FHC/EUA

Tudo será feito para manter o valor do real, diz FHC nos EUA

Edson Luiz
Da Agência Estado - Washington, EUA

O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que a área social continua sendo uma das prioridades mas o governo não vai adotar nenhuma medida que possa provocar a volta da inflação. "Tudo será feito para manter o valor da moeda", afirmou o presidente, que ontem se encontrou com o presidente dos EUA, Bill Clinton. Hoje Fernando Henrique participa de Assembléia Extraordinária da Organização das Nações Unidas (ONU) que vai discutir narcotráfico.

Fernando Henrique não quis comentar as pesquisas de opinião que mostram sua queda na preferência dos eleitorers e o avanço do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Ele disse que o caos no País é a volta da inflação e da carestia. "Não vamos deixar isso acontecer", afirmou.

Após a crise financeira asiática, segundo Fernando Henrique a tendência é a taxa de juros voltar ao normal. "No segundo semestre haverá melhorias", afirmou o presidente em entrevista na embaixada brasileira, em Washington. Ele negou também que o ministro da Educação, Paulo Renato, deixará o posto para assumir a coordenação da sua campanha à reeleição. Os principais assuntos abordados pelo presidente:

Área social _ "O governo do Brasil tem rumo e não mudamos a cada semana. A área social é prioridade desde o início do governo. O vice-presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, disse que o Brasil deu um salto enorme em matéria de educação, em termos de melhoria de qualidade. São políticas que tomam tempo, não há milagres, depende de persistência. O governo do Brasil é responsável e não muda de política do dia para a noite e vai continuar fazendo bem o que está fazendo, que é o que chamo de revolução branca. Provavelmente o que as pessoas pensam é sobre as medidas que estamos tomando na área de habitação. Havia recursos e estamos dinamizando dentro da programa normal do governo. Qualquer recurso será feito dentro do contexto de uma economia que tem que manter o valor da moeda, do Real. Nós não vamos aceitar a volta da carestia, não tomaremos nenhuma decisão que implique de imediato, ou a médio prazo, na volta da inflação. Não há hipótese. Descartado."

Pesquisas _ "Não quero comentar questões eleiorais enquanto não for formalmente candidato."

Caos e popularidade _ "O caos no Brasil é a volta da inflação, é a desorganização, a carestia. É isso mas não vai acontecer, porque não vamos deixar. Sobre popularidade, há setores na sociedade que, por razões já mencionadas, se sentem prejudicados, mas o governo tem que tomar medidas para solucionar estas questões. Mas para o povo, o povo em geral, é a carestia que não pode voltar. Para mim o mais importante é que o preço do arroz e do feijão baixe. O feijão subiu bastante por causa da seca na Bahia, onde houve perda da safra em Irecê, mas já tomamos medidas e haverá, brevemente, um abastecimento melhor."

Taxas de juro - "A taxa de juro está caindo, mas não é uma decisão de governo, é uma relação de governo e mercado. A nossa política sempre foi a de fazer com que ela caia. Hoje, depois da crise da Ásia, que respingou no Brasil, tivemos que tomar medidas duras e as taxas de juros subiram muito. Mas estão voltando ao nível pré-crise. A taxa de juro tem a ver com o nível de empregos e o governo está interessado em manter o investimento porque não se cria empregos com palavras, mas com investimento e depende do tipo de investimento. Taí a construção civil que é uma área que absorve mão-de-obra. Então, acho que esta política de baixar as taxas de juro é consistente com os objetivos do governo. É claro que ela afetou pequenos e grandes comerciantes, indústrias. Isso não podemos negar. Mas se não fizéssemos isso estaríamos nas mesmas condições de outros países, sem esperança de futuro. As informações todas são de que, no segundo semestre, haverá melhorias na situação."

Paulo Renato _ "Isso (a saída do ministro Paulo Renato do Ministério da Educação para a coordenação da campanha política) eu vejo nos jornais, mas ele é ministro da Educação e vai continuar como ministro. Ele tem meu reconhecimento público e não há como ele deixar de trabalhar para a Educação."

Viagens _ "Se fizerem uma estatísticas vão ver que nenhum presidente viajou tanto no Brasil como eu. Fui ao Nordeste muitíssimas vezes, fui ao Sul, ao Centro-Oeste, São Paulo, Rio de Janeiro... Toda semana eu viajo, sempre viajei, continuarei viajando porque isso faz parte de um governo moderno. É preciso estar onde as coisas acontecem, não há novidade nisso. Vejo nos jornais: o presidente resolveu que agora vai aparecer nas ruas, mas sempre estou fazendo um coisa importante. Nunca deixei de aparecer na rua. Estou aqui nos Estados Unidos num domingo, trabalhando. Amanhã (09) estarei na Organização das Nações Unidas (ONU) discutindo a questão das drogas. Eu trabalho sem cessar no Brasil e fora do Brasil, sempre pensando em dar prosperidade, futuro e horizonte ao País. Vamos enfrentar dificuldades, mas vamos vencer as dificuldades. Este é o meu papel."

