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Cuiabá MT, Segunda-feira, 13 de Julho de 2020
ILUSTRADO
Segunda-feira, 09 de Julho de 2018, 17h:34

CINEMA

Tributo à grandiosidade de Ingmar Bergman

Nove filmes do diretor sueco, que se estivesse vivo completaria 100 anos neste mês, estarão em cartaz no Sesc Arsenal a partir de hoje até dia 15

JUAREZ COMPERTINO
Especial para o DIÁRIO
Neste julho de 2018, o mundo celebra o centenário de nascimento de Ingmar Bergman (1918-2007), um dos maiores gênios da história do cinema. Nascido em 14 de julho de 1918 na cidadezinha de Upsalla, na Suécia, Ernst Ingmar Bergman, além de um dos maiores realizadores de todos os tempos, também, foi um dos grandes ícones da cultura mundial do século 20. Eventos comemorativos estão sendo realizados em diversos paises e o Brasil não é exceção. Projeto do Sesc Nacional, a Mostra “O Lobo à Espreita: Uma Homenagem ao Centenário de Ingmar Bergman” reúne nove títulos do genial diretor, em cópias restauradas em digital, que serão exibidas simultaneamente em todas as unidades da sua rede, incluindo o Sesc Arsenal aqui, de hoje, 10 à 15 deste mês em sessões gratuitas (confira a programação no box). Precursor do cinema moderno surgido após a II Guerra Mundial, a obra de Bergman é extensa e prolífica, com mais de cinquenta filmes, roteiros e, ainda, trabalhos para a TV e peças para o teatro. Para compreender obra do diretor é importante destacar a influência da tradição teatral sueca, nórdica, e nomes como de Henrik Ibsen, Soren Kierkegard e August Strindberg nos dão pistas para pensar a obra do realizador. Fato é que o teatro foi a grande paixão de Bergman, tendo encenado mais de uma centena de montagens no Royal Dramatic Theater, em Estocolmo, mas foi sobretudo o seu cinema existencialista, austero e exigente, com freqüência de difícil de acesso, que traz uma reflexão perturbadora das suas investigações sobre a natureza humana, que lhe deu fama e sucesso no exterior mais do que no seu próprio país. Os filmes de Bergman exploram as angustias existenciais do homem moderno, por meio de narrativas densas e complexas utilizando ao máximo as possibilidades da linguagem cinematográfica. O cineasta trabalhou de forma única com temáticas densas e delicadas de forte carga existencial, tais como: a solidão, a morte e, ainda, o erotismo e a religião. Todos esses temas explorados muitas vezes de forma violenta e beirando o absurdo. Uma das características marcantes de seus filmes é o uso do flashback, como também a interação dos personagens com a câmera, em possível diálogo com o espectador. Aliás, Bergman é um dos realizadores que mais soube filmar rostos e expressões de pura angústia. O diretor foi premiado diversas vezes nos festivais de Veneza, Berlim e Cannes. O reconhecimento internacional aconteceu com o “O Sétimo Selo” (1956), com o Prêmio do Júri do Festival de Cannes. Sua obra influenciou dezenas de cineastas, incluindo Stanley Kubrick, Andrei Tarkovski, Theo Angelopoulus, Akira Kurosawa, Lars Von Trier e Woody Allen, que o idolatrava e que o homenageou com sua comédia “A Última Noite de Boris Grushenko” e, certa vez, disse: “Acima de todos existe Ingmar Bergman, provavelmente o maior cineasta que existiu desde a invenção da câmera”. Também lançou ao estrelato nomes até então desconhecidos como Liv Ulmann, Bibi Anderson, Ingrid Thulin, Erland Josephson e Max Von Sydow. Bergman foi um dos fundadores da Academia Européia de Cinema, foi indicado ao Oscar nove vezes, vencendo como Melhor Filme Estrangeiro três vezes. Em 1971 ele foi premiado com o Prêmio Memorial Irving G. Thalberg, que é concedido a figuras importantes da indústria. Na sua 50ª edição, em 1977, o Festival de Cannes organizou uma enquete com 29 diretores que tiveram seus filmes laureados com a Palma de Ouro (entre eles Martin Scorsese, Michelangelo Antonioni, o brasileiro Anselmo Duarte, Francis Ford Coppola e Costa-Gravas) que deveriam eleger um colega para receber um prêmio especialíssimo do evento, a Palma das Palmas. O escolhido foi Bergman, que sabe-se lá, porque, nunca recebeu a Palma de Ouro. Artista irascível, Bergman rejeitava as premiações. Casado cinco vezes e pai de nove filhos, Bergman deu depoimentos de sua vida e trabalho em dois grandes livros autobiográficos “Lanterna Mágica” e “Imagens”, que revelam a origem de seu fascínio pelo cinema. Ingmar Bergman morreu no dia 30 de julho de 2007, aos 89 anos, em sua casa na Ilha de Farö, localizada no mar Báltico, onde passou em retiro os últimos anos de vida. Deixou como legado uma extensa filmografia espantosa, viva, experimental, imersiva, a espaços chocantemente moderna na maneira como aborda visualmente os sentimentos e deles nos faz cúmplices. Arte e seu ensaio em estado puro. Mas no sentido profundo do termo. Para ver e rever, em rara e imperdível oportunidade, a Mostra “O Lobo à Espreita: Uma Homenagem ao Centenário de Ingmar Bergman” memoriza obras responsáveis pela evolução do cineasta referência de muitos e é um bom momento para olhar para trás e considerar que o seu trabalho 100 anos depois do seu nascimento não corre o risco de ser esquecido. Os filmes de Ingmar Bergman dão-se bem com o tempo. Prova inegável de que o poder do cinema de tocar a alma humana é pelo menos igual ao de qualquer outra forma de arte que já existiu. - Grande Bergman! QUADRO Mostra “O Lobo à Espreita – Uma Homenagem ao Centenário de Ingmar Bergman” 10/07 às 18h30 FACE A FACE (1976) Direção: Ingmar Bergman. Elenco: Liv Ullmann, Erland Josephson A Doutora Jenny Isaksson é uma psiquiatra casada. Ela e o marido são bem-sucedidos em seus empregos, mas, lenta e dolorosamente, ela passa a ser assombrada por imagens e emoções de seu passado que a levam a uma depressão profunda. 