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Cuiabá MT, Quarta-feira, 05 de Agosto de 2020
ILUSTRADO
Sábado, 01 de Agosto de 2020, 00h:00

INTERNET

Com percussão e chutes, Fundo de Quintal OFC ganha fama na internet

MARCELLA FRANCO
Da Folhapress - São Paulo
Fundo de Quintal OFC

É em cima de uma única moto, de modelo popular, que os sete integrantes do grupo Fundo de Quintal OFC se deslocam da área habitada de Centro dos Rodrigues para o descampado onde gravam os vídeos de sua página no Instagram.
Um de cada vez, eles fazem o percurso na garupa da moto.
Situado no município de Santo Antônio dos Lopes, no Maranhão, o povoado tem cerca de 900 moradores –sem dúvida, os músicos e humoristas da internet são os mais famosos entre eles.
Mesmo com tanta visibilidade (criada em 2019, a página tem mais de 1 milhão de seguidores), as filmagens continuam sem qualquer glamour, nos mesmos moldes do início da carreira.
O visual mambembe, aliás, é o grande diferencial do grupo. Os rapazes instalam a câmera em frente ao cenário, que varia entre o antigo campinho de futebol e o paredão de barro de onde às vezes despencam de propósito.
O câmera João Victor Paiva Ferreira, 17, que mora num povoado vizinho, aperta o "rec" e a magia começa.
Com idades entre 14 e 25 anos, os integrantes assumem seus postos na percussão, coreografia ou vocais, e dão vida às músicas pedidas pelos seguidores. Ao longo de uma hora e meia, gravam versões, jogam areia para cima, trombam-se uns nos outros. É essa bagunça que faz sucesso.
"Buscamos trazer músicas da atualidade, que estão rolando nas rádios e em outras plataformas. Também músicas antigas que marcaram época", conta Jaimerson Santos Sousa, 18, do Fundo de Quintal OFC.
Seu amigo de infância Francisco Rhuan Miranda Santos, 17, é considerado o fundador. Acostumados a jogar bola na rua diariamente, em uma manhã os meninos receberam via WhatsApp um convite para, em vez da pelada, aproveitarem a tarde para bater lata.
Já reunidos, Denilson de Araúdo Sousa, 19, começou a dançar o "piseiro", coreografia da moda à época em Centro dos Rodrigues. "Ele dançando isso e a gente batendo lata. Aí o Rhuan chamou a gente para fazer a banda. Vambora", lembra Jaimerson.
Um amigo gravou em vídeo a primeira performance, que circulou pelos aplicativos de mensagem da vizinhança. A repercussão foi boa, e a banda entendeu que havia ali um caminho. Criou uma página no Instagram e, já no terceiro dia de existência, resolveu inovar ainda mais.
Era a hora de recrutar os mascotinhos. É assim que Jaimerson nomeia "os pequenos" que se juntaram ao grupo. "Vimos que não daria muito certo só com a gente, os grandões. Tudo que envolve criança fica mais engraçado."
Chegaram ainda Riquelme Santos Lima, 14, hoje vocalista, e Eulisses Nascimento Silva, 11. Matusalém Santos Sousa, 25, entrou a partir do sexto vídeo.
O grupo –que conta ainda com Victor Santos Mesquita, 18– tem como principal inspiração a banda Mamonas Assassinas, sucesso nos anos 1990.
"Acho que fazemos sucesso porque somos espontâneos, fazemos 'loucuras', damos chutes e voadoras. Sem contar que é um conteúdo que nenhum outro grupo se atreve a fazer igual", diz Jaimerson.
Ele lembra que a banda já recebeu elogios de DJs como Pedro Sampaio, Henrique e Psirico, que, segundo Jaimerson, "pediu a Deus que abençoasse" o Fundo de Quintal OFC. Proteção, aliás, nunca é demais. "Já aconteceu de irmos gravar e, ao chegar, os instrumentos estavam danificados."
Perrengues, no entanto, não assustam os garotos, que gravam duas vezes por semana debaixo do sol quente. "Antigamente davam risada, diziam que éramos bestas, que tudo aquilo não tinha futuro, que estávamos só passando vergonha", lembra.
"Hoje, passaram a nos apoiar e a divulgar nossos vídeos. O pessoal fala com mais respeito, não zoa mais", diz Jaimerson. Apesar da mudança no modo como são vistos, ele não considera que o grupo tenha ficado famoso.
"Tiram fotos conosco nas ruas e falam que nos amam, mas, mesmo assim, nos consideramos apenas conhecidos", conclui.


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