Diario de Cuiabá

Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2021, 10h:08

A história de quem sobrevive ao alcoolismo e ajuda outros doentes

O alcoolismo é considerado pela OMS uma doença para a qual não se descobriu a cura ou vacina

ALECY ALVES
Da Reportagem

Quem convive com dependente de álcool sabe o quanto essa doença é prejudicial à saúde física e mental do ser humano.

Sabe, também, que os danos não se limitam àqueles que abusam do álcool.

São extensivos à família, aos pais, mulher, marido, filhos e outros, assim como à sociedade em geral.

O alcoolismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma doença para a qual não se descobriu a cura ou vacina. Portanto, exige tratamento permanente, pela vida toda.

"Para o doente, não existe beber um dia para celebrar algo. Que vai beber de boa naquele dia e no seguinte estará bem, se beber. Essa é uma doença que tem características progressivas: se bebe um dia, quer no seguinte e depois. Estamos em tratamento permanente não importa há quanto anos sem beber".

Esse é o trecho do depoimento de Antônio, um aposentado de 68 anos, que está sóbrio há 34 anos e quatro meses, mas que sabe que, se voltar a consumir álcool, mergulhará no drama que viveu por décadas.

Antônio conta que começou a beber, como "brincadeira", aos 10 anos, os restos de licores servidos nas festas religiosas que a mãe promovia.

No ensino fundamental, bebia eventualmente; já no ensino médio, passou a consumir álcool com mais frequência.

Entretanto, foi na época da faculdade, no último ano, que passou a beber mais, ao ponto de faltar às aulas para continuar em bares com amigos.

E, segundo ele, quando conseguiu um bom emprego e passou a ganhar bem, aí, sim, a bebida ganhou espaço em sua vida.

Por um tempo, conseguia beber só nos finais de semana; depois, passou a consumir em dias úteis e a faltar ao trabalho.

Passava noites e dias em bares, não se alimentava e não trabalhava.

Amanhecia de ressaca e voltava a beber "para melhorar". E sempre cerveja, sua bebida preferida.

Chegou ao ponto de fugir, mudar de bar para não ser encontrado pela assistente social da empresa onde trabalhava.

"Por que você bebe tanto?" Antônio não soube responder à pergunta da assistente social, na visita em que ela conseguiu encontrá-lo em casa.

E foi dela que ouviu a sugestão para buscar ajuda no AA (Associação dos Alcoólatras Anônimos).

Desde que foi recebido no AA, ouviu o depoimento da dependente que passou por cinco internações em unidades psiquiatra e assistiu à primeira reunião,

Antônio não parou mais de frequentar as reuniões.

Depois de retomar o controle da própria vida, sem a presença do álcool, Antônio passou a ser um servidor.

"Aqui, damos de graça o que recebemos de graça, o tempo que nos dedicaram", ensina Antônio.

Atualmente, ele trabalha na Comissão de Cooperação com Comunidade Profissional, uma divisão que funciona como ponte entre outros setores profissionais.

É que as ações do AA não se limitam às reuniões em grupo, também abre portas para outros serviços que os doentes precisam (educação, saúde terapêutica, assistência social, Judiciário...).

De acordo com ele, em Mato Grosso, há mais de 50 grupos do AA, 16 deles em Cuiabá e três em Várzea Grande.

Por causa da pandemia da Covid-19, a maioria das reuniões está sendo virtual, mas há grupos retomando encontros presenciais com número reduzido de participantes.

Para descobrir o grupo mais próximo de sua casa, basta fazer contato na Associação Central, pelo telefone 3321-1020.

Obs: Por ser um serviço tem o anonimato como princípio, não se divulga nome e nem imagem dos entrevistados.


Fonte: Diario de Cuiabá

Visite o website: www.diariodecuiaba.com.br