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ESPORTES
Terça-feira, 27 de Agosto de 2019, 09h:34

FUTEBOL FRANCÊS

Brasileiros amados e odiados na França

Rejeição de Paris a Neymar contrasta com reverência a Juninho em Lyon

LUCAS NEVES
Da Folhapress – Paris

"Bem-vindo à sua casa." A faixa estendida no estádio do Lyon (sudeste da França) no último dia 16 contrasta acentuadamente com o "cai fora" empunhado no fim de semana anterior, na capital, pelos torcedores do PSG. O recado ressentido dos parisienses era dirigido a Neymar, que anunciou há meses a intenção de deixar, após apenas duas temporadas, o clube gerido desde 2011 pelo Qatar. Já a mensagem calorosa dos sulistas, exibida embaixo de um mosaico 3D com o rosto de um ídolo local, tinha como destinatário Juninho Pernambucano, 44. O ex-meia defendeu o Olympique Lyonnais (OL, ou Lyon) por oito anos e regressou ao time em junho, passados outros dez, agora no posto de diretor esportivo. Pela equipe, de 2002 a 2008, o capitão sagrou-se sete vezes campeão francês. Até ali, o Lyon nunca havia conquistado o título nacional. Em 344 partidas, marcou 100 vezes -44 de falta, sua especialidade desde os tempos de Sport (1993-95) e Vasco (1995-2001, depois 2011-12 e, por fim, 2013). Para dar uma dimensão das suas conquistas na França, basta pensar que outro brasileiro muito reverenciado no país, Raí, que vestiu a camisa do PSG de 1993 a 1998, tem apenas um título francês e quatro troféus de outras competições nacionais. Não à toa, um estádio pequeno em Lyon recebeu o nome de Juninho em 2009, pouco antes de ele encerrar sua primeira passagem pelo OL. A alcunha foi definida por votação popular. O agora cartola retribuiu o carinho. Numa das primeiras aparições dessa nova fase no clube, surgiu com um leão (símbolo da cidade) tatuado no antebraço direito. No desenho, o animal leva uma camisa de gola azul e vermelha, as cores do OL. O brasileiro tentou resistir às investidas do presidente Jean-Michel Aulas para levá-lo de volta àquela que é a meca da alta gastronomia francesa. Recusou proposta no fim de 2018. Mas quando o cartola bateu à sua porta novamente, alguns meses atrás, não houve meio de dizer "não". Aceitou o convite e, de cara, emplacou no comando da equipe o compatriota Sylvinho, ex-auxiliar de Tite na seleção e com passagens como lateral por Corinthians, Arsenal e Barcelona, entre outros. Espera-se que a dobradinha devolva os dias de glória ao Lyon -ainda que o sarrafo fixado pelo antigo técnico, Bruno Genesio (2015-19), não seja desprezível, com um vice-campeonato francês em 2016, um terceiro lugar em 2019 e o avanço às oitavas de final na última Champions League. "Para fazer melhor, é preciso começar mantendo esse bom desempenho", diz o jornalista esportivo francês Vincent Duluc, do diário L'Équipe. Para ele, a lua de mel da torcida com Juninho promete ser longa. "As pessoas sabem que é um trabalho novo para ele." Já Sylvinho está mais exposto aos resultados do time. Seja como for, será cobrado de ambos que a equipe se classifique para a próxima Champions. O começo de temporada tem ajudado a esquentar o namoro. Em duas partidas pelo Campeonato Francês, o OL marcou nove gols. "O principal a reter é que essas duas vitórias ajudam a contar uma bela história de verão, num contexto de crise no PSG e de uma concorrência que não está à altura de seu passado, caso de Mônaco e Marseille. A Liga 1 [Campeonato Francês] precisa dessa euforia", diz Duluc. Empolgação que Juninho se esforça em conter. "É preciso manter a concentração. Há coisas a mudar em relação a sacrifício e mentalidade para obtermos resultados", disse à TV do time após o primeiro triunfo. A assessoria do Lyon informou que ele não quer dar entrevistas por ora. Para superar o PSG, que tem orçamento bem maior na temporada (637 milhões de euros contra 310 milhões), Juninho terá de mostrar tanta habilidade nos bastidores quanto exibia nas cobranças de faltas.


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