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Cuiabá MT, Domingo, 12 de Julho de 2020
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Sábado, 30 de Maio de 2020, 00h:00

TV-CORONAVÍRUS

Sucesso dos programas possíveis no isolamento

Pandemia faz ostentação perder espaço para formatos caseiros na grade da TV

CRISTINA PADIGLIONE
Da Folhapress - São Paulo
Conversa com Bial

Clichê antigo, a história de que televisão é trabalho em equipe continua valendo na pandemia, mas não necessariamente como equivalência de aglomeração.

No esforço de criar ideias capazes de ultrapassar a mesmice das reprises e das lives de shows, canais como Discovery Home & Health e Multishow e Globo se sobressaem ao inventar programas possíveis no isolamento.

Em 60 dias de quarentena, o pessoal do Discovery Home & Health criou e começou a gravar um novo formato, não por acaso, uma competição culinária –"Tem Chef em Casa" estreia em 26 de junho.

"Trabalho em TV há 20 anos e foi a primeira vez que dirigi um piloto [programa teste] no [aplicativo] Zoom", diz Adriana Cechetti, diretora de produção da Discovery Networks Brasil.

Com vários programas culinários no menu, o Discovery H & H tem motivos extras para investir no tema. "As pessoas nunca cozinharam tanto em casa nos últimos anos como agora", ressalta Cechetti.

Além disso, comida é a última coisa que as pessoas cortam em uma crise econômica, e o consumo do segmento alimenta os anunciantes do setor, os últimos a sucumbir. A mais de um mês da estreia, o "Tem Chef em Casa" fechou contrato com três marcas do seu nicho.

O programa põe dois chefs diferentes para duelar a cada um dos cinco episódios da série. Cada um fica na sua casa, contando com um ajudante –vale marido, mulher, filho ou quem estiver por ali. Profissional, o titular da competição só pode orientar, sem botar a mão na massa, tendo como missão produzir dois pratos em uma hora a partir de uma cesta de ingredientes que a produção entrega na sua porta.

A cesta contém ainda um kit de bilhetinhos da sorte que só poderão ser abertos quando a apresentadora, Carol Fiorentino, autorizar.

Assim como ela, talento do canal Food Network, do grupo Discovery, a maioria do time de chefs é formada por grifes que já são do elenco da casa, como Emmanuel Bassoleil, Carlos Bertolazzi, Danielle Dahoui, Luíza Hoffmann e Pedro Bonoliel.

Ao final do episódio, cada chef deve ser honesto em relação ao resultado dos pratos. A distância, sem poder dar aquela garfada de jurada, Carol avaliará visual, higiene, paciência, criatividade e aproveitamento de ingredientes. Mas prêmio físico não há: só o prazer de um chef derrotar o outro na fogueira de vaidades da cozinha.

Embora a conexão seja feita por videoconferência, a finalização técnica pede um toque televisivo. "Se fosse um programa para plataformas online, tudo bem filmar só no celular, mas a TV ainda pede uma qualidade técnica maior. O problema é sempre o áudio, ainda mais em conexões via internet", conta Cechetti.

"Deu um trabalhão, fizemos vários testes. A Carol filmou vários ângulos da casa dela e a gente ia dizendo: 'esse sim', 'esse não', foi tudo desse jeito."

Cada chef recebeu um kit de produção: um celular, microfones e uma câmera Go-Pro, que cabe na palma da mão. Uma equipe técnica remota fica disponível para socorrer os participantes com conexão, luz, som e enquadramento.

Cechetti acredita que a finalização da produção para a TV continua a exigir qualidade extra em relação às produções de internet, mas concorda que as descobertas do momento resultarão em soluções mais simples para a TV pós-Covid-19.

A ostentação deve perder espaço. A criatividade de criar formatos fora da curva também teve boas demonstrações no Multishow, que neste mês lançou o "Anitta Dentro da Casinha", todo gravado pela cantora em sua casa.

Ainda em abril, o Multishow colocou no ar o "Vai Passar!", programa de humor feito de modo totalmente remoto, com cada um na sua casa, igualmente com cuidados de TV.

Atores, roteiristas e produtores se juntaram de modo voluntário para criar 15 minutos de esquetes sobre o isolamento, tema que também tem motivado os vídeos do Porta dos Fundos na internet, com finalização que em nada deixa a dever para os padrões de TV.

Marcelo Adnet tem feito o mesmo com "Sinta-se em Casa", série de curtas edições diárias em que ele, sozinho, em casa, se desdobra em vários personagens inspirados no noticiário das 24 horas anteriores –dia sim, dia também, tem paródia de Jair Bolsonaro.

A série está no Globoplay e é aberta a não assinantes.

Recentemente, o "Zorra", humorístico das noites de sábado da Globo, resolveu inserir pelo menos dois esquetes inéditos por semana em meio às reprises. De novo, toda a produção se dá entre as casas do redator, do ator e do editor.

O próprio "Conversa com Bial", retomado no último dia 18, embora siga o trivial das entrevistas que tem inundado a internet, fez até abertura nova sob os princípios do distanciamento. Aliás, em todos esses casos, um bom trabalho de edição salva o acabamento profissional das produções domésticas.

 


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