Manifestações _ "Elas senmpre ocorreram, não é só agora. A Ana Tavares (assessora de imprensa do presidente) levou uma pedrada no início do governo. Tem gente no Brasil que não entende o que é democracia, que ainda pensa que vive em regime autoritário e que assusta o presidente. Em São Bernardo do Campo, quando os helicópteros passavam em cima da gente, não me assustava. Às vezes as manifestações tomam caráter de agressividade, prejudicial para quem se manifesta, não à mim. Isso não me assusta. E se vier a ser candidato, como presidente e candidato, separando as coisas, mas com definições políticas claras, não vamos ficar atemorizados com gente que tem mentalidade autoritária. Jogando pedra, batendo, invadindo não resolve os problemas, estão tumultuando. Esse é o começo do caos. Mas esse caos o próprio País vai se livrar dele, percebendo que não é esse o rumo. O rumo é outro, é do trabalho, da confiança, da esperança. Há dificuldades, sem dúvidas. Mas se há desempregados, temos que ter a solidariedade; se há seca no Nordeste, temos que ter ação e solidariedade. Só maus brasileiros é que apostam na violência. Essas demonstrações é que não tem sentido."


SENADO

Suplentes no Senado chegam a 25%

Rosa Costa
Da Agência Estado - Brasília

Eleito com quase 300 mil votos, o senador Carlos Bezerra (PMDB-MT) vai deixar o mandato pela metade para se candidatar outra vez ao Senado. Em seu lugar, assume o empresário Elói de Almeida, um suplente que, sem ter sido eleito para o cargo, vai exercer quatro anos de mandato. O fato expõe uma distorção que ameaça fazer do Senado a Casa dos parlamentares sem voto. Mostra ainda uma estratégia que pode devolver ao PMDB a condição de maior bancada, com direito a indicar em fevereiro o presidente do Senado.

Basta fazer com que um senador bem votado "divida" o mandato com o suplente. O líder do partido, Jáder Barbalho, é citado pelos seus colegas de partido como um dos que estaria disposto a renunciar no meio do mandato para se candidatar ao mesmo cargo. Ele negou. A vaga, no caso, seria ocupada por seu pai e suplente, Laércio Barbalho, ex-deputado estadual cassado pelos militares. Barbalho ainda não anunciou seus planos para a eleição de outubro.

Atualmente 17 milhões de eleitores são obrigados a aceitar a permanência de suplentes no lugar do senador que elegeu. Os eleitos que não estão no cargo representam 25% do total de 68 milhões de votos das eleições de 1990 e 1994. Bezerra disse que teve que se render ao acordo político que resultou da sua desistência ao governo de Mato Grosso para apoiar a candidatura do também senador Júlio Campos (PFL-MT).

A união contra a reeleição do governador Dante de Oliveira dará nisso, na presença de mais um desconhecido para o eleitorado. O senador disse que seu suplente "é um empresário eficiente e que está preparado para exercer o cargo".

Apenas a bancada de 12 dos 27 Estados é formada unicamente por titulares. Nas bancadas da Bahia e da Paraíba há dois suplentes para um titular. O motivo de afastamento, como ocorreu na semana passada com o senador Josaphat Marinho (PFL-BA), nem sempre é claro. Josaphat alegou que se afastaria do cargo por "motivos pessoais". Foi substituído pelo presidente do PFL no Estado, Francisco Benjamim. Os suplentes na Paraíba são Ney Suassuna, que assumiu quando Antonio Mariz, morto há três anos, foi eleito governador, e Wellington Roberto, substituto de Humberto Lucena, morto em abril último.

O senador Coutinho Jorge (PSDB-PA), indicado para o Tribunal de Contas do Estado, já arrumou as gavetas. Até o final deste mês estará em seu lugar Juvêncio Dias, um suplente a mais para reforçar a bancada dos parlamentares sem voto.


