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Cuiabá MT, Sábado, 25 de Junho de 2022

AMBIENTE
Domingo, 01 de Maio de 2022, 14h:42

SETOR MADEIREIRO

MT tem área 2 vezes o tamanho de Cuiabá explorada ilegalmente

Além do impacto socioambiental, a exploração ilegal compete com quem trabalha corretamente, via manejo florestal

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Polícia Federal
61,2% ocorreram em imóveis rurais privados já cadastrados junto ao órgão ambiental, portanto, passíveis de fiscalização e responsabilização

Uma área equivalente a duas vezes o município de Cuiabá foi explorada ilegalmente para fins madeireiros, nos últimos oito anos, em Mato Grosso.

O tamanho corresponde a 40% do total explorado durante o período, de 1.627.358 hectares.

Considerando somente o que foi explorado de forma ilegal, ou seja, sem o plano de manejo florestal, 61,2% ocorreram em imóveis rurais privados já cadastrados junto ao órgão ambiental, portanto, passíveis de fiscalização e responsabilização.

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“A Sema (Secretaria de Estado de Meio Ambiente), desde 2019 - e,os números mostram isso -, tem aumentado o número de autos de infração e de embargos por crimes ambientais no Estado, principalmente, relacionado a desmatamento. Mas, existe uma lacuna a ser preenchida e a ser mais fortalecida para fazer essa fiscalização e responsabilização por exploração madeireira, que são coisas diferentes. O desmatamento é o corte raso da floresta e a exploração é quando se entra na floresta e se retiram algumas árvores, mantém-se alguma cobertura vegetal ainda que mínima. Mas, acontece que esta área fica no estágio de degradação”, informou o coordenador do programa de Inteligência Territorial do Instituto Centro de Vida (ICV), Vinicius Silgueiro.

Os dados são referentes ao período de agosto de 2012 a julho de 2020, e constam no “Portal de Inteligência Territorial”, lançado dia 28 de abril pelo ICV.

O levantamento mostra ainda que, comparando os anos de 2018 a 2020 com o período de 2015 a 2017, a área explorada ilegalmente no Estado teve um aumento de 31%.

A maior concentração se deu nos municípios de Colniza e Aripuanã, no Noroeste do Esrado, que, juntos, foram responsáveis por quase um quarto do total explorado no período.

Entre as espécies mais visadas estão o cedrinho,a  massaranduba, a garapeira e o ipê.

Para Silgueiro, da mesma foram que a Sema tem toda uma dinâmica para fiscalizar o desmatamento, é possível fazer o mesmo contra a exploração ilegal da madeira.  

“Inclusive, porque essa madeira que é explorada ilegalmente entra no mercado e compete com quem trabalha certo, com quem explora via manejo florestal e de forma legal. Além do impacto socioambiental que tem por gerar degradação e, geralmente os trabalhadores envolvidos nessa atividade ilegal não têm nenhuma segurança de trabalho, gera prejuízos econômicos para o próprio setorm porque essa madeira ilegal entra no mercado e acaba nivelando o preço por baixo, e causa prejuízos econômicos para o próprio Estado, uma vez que deixa de gerar divisas e impostos que poderiam ser arrecadados”, destacou.

Além da exploração madeireira, as informações apresentadas no portal abrangem temas como desmatamento, queimadas, restauração de áreas degradadas, povos indígenas e comunidades tradicionais, e iniciativas que facilitam a chegada dos alimentos produzidos por agricultores familiares da floresta à mesa da população.

“A ideia é dar visibilidade às principais ameaças, mas também às soluções e caminhos possíveis para a manutenção da floresta em pé, com uma produção de alimentos equilibrada do ponto de vista socioambiental e o fortalecimento dos povos indígenas, comunidades tradicionais e da agricultura familiar”, reforçou Silgueiro.


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