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Cuiabá MT, Terça-feira, 09 de Agosto de 2022

AMBIENTE
Terça-feira, 19 de Julho de 2022, 11h:00

DEVASTAÇÃO EM ALTA

MT e mais 3 estados respondem por 57% do desmatamento no país

Dentre os 10 municípios brasileiros que mais desmataram está Colniza, no Noroeste, com 22.656 hectares derrubados

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Divulgação
Mato Grosso respondeu por 11,47% do desflorestamento no ano passado

Juntos, Mato Grosso, Pará, Amazonas e Maranhão responderam por 57% do desmatamento detectado no Brasil em 2021.

Somente no Estado, foram 189.880 hectares derrubados ao longo do ano passado, o que corresponde a um aumento de 6% se comparado a 2020, quando a devastação atingiu 179.294 ha.

Em 2019, 201.668 ha foram desmatados no território mato-grossense.

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Dados como estes fazem parte do Relatório Anual de Desmatamento no Brasil, divulgado na segunda-feira (18) pelo do MapBiomas, uma rede colaborativa formada por organizações não-governamentais (Ong), universidades e startups de tecnologia, que revela as transformações do território brasileiro.

De acordo com o levantamento, o Brasil perdeu, entre 2019 e 2021, uma área de 42 mil km² de vegetação nativa, o que equivale a quase um estado inteiro do Rio de Janeiro.

Somente em 2021, foram 1.655.782 hectares destruídos, um aumento de 20% em relação ao ano anterior.

Já Mato Grosso respondeu por 11,47% do desflorestamento no ano passado.

O líder no ranking foi o Pará, responsável por 24,31% (402.492 ha) da área devastada no país, seguido do Amazonas, com 11,75% (194.485 ha).

“É a primeira vez, desde 2019, que o Amazonas ultrapassa o Mato Grosso e o Maranhão, ocupando o segundo lugar”, diz o documento.

O Maranhão respondeu por 10,09% do desmate (167.047 ha). Em média, 520 hectares foram devastados diariamente no território mato-grossense, em 2021.

O estudo usou como base os 69.796 alertas de desmatamento em 2021 feitos pelo Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em todo o país.

Ao cruzar os dados com as áreas protegidas, autorizações e o Cadastro Ambiental Rural (CARs), o MapBiomas achou irregularidades em 98,6% dos casos de desflorestamento.

Considerando os 50 municípios que mais desmataram, eles se concentram na região do arco do desmatamento na Amazônia (ao Sul dos estados do Pará e Amazonas e ao Norte de Mato Grosso na divisa com Amazonas) e também no Oeste da Bahia e na região do Matopiba.

Entre os 10 primeiros, está Colniza (1.065 km a Noroeste de Cuiabá) com 22.656 ha derrubados em 2021, correspondendo a um aumento de 14,9% em relação a 2020, quando foram devastados 19.726 ha no município.

Ná na lista das 50 cidades, aparecem ainda Aripuanã com 13.569 ha desmatados no ano passado, Nova Bandeirantes (12.970 ha), Marcelândia (8.257 ha), Apiacás (8.001 ha).

Em nível nacional, a análise apontou que 77% da área total desmatada está em imóveis rurais cadastrados no CAR."Isso significa que, em pelo menos 3/4 dos desmatamentos, é possível encontrar um responsável", diz o MapBiomas.

Ao todo, foram 59.181 imóveis com desmatamento detectado no país em 2021 —0,9% dos imóveis rurais cadastrados no CAR até o ano passado.

Destes, 19 mil são reincidentes. Os setores responsáveis pela derrubada no período foram a agropecuária (97,8%), garimpo (0,6%), expansão urbana (0,2%), mineração (0,1%), e outros (1,3%).

Um dado que chama atenção é que, nos últimos três anos, houve crescimento do desmatamento em todas as categorias fundiárias, exceto em terras indígenas. Para os pesquisadores do MapBiomas, isso "reforça a importância desses territórios para a preservação ambiental".

Também em 2021, 69,5% da área desmatada estava em propriedades privadas; 19,9% em terras públicas; 5,3% em áreas protegidas; 3,6% em unidades de conservação; e somente 1,7% em terras indígenas.

Os números do relatório apontam que a Amazônia foi a que mais perdeu vegetação nativa no Brasil nos últimos três anos.

Ao todo, foram 977 mil hectares de mata destruídos no ano passado, 15% a mais que os 851 mil desmatados em 2020, que já haviam representado um aumento de 10% em relação a 2019.

Somente na Amazônia, 1,9 hectare foi desmatado por minuto, o que equivale a cerca de 18 árvores por segundo.

O documento revela ainda que, no período analisado, os órgãos de controle ambiental para conter o desmatamento ilegal (Ibama e ICMBio) só atingiram, até maio deste ano, apenas 2,4% dos desmatamentos e 10,5% da área desmatada identificada entre 2019 e 2021.

"Para resolver o problema da ilegalidade é necessário atacar a impunidade. O risco de ser penalizado e responsabilizado pela destruição ilegal da vegetação nativa precisa ser real e devidamente percebido pelos infratores ambientais", disse, em nota, Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas.

Para isso, seria preciso atuar em três frentes.

"É necessário assegurar que todo desmatamento seja detectado e reportado; que todo desmatamento ilegal receba ação de responsabilização e punição dos infratores; e que o infrator não se beneficie da área desmatada ilegalmente e receba algum tipo de penalização", conclui.


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