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Cuiabá MT, Domingo, 12 de Julho de 2020
POLÍTICA
Terça-feira, 30 de Junho de 2020, 14h:15

MÁFIA DAS FALÊNCIAS

PF mira magistrados suspeitos de vender sentenças em Goiás

Há indícios de corrupção, tráfico de influência, exploração de prestígio, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro

JOÃO VALADARES
Da Folhapress - Recife

A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta terça-feira (30), oito mandados de busca e apreensão em endereços de empresários, advogados e magistrados do TJ-GO (Tribunal de Justiça de Goiás) suspeitos de envolvimento em esquema de venda de sentenças judiciais.

A Procuradoria da República em Goiás informou que os policiais federais também recolheram documentos em uma empresa ligada aos envolvidos. Dois desembargadores e um juiz estão entre os alvos da operação.

A investigação corre em segredo de Justiça. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.

As ordens judiciais foram determinadas pelo ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Mauro Campbell.

A operação desta terça-feira, conforme informou a assessoria de comunicação social da PGR (Procuradoria-Geral da República), é um desdobramento da operação Máfia das Falências, que havia sido iniciada em primeira instância.

A descoberta de indícios de participação de magistrados com prerrogativa de foro no STJ fez com que as investigações passassem a ser conduzidas pela PGR.

Há indícios dos crimes de corrupção, tráfico de influência, exploração de prestígio, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro.

Os dois desembargadores e um juiz do TJ-GO são investigados por suspeita de participação em organização criminosa envolvida com a venda de decisões judiciais em processos de recuperação judicial de empresas.

A PGR informou que, na petição enviada ao STJ, a subprocuradora-geral da República Lindôra Araujo descreve dois fatos criminosos.

Um deles estaria relacionado à tentativa de nomeação de administrador específico para atuar no processo de recuperação judicial de uma usina de álcool para a obtenção de lucros.

Outro possível crime envolve o pagamento de R$ 800 mil a um desembargador para que fosse autorizado o retorno de um investigado ao cargo de administrador judicial da usina.

Durante o cumprimento dos mandados judiciais, foram apreendidos documentos e aparelhos celulares que estavam em poder dos investigados.


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