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Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2021, 00h:00

FLAMENGO

Flamengo vive fim de ciclo no futebol, mas política segura mudanças drásticas

Rogério Ceni é mantido no cargo e estrutura de poder fica intacta apesar de avaliação indicando esgotamento

DIOGO DANTAS
Da Agência Globo – Rio
Rogerio Ceni

Depois de duas derrotas consecutivas, para Fluminense e Ceará. no Maracanã, que minaram o prestígio de Rogério Ceni internamente, membros da diretoria e do conselho de futebol do Flamengo debateram a permanência do treinador ao longo de toda a segunda-feira, folga do time. Mas o principal assunto no clube é a estrutura do futebol como um todo, que sofre uma espécie de congelamento em função do contexto político.

O presidente Rodolfo Landim tratou do assunto com o vice de relações externas, Bap, e o diretor de futebol Bruno Spindel, na Gávea. Marcos Braz, vice de futebol, também compareceu para falar de Ceni. Em um segundo momento, o vice de finanças Rodrigo Tostes marcou presença. Até agora, o vice de futebol Marcos Braz dava respaldo para o trabalho, bem avaliado internamente.

Mas a ala liderada por Bap, vice de relações externas, já entende que Ceni não deu liga. Uma das possibilidades debatidas no clube seria a chegada de um profissional para desempenhar o papel que era do gerente de futebol Paulo Pelaipe até o começo do ano passado.

A ideia de contratar um coordenador de futebol também já esteve presente, mas incluir uma figura de poder seria tirar de Marcos Braz o protagonismo. E o dirigente no momento é resistente a isso. Aceita, desde o início da gestão, que o Conselho de Futebol dê palpites, mas no dia a dia ninguém apita quase nada.

Os demais vice-presidentes entendem que o modelo de gestão do futebol precisa de um ajuste, mas a saída de Marcos Braz, em ano de eleição, com as conquistas de 2019 na bagabem, poderia transformá-lo em um adversário duro no pleito que se avizinha no fim do ano.

Por isso, a não ser que o dirigente entregue o cargo e se dedique a vaga de vereador eleito do Rio de Janeiro, a estrutura de poder se manterá. Se o Flamengo for campeão, Braz reverte a imagem negativa do momento e traz a diretoria todo com ele. Se for para a Libertadores, apenas, sofrerá as críticas sozinho.

Mudanças drásticas, com a reformulação não só do elenco, como entre dirigentes, ganhariam força ainda maior em caso de ausência na competição sul-americana.

PULSO - A demissão de Rogério Ceni, que por enquanto segue no cargo, está em debate no clube, mas os motivos para a queda de desempenho vão além do técnico. A falta de atitude de parte dos jogadores é apontada internamente como a principal causa. Por isso, nenhuma medida drástica sera tomada agora, a dez rodadas do fim do Brasileiro.

Rogério tem dois meses no cargo e é elogiado pelo perfil trabalhador, estudioso e esforçado nos treinamentos. Suas ideias são bem vistas no Ninho do Urubu, mas o ponto fraco do trabalho é a gestão de pessoas.

Se há conceitos semelhantes aos de Jorge Jesus, como Ceni e atletas propagam, a forma de lidar com os jogadores é distinta. Ceni não tem o mesmo rigor, não exige disciplina no mesmo nível, em horários, por exemplo, o que é visto como um dos motivos para um relaxamento dos atletas no dia a dia e nos jogos.

Outro fator que pesa contra o trabalho do ex-goleiro é a leitura de jogo. Tanto nas escalações como nas substituições. Além disso, a comissão técnica de Ceni, formada por três profissionais, é de fato auxiliar, e não tem funções específicas que acrescentem ao trabalho e às ideias.

Uma das críticas em meio aos resultados ruins é que o técnico não saca do time jogadores com apresentações ruins em sequência. Recentemente, houve queda de produção avaliada pelo scout do Flamengo de atletas como Willian Arão, Filipe Luís, Éverton Ribeiro e dos atacantes. Ceni barrou apenas Gabigol, alegando que não havia treinado a dupla com Pedro.

A falta de pulso para mudanças mais radicais não tem a ver, na avaliação de quem acompanha o trabalho, com a possibilidade de perder o vestiário ou a confiança do grupo. Motivo normalmente jogado ao vento por torcedores. Ceni tem respeito do elenco pelo conteúdo e pela história como jogador, mas não tem o grupo na mão.

Dessa forma, discursos mais inflamados são proferidos mais pelos líderes do que pelo técnico. Depois da derrota para o Ceará, foi a vez de Diego Ribas chamar a todos para a responsabilidade. Mas o camisa 10, que ganha espaço, também não e visto como uma solução técnica para o time engrenar. Embora deva ter chance no lugar de Gerson, suspenso.

Em geral, o fim de temporada tem se notabilizado por boa parte do elenco sem apresentar a mesma motivação. Ou ainda a chamada revolta pelos resultados negativos. Algumas exceções são Gerson, Arrascaeta e Diego Alves. A conduta do capitão Éverton Ribeiro também é questionada nos bastidores. Mas o meia é um líder técnico, e fala pouco mesmo.

Além da demissão de Ceni, a diretoria já começa a pensar em reformulação do elenco. Nomes como Vitinho, Michael, Gustavo Henrique, Léo Pereira, Renê, Césear, João Lucas, Gabriel Batista e Lincoln estão cotados para a barca de 2021. Este último, de malas prontas para o Japão, já afastado do elenco, e treinando com a base.

 


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