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Cuiabá MT, Terça-feira, 25 de Janeiro de 2022
AMBIENTE
Domingo, 02 de Janeiro de 2022, 00h:00

AMAZÔNIA

Soja em MT lidera a expansão agrícola no bioma Amazônia

Mas, segundo estudo do Observatório de Bioeconomia da FGV, ritmo da expansão do cultivo do grão perde força desde 2013

EDUARDO GOMES
Da Reportagem
Soja no bioma da Amazônia, no norte de Mato Grosso

Sob os holofotes globais pelos problemas ambientais que pode gerar em caso de desrespeito ao Código Florestal em vigor no país, a produção agropecuária continua a avançar no bioma Amazônia. Mas, como atesta estudo do Observatório de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV) baseado em dados divulgados este ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o principal vetor desse crescimento, que é o cultivo de soja em Mato Grosso, já tem perdido força.

Maior dos seis biomas do país, o Amazônia, com 4,2 milhões de quilômetros quadrados, (420 milhões de hectares) ocupa 49% do território nacional. Inclui 496 municípios, espalhados por Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Roraima, Mato Grosso, Maranhão, Rondônia e Tocantins. Em 2020, a área agrícola colhida no bioma chegou a 11,4 milhões de hectares, com valor da produção de R$ 57,3 bilhões, e Mato Grosso representou 69,9% e 58,6% desses totais, respectivamente. No bioma, a lei permite que os produtores rurais desmatem até 20% da área de suas propriedades. Desmatamentos ilegal não estão no foco do estudo.

Em relação ao ano 2000, quando a área colhida totalizou 3,8 milhões de hectares, a expansão agrícola liderada pela soja cultivada na porção mato-grossense do bioma chegou a 197,5%. Assim, a participação do bioma Amazônia na área agrícola brasileira subiu de 7,7% para 13,7%. A soja representou 71,5% da área em 2020, mas também colaboraram para a expansão observada, além do milho, as produções de mandioca, banana, café, arroz, feijão e palma, de acordo com o trabalho assinado pelos pesquisadores Felippe Serigatti e Roberta Cristina Possamai.

Entre 2000 e 2020, o valor da produção da soja no bioma Amazônia cresceu, em termos reais, 1.563,5% - para R$ 25,2 bilhões -, enquanto no país como um todo a expansão foi de 342%. Com isso, a participação do bioma no valor total da produção do grão passou de 4% para 14,9%. Mas o incremento vem desacelerando desde 2013. Naquele ano, a área colhida cresceu 18,9% ante 2012, enquanto de 2019 para 2020 o aumento foi de 6,1%. A curva do milho, cujo valor da produção no bioma chegou a R$ 11,2 bilhões no ano passado é semelhante.

No caso da pecuária, o destaque são os bovinos, cujo rebanho no bioma Amazônia somou 67,7 milhões de cabeças no ano passado, ou 31% do total nacional. São 36,1 milhões de cabeças a mais que em 2000 (alta de 114,1%). E na região as taxas de avanço ainda têm sido superiores à média nacional, o que mantém ligado o sinal de alerta de ambientalistas e consumidores no país e no exterior. “Ao mesmo tempo, no Brasil o ritmo de expansão foi bem menor na comparação: 28,4%. Consequentemente, o bioma ganhou participação no total do país, uma vez que, em 2000, o percentual era de 18,6% do total”, afirma o estudo do Observatório de Bioeconomia da FGV.

Essa expansão foi puxada pelo Pará, que contribuiu com 33,3% da expansão observada no bioma, mas Rondônia e Mato Grosso também registraram aumentos expressivos dos rebanhos bovinos. “No bioma Amazônia, todos os municípios possuem alguma quantidade de rebanho bovino. Os municípios com o maior número de cabeças de bovinos são: São Félix do Xingu (PA), Porto Velho (RO) e Vila Bela da Santíssima Trindade (MT). Juntos, eles representaram 9,03% do rebanho total da região em 2020”.

 

 


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