ELEIÇÃO

Pesquisas não são desfavoráveis a FHC, avalia ACM

Da Agência Estado – Salvador

O presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), não considerou as pesquisas eleitorais ruins para o presidente Fernando Henrique Cardoso. A última pesquisa do Ibope aponta 33% das intenções de voto para FHC e 28% para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Não as achei desfavoráveis ao presidente Fernando Henrique; Lula ficou limitado no seu crescimento, não vai além disso", disse. Para o senador, FHC vai crescer "naturalmente" de agora em diante. As declarações foram feitas no final da tarde de sábado, após participar da inauguração do aeroporto de Lençóis, a 412 quilômetros de Salvador.

ACM destacou a reunião que o presidente fez com os ministros na semana passada para avaliar a ações de combate à seca. "O presidente da República está intensificando seu trabalho para se apresentar legalmente como candidato e demostrar que é a melhor solução; não há outra alternativa."

No entanto, pelo menos um tema, tratado na reunião presidencial, não agradou ACM: o projeto de transposição do Rio São Francisco. Ele garante que a questão ainda não está definida. "FHC está estudando a transposição, que é muito complicada", disse. Embora a Bahia seja contra o projeto, Antonio Carlos Magalhães disse que os políticos baianos não se oporiam a ele "se fosse útil ao Brasil". Caso a transposição saia, o senador defende que a Bahia seja compensada, "pois o Estado vai perder água em mil quilômetros de sua extensão". Pelos cálculos de ACM, como a Bahia tem 50% do São Francisco, a voz dos baianos deve valer também 50%.

Volta - A inauguração do aeroporto de Lençóis marcou o retorno de ACM à política na Bahia, depois da morte do deputado Luís Eduardo Magalhães: o evento foi transformado num comício do PFL. Prefeitos de vários municípios da região e cerca de mil pessoas compareceram à festa, que teve fogos de artifício, faixas e cartazes, com propaganda política do governador César Borges, candidato à reeleição, e do ex-governador Paulo Souto, candidato do PFL ao Senado.

Os discursos deram o tom de como vai ser a campanha do PFL baiano, com a constante lembrança do deputado Luís Eduardo. "Quando pensarem em Luís Eduardo pensem em César Borges", disse o senador que, num discurso emocionado e interrompido várias vezes por aplausos, só falou da política estadual.


INTERNET

Governo divulga o Program Brasil em Ação na Internet

Da Agência Estado – Brasília

O governo decidiu aproveitar todos os canais de informação existentes para divulgar seus feitos, depois das recentes pesquisas de opinião que comprovam a queda do presidente Fernando Henrique Cardoso na preferência dos eleitores. A propaganda do Programa Brasil em Ação, por exemplo, começou a ser divulgada via Internet, como o projeto do século XXI.

De acordo com as informações do governo federal na Internet, o Programa Brasil em Ação foi lançado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em agosto de 1996 para promover o desenvolvimento sustentável do País nas próximas décadas. São 42 empreendimentos nas áreas de infra-estrutura e desenvolvimento social, estrategicamente escolhidos pela capacidade de alcançar maiores investimentos e reduzir desigualdades regionais e sociais.

A página da Internet sobre o Brasil em Ação mostra uma rodovia em perfeitas condições, sem nenhuma curva, a sumir no horizonte. Nas duas margens há capim verde, sem qualquer registro de queimada por perto. Na semana passada o PT entrou com recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a divulgação das realizações do Programa Brasil em Ação, sob o argumento de que se trata de propaganda ilegal.

Na divulgação do programa, o governo anuncia que o Brasil em Ação é composto de 16 empreendimentos voltados para a criação de empregos e a melhoria das condições de vida da população, "proporcionando ganhos permanentes em educação, saúde, habitação e saneamento". De acordo com a propaganda oficial, a questão primordial do emprego é enfrentada por meio de programas de reforma agrária, apoio à agricultura familiar, melhoria da infra-estrutura básica para o turismo, crédito a pequenos empreendedores, requalificação de trabalhadores e financiamento de projetos de expansão da capacidade produtiva e de recuperação de segmentos industriais.

Há outros 26 empreendimentos do Brasil em Ação. Eles visam, de acordo com a propaganda na Internet, "a superar gargalos históricos da infra-estrutura nos setores de telecomunicações, energia, transporte, irrigação e abastecimento de água". O objetivo seria reduzir custos na economia e propiciar o aumento da competitividade do setor produtivo, criando um ambiente favorável ao investimento privado.

O Brasil em Ação é um programa que se sustenta em parcerias entre governo e o setor privado, tanto no âmbito federal, quanto no estadual e municipal, e utiliza recursos de diversas origens: investimentos particulares, fundos, como o de Assistência ao Trabalhador (FAT) e o de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), financiamentos externos, recursos de empresas estatais e dos orçamentos da União, Estados e municípios.