Diario de Cuiabá

Sexta-feira, 11 de Maio de 2018, 19h:23

Editais não contemplam 20% dos equipamentos

Os 32 itens listados em editais são equipamentos simples, baratos e acessíveis

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

Editais de licitação para aquisição dos equipamentos que deverão ser destinados ao novo pronto-socorro municipal (PSM) de Cuiabá não contemplam nem 20% dos itens a serem adquiridos para o hospital, a principal unidade hospitalar em urgência e emergência de Mato Grosso. A situação pode adiar novamente a entrega do novo complexo hospitalar, que está sendo construído no Bairro Ribeirão do Lipa, próximo ao Centro de Eventos do Pantanal. Inicialmente, a obra estava prevista para abril passado durante o aniversário da capital, mas foi transferida para o fim deste primeiro semestre. “Os quatro editais licitam apenas o mínimo do que é necessário para a unidade de saúde. Os 32 itens listados são equipamentos simples, baratos e acessíveis. A população cuiabana está prestes a ser vítima de uma nova traição. Temo que tal situação direcione a administração pública a terceirizar o serviço do novo pronto-socorro”, denunciou o vereador Gilberto Figueiredo. Figueiredo lembra que, em novembro de 2017, foi estabelecido um acordo, por meio de ofício, entre o prefeito Emanuel Pinheiro, a bancada federal de Mato Grosso e o Governo do Estado que previa o repasse de R$ 82 milhões à prefeitura, sendo R$ 35 milhões de transferência imediata. O convênio visava justamente a compra dos equipamentos para o novo hospital, mas o dinheiro já foi recebido pelo Governo do Estado e, até o momento, não foi repassado ao município. “Sabe o que aconteceu de lá para cá? Nada. Nenhum centavo foi depositado nos cofres da Prefeitura. Também não vejo o atual prefeito preocupado com a situação”, afiançou. Uma das preocupações do vereador é que, mesmo tendo sido previsto o montante para a aquisição da estrutura de saúde, a ausência do repasse do dinheiro e a morosidade deste processo resultem futuramente na locação de equipamentos. “Tudo indica que há uma intenção velada para que não haja a aquisição dos equipamentos mais importantes para o funcionamento do pronto-socorro. A locação de equipamentos hospitalares é lícita, mas é injusto que a população cuiabana pague esse custo sendo que existe um dinheiro, a fundo perdido, destinado para a aquisição”, acredita. Em abril, Figueiredo vistoriou a obra da nova unidade juntamente aos outros vereadores da Câmara Municipal e também teve acesso e analisou os editais para a aquisição de equipamentos hospitalares por meio do Diário Eletrônico do Tribunal de Contas do Estado (TCE). No próximo dia 18 de maio, ele informou que terá uma reunião com o governador Pedro Taques (PSDB), ocasião em que será cobrado o repasse da verba à prefeitura. A nova unidade está sendo construída em uma área de 21 mil metros quadrados de extensão e contará com três grandes setores. Estão previstos 315 leitos, sendo 40 para unidades de terapia intensiva (UTI), um centro de diagnósticos, o que deverá evitar que os exames necessários sejam feitos em outros lugares e, ainda, um centro ambulatorial, com consultas e leitos para internação suficientes para qualquer tipo de atendimento. Até o fechamento da reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) não havia se posicionado sobre o assunto.

Fonte: Diario de Cuiabá

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