10/07 às 20h30 A HORA DO LOBO (1968) Direção: Ingmar Bergman Elenco: Max Von Sydow, Erland Josephson, Liv Ullmann, Ingrid Thulin O pintor Johan e sua esposa grávida, Alma, se retiram para uma ilha isolada. Johan é consumido por demônios do passado e por constantes alucinações. Alma tenta ajudá-lo a manter a sanidade e controlar sua obra. Mas durante a escuridão entre a noite e o amanhecer, a chamada “hora do lobo”, os medos de Johan podem se concretizar... 11/07 às 18h30 MORANGOS SILVESTRES (1957) Direção: Ingmar Bergman Elenco: Bibi Andersson, Gunnar Björnstrand, Ingrid Thulin, Victor Sjöström IsakBorg um velho professor de medicina, reavalia sua vida enquanto viaja até a cidade da universidade em que se formou para receber um título de doutor Honoris Causa. O Doutor Borg vai com sua estranha nora, Marianne e revisita muitos marcos de seu passado, em especial as memórias de sua família e de Sara. Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim e do Globo de Ouro de Melhor Filme Estangeiro 11/07 às 20h30 VERGONHA (1968) Direção: Ingmar Bergman Elenco: Max Von Sydow, Liv Ullmann, Gunnar Björnstrand Em meio a uma guerra civil na região báltica, um casal de violinistas que se diz apolítico vive isolado em uma ilha, onde se sustentam com o cultivo e a venda de produtos da terra. Essa vida alienada acaba quando um grupo de soldados invade a ilha. A partir desse momento, eles não poderão mais ficar alheios a tudo o que acontece e terão de lidar com as misérias, a destruição e os horrores da guerra. 12/07 às 18h30 PERSONA (1966) Direção: Ingmar Bergman Elenco: Bibi Andersson, Gunnar Björnstrand, Jörgen Lindström, Liv Ullmann Elisabet Vogler é uma atriz que ficou muda de repente, e seu tratamento acontece em uma pequena vila à beira-mar, sob os cuidados da enfermeira Alma. As duas passam tempo juntas, com Alma sempre falando sem ter respostas e confiando cada vez mais em Elisabet, contando-lhe seus segredos mais íntimos. Mas lendo uma carta escrita pela atriz, Alma descobre que é vista como um objeto de estudo. A relação entre as duas mulheres se torna tensa, mas ajudará a ambas a lidarem com suas identidades e seus problemas psicológicos. 12/07 às 20h30 O SÉTIMO SELO (1956) Direção: Ingmar Bergman Elenco: Anders Ek, Bengt Ekerot, Max Von Sydow. No século 14, depois de dez anos de luta nas cruzadas, o cavaleiro sueco Antonius Block volta a seu país e o encontra assolado pela peste negra. A Morte surge diante do cavaleiro e quer levá-lo consigo. Antonius pede um adiantamento da pena, durante o qual jogará uma partida de xadrez com a morte. 13/07 às 18h30 SONATA DE OUTONO (1978) Direção: Ingmar Bergman Elenco: Ingrid Bergman, Liv Ullmann Depois de oito anos sem se ver, mãe e filha se reencontram. A mãe é uma famosa concertista que, após a morte do empresário (e namorado), vai passar uma temporada na casa da lha casada com um pastor. Tudo parecia bem até que uma simples sonata detona alguns rancores do passado, em uma espécie de acerto de contas. Oscar de Melhor Atriz para Ingrid Bergman e de Melhor Roteiro para Ingmar Bergman 13/07 às 20h30 NA PRESENÇA DE UM PALHAÇO (1997) Direção: Ingmar Bergman Elenco: Börje Ahlstedt, Marie Richardson, Erland Josephson, Pernilla August Outubro de 1925. O engenheiro Carl Åkerblom, fervoroso admirador de Schubert, é internado em um hospital psiquiátrico em Uppsala. De seu quarto, ele alimenta o revolucionário projeto de inventar o cinema falado. Com a ajuda do professor “louco” Osvald Vogler, o diretor Åkerblom improvisa uma história de amor contando os últimos dias de Schubert. 14/07 às 18h30 A HORA DO LOBO (reprise) 14/07 às 20h30 MORANGOS SILVESTRES (reprise) 15/07 às 18h30 O SÉTIMO SELO (reprise) 15/07 às 20h30 FANNY E ALEXANDER (1982) Direção: Ingmar Bergman Elenco: Erland Josephson, Ewa Froeling, Gunn Walgren, Jan Malmsjoe, Pernilla Allwin O garoto Alexander e sua irmã Fanny são membros de uma poderosa família de artistas liberais do início do século 20. Depois da morte do pai, os irmãos vão morar com o padrasto e são criados em meio ao rígido puritanismo luterano do bispo Vergerus. Vencedor de 4 Oscars, incluindo Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Fotografia, em 1984

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