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Cuiabá MT, Segunda-feira, 16 de Maio de 2022
AGRONEGÓCIOS
Sábado, 22 de Maio de 2021, 09h:14

CONFINAMENTO 2021

Oferta de bois pode ser 20% menor em 2021, segundo instituto

Imea estima rebanho de 606.134 mil cabeças de bovinos. Pressão sobre o quilo da carne deverá seguir ao longo do ano

MARIANNA PERES
Da Reportagem
Divulgação
O Estado de Mato Grosso tem o maior rebanho de bovinos do País

A falta de interesse em confinar bovinos em 2021, em Mato Grosso, pode perpetuar a pressão de alta sobre os preços do quilo da carne no varejo, ao longo do ano.

Dados apurados pelo Instituto mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) revelam que o confinamento de animais no Estado deve reduzir em até 20%, na comparação com o consolidado no ano passado.

Nesse primeiro levantamento de intenção de confinamento, o Imea estima rebanho de 606.134 mil cabeças de bovinos, recuo de 3,30% no comparativo com o levantamento do mesmo período do ano passado.

Já quando se analisa o consolidado de 2020, em 759.233 animais, a queda é mais intensa, de 20,16%.

A menor oferta de bovinos terminados em cocho reflete diretamente o ânimo dos pecuaristas nesse primeiro quadrimestre de 2021. Cerca de 50% dos pecuaristas entrevistados pretendem confinar neste ano, enquanto 15,08% não têm previsão e 34,92% não irão confinar.

“Quando se compara esse resultado com os anos anteriores, observa-se que o percentual daqueles que pretendem confinar é o menor dos últimos cinco anos, sendo em 2016 o menor resultado para o período (46,47%). Em sentido oposto, a quantidade de informantes que não irão confinar é o maior nesse mesmo comparativo”, apontam os analistas.

Esse recuo anual foi puxado pelos pequenos confinamentos, visto que os maiores têm a intenção de incrementar o seu rebanho no intuito de aproveitar os elevados patamares da arroba.

Eentre as principais preocupações dos confinadores, destacaram-se a alta nos preços dos insumos e a baixa lucratividade.

“Apesar de apenas metade da amostra informar que pretende confinar este ano, as principais preocupações que foram levantadas por eles estão relacionadas à suplementação animal, uma vez que os insumos têm apresentado incrementos significativos em suas cotações, como também a aquisição de animais, já que todas as categorias dos animais mais jovens seguem com os preços em patamares recordes”.

Outro ponto de atenção se volta para a compra dos animais, uma vez que apenas 23,13% estão garantidos até o momento. Quando se analisa o mesmo período do ano anterior, esse resultado era de 56,40%.

Com relação às regiões, a centro-sul e a nordeste foram as que mais impactaram o resultado, as quais estimam queda no rebanho de 48,80% e 36,42%, respectivamente.

Entre as regiões que apresentaram maior incremento no volume de animais a serem confinados estão a norte (+184,62%) e a médio norte (+116,75%).

A primeira foi influenciada pelo sistema mais usual da região - cria e ciclo completo - sendo assim, as preocupações com a aquisição de animais foram menos abordadas pelos produtores.

O aumento do rebanho na região médio norte foi justificado pela agricultura, uma vez que os municípios que a compõem atuam fortemente com a produção de grãos e isso tende a facilitar a obtenção dos insumos por preços mais acessíveis.

ENTRAVES - No que tange à preocupação com os insumos (34%), o principal fator que deu sustento para este cenário foi, principalmente, a cotação do milho e farelo de soja, já que correspondem com a maior parcela da dieta desses animais.

Para se ter ideia, em abril de 2021 o preço do milho disponível aumentou 88,48% no comparativo anual, enquanto o farelo de soja subiu 62,81%.

Outros gargalos como as preocupações relacionadas às incertezas de lucratividade da propriedade (27%), o preço da reposição (12%) e o preço do boi gordo (15%), também foram pontos levantados pelos pecuaristas do Estado e que influenciam e vão influenciar diretamente na tomada de decisão em relação a confinar e quanto confinar.

“Neste ano de 2021 todas as categorias dos animais de reposição apresentaram acréscimos relevantes no seu indicador. Em especial, àquelas categorias mais procuradas para confinamento como o garrote e o boi magro, resultaram no aumento de 72,32% e 71,17%, respectivamente, no comparativo anual”, apontam os analistas do Imea.

HORA DA OFERTA – Em relação à entrega desses animais, diante da maior cautela por parte dos produtores, a venda está prevista para ocorrer de forma tardia ao comparar com os anos anteriores.

Em números, estima-se que cerca de 20% dos animais – dos mais de 606 mil que deverão ser confinados no Estado nesse ano - serão entregues em dezembro de 2021, enquanto o menor volume ocorre em maio e junho, que juntos somam 4% dos envios de bovinos ao abate.

Além dos fatores mencionados, as preocupações dos pecuaristas se voltam também para o comportamento da demanda por carne bovina, que tem sido ainda tem sido uma incógnita.

“Isto porque, no mercado interno o país ainda vivencia a crise gerada pelo novo coronavírus. Apesar da liberação dos auxílios emergenciais, as parcelas estão menores, e isso pode acarretar o menor consumo doméstico. Dito isso, as cotações da arroba do boi gordo podem ser pressionadas. No mercado internacional, as preocupações se voltam, principalmente, para o consumo da China, uma vez que o país continua aumentando seu rebanho de suínos de forma mais intensiva nos últimos anos”, explicam os analistas responsáveis pelo estudo.

E acrescentam: “É importante destacar que essas preocupações levantadas foram, em sua maioria, pelas fazendas com capacidade para confinar menos que 4.000 animais (maior parcela da amostra). Inclusive, foram elas que destacaram a possibilidade de confinar menos cabeças que o ano passado. Já os confinamentos maiores relataram que pretendem confinar uma quantidade maior que o realizado no ano anterior”.

Apesar dos preços futuros apresentarem certa estabilidade na cotação da arroba do boi gordo, é valido ressaltar que a quantidade de pecuaristas que informaram ter realizado contratos à termo ou o travamento de preços na B3 - em Bolsa - ainda é muito baixo.

Em números, esse resultado foi de 0,80% e 5,62%, respectivamente

NO COCHO - O confinamento é uma técnica bastante utilizada pelos pecuaristas para driblar o período de seca, quando há deficiência na oferta de pasto.

Os animais passam pela etapa de engorda dentro de um sistema intensivo – destinado à terminação dos bovinos, ou seja, engorda para o abate – que contempla o manejo e alimentação de animais por meio de cochos com dieta balanceada e água, com o objetivo de obter animais com melhores condições produtivas para o abate.

A técnica é uma opção indicada tanto para criadores envolvidos em todas as etapas da produção, desde o nascimento até o abate, como apenas para a fase final da engorda, nesse caso com o objetivo de otimização do acabamento de carcaça.

INFORMAÇÕES – Esse primeiro levantamento das intenções de confinamento em Mato Grosso contou com a participação de 126 pessoas, sendo elas técnicos, gerentes, secretários e/ou proprietários.

A amostra contou com 175 unidades de confinamento, representando 72% da amostra. 


1 COMENTÁRIO:







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MARCELO RODRIGO DA SILVA NEVES  22-05-2021 15:59:55
Se manter este índice, a população pagará o preço, termos menos oferta do produto e demanda muito alto do mercado externo com o dólar alto,tornando mais atrativo a venda para este mercado,deixando interno desabastecido, está bom o governo começar a priorizar o mercado interno para o povo não ter que pagar R$ 70,00 o Kg de carne.

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