado já é um presente. Independentemente do resultado, se o filme obterá ou não a Palma de Ouro, Xuxa acha que participar da competição já é um prêmio.

"Foi um filme tão difícil, tão sofrido", ela conta. Por isso a alegria agora é tanta. Há três anos, Babenco esteve à beira da morte. Consumido pelo câncer, os médicos não lhe davam mais do que três meses de vida. Xuxa estava ao lado dele quando os médicos disseram que a única solução, assim mesmo envolvendo alto risco, era um transplante de medula. "O Hector teve o melhor atendimento, mas se sobreviveu foi porque queria, mais do que tudo no mundo, fazer esse filme." O filme pronto é um símbolo da sua ressurreição.

É um filme que nasceu autobiográfico. Babenco projeta-se no personagem central, vivido pelo ator argentino Miguel Angel Solá. Vivendo há vários anos no Brasil, brasileiro por vontade própria, ele resolveu fazer o inventário de sua vida, revisando suas origens argentinas. E criou o personagem do diretor que parte em busca de um amor da juventude, terminando por envolver-se com outra mulher. Essa mulher é Lilith, interpretada por Xuxa. "Sou eu mesma", ela resume.

Xuxa ajudou a criar o perfil da personagem, cuja história tem semelhanças com a sua. Mas foi um longo processo até que ela chegasse a interpretar Lilith (que ficou sendo apenas Lili no roteiro). No início Babenco ia fazer o filme com recursos americanos. As atrizes seriam Nastassia Kinski, no papel de Lilith, e Irene Jacob, como Ana, essa mulher jovem cujo mistério permanece com o protagonista na idade madura, levando-o a querer reencontrar seu passado.

Foi a partir da doença que Babenco tomou a decisão radical. Desistiu de fazer o filme em inglês. Resolveu fazê-lo em castelhano, com Xuxa. "Para mim, ele diz agora que sempre soube que eu seria a intérprete do papel." Então, ela pergunta, por que a escolha de outra atriz? A própria Xuxa responde: "Foi um processo que o Hector precisou vivenciar para amadurecer a personagem." Ela é Lilith, Maria Luisa Mendonça é Ana. "Somos as duas Marias Luisas do Hector", diz Xuxa, explicando que seu nome de batismo é esse, Maria Luiza.


COLUNA UNGARETH PIZ

Cuiabá anda cheio de Rafael!!

Não pense que é só na novela Por Amor que acontecem os casos de homossexualismo. A cidade de Cuiabá anda cheia, só que, como vocês viram, ninguém consegue resistir tanto tempo. As mulheres estão escandalizadas. É bom ficarem de olhos arregalados com seus maridos.

Grito do Micarecuia

Está tudo pronto para a festa começar: dia 23/05, na boate Opera Light, com o lançamento da festa Micarecuia, uma realização da NFN – Promoções que já tem engatilhadas as bandas Cheiro de Amor, Ricardo Chaves e Pimenta Nativa. Esse ano, a festa começa mais cedo, no mês de setembro. Vai ser o bi-cho, aguardem!!

Mingau em festa

Hoje, para quem quiser curtir uma festa diferente, e de quebra colaborar para o Senhor Divino, o endereço é a casa da tia Bia Spinelli, que promete balançar a galera. Vamos que vamos!!

Copa Juventude 98

Hoje, tem mais uma rodada no Cuiabá Tênis Clube, com a gurizada do Mingau, Fodedozão, Camorra, Viajandão, Bafão e Peshanca às 21:00 hs, disputando aquela pelada que vai levar o time campeão para Fortaleza, com todas as mordomias, segundo o patrono deste evento o senador Júlio Campos. Contamos também com apoio do vereador Moacir Pires, vereadora Bia Spinelli, deputado estadual Ricarte de Freitas e deputado federal Murilo Domingos.