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Cuiabá MT, Sexta-feira, 10 de Julho de 2020
ESPORTES
Terça-feira, 30 de Junho de 2020, 00h:00

FUTEBOL-TV

Venda coletiva de direitos de TV equilibra ganhos na Europa

No Brasil, a MP altera a Lei Pelé, que exigia a anuência das duas equipes para a transmissão

ALEX SABINO
Da Folhapress - São Paulo
Lionel Messi, do Barcelona

A Medida Provisória 984, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro na semana passada, agradou a vários clubes da Série A do Brasileiro, que veem nela a possibilidade de aumentar a arrecadação com os direitos de transmissão de seus jogos.
Segundo o texto editado pelo governo federal e que ainda será analisado pelo Congresso, o time mandante do jogo passa a ter o direito de negociar a sua exibição individualmente. A MP altera a Lei Pelé, que exigia a anuência das duas equipes para a transmissão.
Especialistas, porém, contestam o otimismo dos clubes brasileiros. Para eles, negociações individuais tendem a ampliar a desigualdade de pagamentos entre agremiações de menor e maior porte.
Na Europa, esse abismo foi em parte contornado com a criação de ligas para negociar os direitos de forma coletiva, mas há dúvidas se o futebol brasileiro, tradicionalmente desunido, será capaz de juntar esforços no futuro com esse objetivo, caso a MP seja aprovada no Congresso.
"Temos a chance de termos um produto menos retalhado. Pode dar mais força a um conjunto de equipes que hoje não tem esse protagonismo", defende o presidente do Bahia, Guilherme Bellintani.
O economista e consultor de gestão e finanças do esporte Cesar Grafietti discorda: "Eles dizem que é o primeiro passo para a formação da liga. Na verdade, é apenas para alguns clubes ganharem mais dinheiro. Se cada um vende individualmente, vai ter uma fragmentação. Quantos pacotes o torcedor vai ter de comprar para ter todos os jogos do seu time? É insano".
Um estudo publicado pela Uefa no ano passado definiu o Campeonato Português, de negociações individuais, como o de maior disparidade na divisão do dinheiro. Os três clubes mais ricos (Benfica, Porto e Sporting) ganham 1.500% a mais que os outros. A média no restante da Europa é de 240% entre o topo e a base.
Os torneios nacionais que mais arrecadam fazem negociações coletivas. Mesmo na Inglaterra e na Alemanha, onde os clubes têm o direito de fechar contratos individuais, os acordos são conduzidos pela Premier League e pela Liga Alemã. Itália, Espanha e França seguem o mesmo padrão.
As equipes da elite do Campeonato Brasileiro têm contrato com a Globo (em TV aberta, fechada, pay-per-view e internet) e Turner (fechada) até 2024. A mudança na lei passaria a valer, para o torneio, apenas para 2025.
"A MP é um equívoco. Vai ser o caminho para que poucos recebam muito e os clubes médios fiquem com alguns trocados", afirma o advogado Eduardo Carlezzo, especializado em direito desportivo.
Era o que acontecia na Espanha até o início deste século. Para cada euro recebido pelo lanterna do campeonato, o campeão embolsava dez. As negociações coletivas, a partir de uma lei aprovada, fizeram com que esse abismo entre dois clubes (Real Madrid e Barcelona) e os demais fosse reduzido a partir de 2005.
No ano passado, para cada euro pago ao último colocado, o primeiro teve direito a 3,5. Na temporada 2018/2019, a liga espanhola dividiu 1,4 bilhão de euros (R$ 7,7 bilhões) entre os 20 times da elite. Barça, Real Madrid e Atlético de Madri ficaram com 29% do total.
LaLiga faz a negociação em nome de todas as equipes e distribui 90% para a primeira divisão e 10% para a segunda. Na elite, 50% são repartidos em partes iguais, 25% de acordo com os resultados nos cinco anos anteriores e 25% pelo que é chamado de "implantação social", que é a capacidade de o clube vender ingressos, ter sócios e "agregar valor aos direitos audiovisuais".
Pelo acordo firmado na criação da Premier League, em 1992, os direitos de transmissão obedecem fórmula que favorece também os pequenos. O dinheiro é dividido na fórmula 50-25-25 (metade igualmente, 25% pela colocação no campeonato anterior e 25% pela quantidades de partidas da equipe mostrada no país). Os direitos internacionais são repartidos totalmente em partes iguais entre as 20 equipes.
O modelo 50-25-25 é o mesmo adotado pela Globo no seu contrato mais recente, para TV aberta e fechada. No pay-per-view, a remuneração depende do número de torcedores de cada time que assinam o serviço. A Turner paga 40% distribuídos de maneira igualitária, 30% pelo número de jogos e 30% pela classificação.
Pelo levantamento da consultoria Deloitte, referente à temporada 2018/2019, oito times da Premier League estão entre os 20 mais ricos do mundo (Manchester United, Manchester City, Liverpool, Arenal, Tottenham Hotspur, Chelsea, West Ham e Everton).
O acordo de televisionamento no Reino Unido de 2019 a 2022 foi vendido por 5 bilhões de libras (cerca de R$ 30 bilhões). Contratos internacionais pelo mesmo período renderam 4,2 bilhões de libras (R$ 25,2 bilhões).
Desde 2010/2011, a divisão do dinheiro no país funciona da seguinte forma: 40% são distribuídos em partes iguais, 30% de acordo com resultados e 30% segundo o número de torcedores do time e a população do município em que o clube está sediado. O resultado esportivo usa uma fórmula que leva em conta desde a temporada 1946-1947.
Em nome de todas as 36 equipes das duas principais divisões, a liga alemã acaba de fechar um novo contrato, a iniciar em 2021 e com término em 2025. Serão 4,4 bilhões de euros (R$ 24,2 bilhões) para o mercado doméstico.
A entidade criou sistema em que 25% serão pagos igualmente. Outros 25% serão destinados de acordo com o número de jogos disputados na Champions e Liga Europa. Os 50% restantes levarão em conta a quantidade de jogadores com menos de 23 anos no time principal e um ranking de participação em torneios nacionais nos 20 anos anteriores.


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