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Quinta-feira, 13 de Agosto de 2020, 00h:00

NETFLIX-CRÍTICA

Em especial interativo, Kimmy Schmidt enfrenta os traumas do passado

CAROLINA DAFFARA
Da Folhapress - São Paulo
Unbreakable Kimmy Schmidt

Um ano após o final da quarta e última temporada de "Unbreakable Kimmy Schmidt", série de comédia criada por Tina Fey e Robert Carlock, chega na Netflix brasileira um especial interativo chamado "Kimmy vs. the Reverend".

A série original conta a história de Kimmy Schmidt (Ellie Kemper), uma mulher de 30 anos que passou metade deles num abrigo subterrâneo acreditando que o mundo tinha acabado, mas que na verdade tinha sido sequestrada com outras mulheres por um falso reverendo (John Hamm).

O episódio especial se passa após o final da série: Kimmy é uma autora rica e famosa que dias antes de se casar com um príncipe (Daniel Radcliffe, em ótima participação especial) suspeita que o reverendo ainda esconda alguns segredos e parte numa road trip.

O uso do formato interativo vem sendo focado pela empresa de streaming em programas voltados ao público infantil, como "Minecraft: Story Mode" ou "O Gato de Botas Preso num Conto Épico". As opções desse modo para adultos contam com um episódio especial de "Black Mirror" e a série "Você Radical", feita inteira nesse formato.

Em "Kimmy vs. the Reverend", o esquema "você decide" está presente no episódio todo. O espectador tem que fazer desde escolhas simples, como qual o vestido que Kimmy deveria usar no casamento, até outras mais decisivas para história.

Mas, diferentemente do programa da Globo, há caminhos que são becos sem saída e o especial coloca a audiência de volta para fazer a escolha certa, ou seja, a que vai levar a um futuro na história, quebrando a quarta parede e a reconstruindo (literalmente, em certo ponto).

De qualquer forma, vale a pena testar todas as escolhas, pois elas têm aquele gosto de "easter egg": dão informações sobre personagens que não vão ter destaque na história principal, como as outras mulheres toupeira, e detalhes divertidos sobre a história dos protagonistas, inclusive com participações de famosos apenas nesses trechos (a do Josh Groban é imperdível).

As escolhas "certas" acabam por vezes tendo um tom um pouco moralista, mas muito adequado à própria Kimmy, que manteve sua essência Pollyanna mesmo vivendo num mundo realisticamente cínico e cruel.

O episódio mantém o ritmo da série: piadas muito rápidas a todo instante, fazendo humor com assuntos tabu, dando cutucadas o tempo todo na própria indústria televisiva, tratando pautas como machismo e racismo com sarcasmo e trazendo várias participações especiais inesperadas, como basicamente tudo que tem o dedo de Tina Fey envolvido.

Um clima de encerramento permeia o episódio -não da série em si, que já tinha tido um final bem simpático-, mas da relação da personagem principal com seu passado tenebroso.

Se nas quatro temporadas Kimmy luta pra esquecer tudo pelo que passou e se reerguer, redescobrindo quem ela é e se adaptando a uma vida nova, nesse episódio, com a vida estabilizada, uma carreira de sucesso e o futuro pela frente, ela enfrenta de frente os traumas do passado e pode até ter seu momento "Kill Bill" (se o espectador permitir, é claro).

 

UNBREAKABLE KIMMY SCHMIDT: KIMMY VS. THE REVEREND

Avaliação: Muito bom

Quando: Disponível

Onde: Netflix

Produção: EUA, 2020

Direção: Claire Scanlon

Duração: 1h20

 


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