Diario de Cuiabá

Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2021, 15h:55

Na volta ao TCE, Joaquim diz que foi vítima de "uma trama"

Conselheiro acusou os ex-governadores Silval e Taques de manobra para afastá-lo do tribunal

KAMILA ARRUDA
Da Reportagem

A sessão do Pleno do Tribunal de Contas do Estado (TCE), nesta terça-feira (23) foi marcada pelo retorno dos conselheiros Antônio Joaquim e José Carlos Novelli.

Ambos reassumiram os postos após mais de três anos afastados, sob acusação de prática de corrupção. O afastamento foi decidido pelo STF. 

Antônio Joaquim fez um discurso de mais de 40 minutos, no qual afirmou ter sido “vítima de uma rancorosa e maldosa trama” dos ex-governadores Silval Barbosa e Pedro Taques. 

“Há dias, desde quinta-feira, quando soube da decisão, me debato com dois sentimentos distintos, quase antagônicos: alívio por receber a notícia de que a Justiça começa ser restaurada. O segundo não é tão bom, é um sentimento de revolta, por ver escancarada uma certeza que sempre tive, ao longo desses três anos: ser vítima de uma rancorosa e maldosa trama”, disse.

De acordo com ele, esse período em que esteve fora do Tribunal de Contas foi devido a vingança e interesses políticos.

Para o conselheiro, Silval o incluiu em sua delação premiada devido à sua “atuação vigilante contra sua gestão”.  

Já Taques estaria com receio de enfrentálo nas urnas, uma vez que a sua intenção era disputar a eleição para o Governo do Estado em 2018.

Diante disso, Antônio Joaquim afirmou que o ex-gestor “não mediu consequências para se livrar de um possível adversário”. 

“De um lado, uma vingança ardilosa do ex-governador Silval Barbosa contra minha atuação vigilante contra sua gestão. Apontei, em mais de 12 relatórios, as mentiras que eram contadas. Somente a este fato, deduzo ter sido citado na sua delação. Do outro lado, pesou a mente raivosa do então governador Pedro Taques, em conluio com seu ex-colega de procuradoria, Rodrigo Janot. Não mediu consequências para se livrar de um possível adversário”, disse.

Antônio Joaquim ainda aproveitou a oportunidade para reforçar a sua tese de inocência.

Ele afirmou que não cometeu nenhum crime e afirmou que espera ser chamado para prestar depoimento na Justiça. 

““Não cometi nenhum crime, nenhuma ilegalidade – sou absolutamente inocente. No âmbito do processo que ainda não existe, porque não fomos nem denunciados formalmente, discutiu-se a questão do afastamento. Se eu for chamado no processo, porque diferentemente do que se disse e noticiou, e do que se falou, eu sempre fui o conselheiro que contradizia o Governo da época, apresentei uma dúzia de relatórios e várias coisas contra”, completou. 

O discurso de José Calos Novelli, por sua vez, foi mais ameno.

Ele afirmou que não precisa reforçar a sua inocência porque "já está nítida".

“Nem vou defender minha inocência porque ela está restabelecida. Se depois de três anos, sigilo bancários e fiscais quebrados, não preciso mais provar nada, agora com parecer favorável do MPF para nosso retorno, com a decisão do ministro, esse passado é o passado: triste, dramático, como retratou, mas passou”, completou.  


Fonte: Diario de Cuiabá

Visite o website: www.diariodecuiaba.com.br