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Quinta-feira, 08 de Abril de 2021, 00h:00

AUTOMOBILISMO-F1

FIA aposta em vistoria por sorteio após GPs para coibir irregularidades na F-1

JULIANNE CERASOLI
Da Folhapress – Londres

Engana-se quem pensa que a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) controla com detalhes a legalidade dos carros da Fórmula 1 ao longo da temporada.

Os mecanismos para fazer isso existem, e a FIA consegue limitar, por exemplo, as horas de uso dos túneis de vento, tem poderes para colocar seus funcionários dentro das garagens das equipes ou mesmo pedir todo o projeto para determinado time se quiser.

Mas, como os equipamentos são extremamente complexos, não há tempo hábil para checar minuciosamente todos os 20 carros do grid. Porém, uma mudança que começou a valer na primeira etapa deste ano, no Bahrein, visa aumentar o poder de vigilância: a FIA vai sortear um carro após cada prova para que seja feita uma vistoria minuciosa.

"Todas as equipes têm muitas suspeitas de seus rivais, de que talvez a equipe X ou Y esteja fazendo algo. E tenho certeza de que, ocasionalmente, talvez algumas coisas tenham passado batido por nós", admitiu o chefe de monopostos da FIA, Nikolas Tombazis. "É uma prática positiva começar a checar os carros mais cuidadosamente."

Até 2018, a FIA vistoriava todos os carros, mas focando apenas em alguns pontos, como dimensões, peso e flexibilidade das asas. Depois, a entidade passou a fazer apenas as pesagens, disponibilizando suas balanças e "réguas" de precisão para as próprias equipes verificarem seus carros nas quintas-feiras anteriores aos GPs.

As pesagens, inclusive, são constantes ao longo do final de semana, e é por isso que os pilotos sempre passam por uma balança antes de irem ao pódio, por exemplo, já que o peso mínimo é determinado pela somatória do carro e competidor.

Porém, nenhuma checagem é tão extensa como a que começou a ser feita no Bahrein, etapa na qual o carro sorteado foi o de Valtteri Bottas, da Mercedes.

Segundo o documento da FIA que foi enviado às equipes, o carro selecionado após cada GP será "desmontado de maneira profunda para a checagem de conformidade às regras e revisões de software e sistemas", ou seja, será uma avaliação muito mais rigorosa do que a anterior.

Esse processo começará com duas ou três pessoas e acabará com cinco ou seis, depois que os demais terminarem as revisões corriqueiras feitas nos outros carros, o que representa um aumento de investimento, sem o qual a novidade não seria possível.

"Por vezes nós queríamos fazer um trabalho melhor, mas não tínhamos recursos. Sim, ainda confiamos em denúncias, esse mecanismo sempre existiu, então tudo o que acontecia antes ainda é possível. Só achamos que isso dá um elemento extra", disse Tombazis.

Ele se refere à prática comum de a FIA investigar um carro depois que um rival aponta alguma suspeita.

Foi assim, por exemplo, que a entidade fechou o cerco à unidade de potência da Ferrari no final de 2019, depois que Mercedes e Honda, por meio da Red Bull, cobraram uma inspeção mais minuciosa. Também há o caminho oficial, do protesto, como a Renault fez com a Racing Point ano passado.

Essas denúncias seguem sendo importantes porque nem essa nova revisão é completa. "Um carro tem 15 mil peças e não dá para checar todas elas. Mas podemos selecionar 50 peças aleatórias para nos certificarmos de que eles estão andando na linha", acredita o ex-projetista de Ferrari e aerodinamicista com passagens também pela McLaren e Benetton.

A próxima etapa da Fórmula 1 será em Imola, na Itália, no dia 18 de abril. Lewis Hamilton venceu a etapa de abertura, disputada em 28 de março, no Bahrein.

 


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