Leia aqui o relatório final da CPI do Narcotráfico - parte 7

8.1.10. MÁRCIA MÔNICA PIRES DE ALMEIDA – 25.05.2000



A Depoente apresentou-se perante a Comissão, na condição de convidada, para esclarecer fatos e denúncias envolvendo principalmente o Sr. José Maria Machado, fatos estes que já tinham sido objeto de depoimento e investigação pelo Grupo de Atuação Especial de Repreensão ao Crime Organizado – GAECO (Ministério Público).



Disse conhecer José Maria Machado desde os idos de 1994, como sendo um fazendeiro e criador de gado, que com ele viveu maritalmente mais ou menos dois anos; que ele era amigo do Juiz de São José dos Quatro Marcos, Dr. Abel Balbino Guimarães, tendo ido a casa do mesmo várias vezes, inclusive para levar dinheiro, e que esse dinheiro era entregue através de Manoel, Escrivão de Polícia que morava com o Dr. Abel; que José Maria Machado tinha “ligações” com o traficante Valdenor Marchesan; que Wilson Régio, Vereador de Quatro Marcos, na época veio a Cuiabá “cuidar” do assassinato do primo de Zé Machado, preso no Carumbé; que o Manoel, Escrivão de Polícia, que morava com o Dr. ABel, ajudou a facilitar a fuga do primo do Zé Maria Machado, que tinha atentado contra sua vida, com o intuito de prendê-lo de novo e transferi-lo para Cuiabá, para assim tramarem o seu assassinato; e que presenciou José Maria Machado levar dinheiro para o Dr. Adauri, Delegado da Cidade de Araputanga.



Acusou Zé Maria Machado de estar por trás das mortes de Belezinha; dos familiares de sua ex-esposa, Maria Gorete; do seu primo que foi assassinado no Carumbé, que havia atentado contra a sua vida, e do seu próprio pai, Sr. Filogônio, e sua companheira.



Disse que José Maria Machado exercia uma grande influência sobre as autoridades da cidade de Quatro Marcos, ao ponto de chegar a interrogar, dentro de uma delegacia, o preso Bonifácio, com a finalidade de fazê-lo confessar a autoria da morte do pai da Depoente, crime que havia sido cometido por outro ou outros.



PROVIDÊNCIAS TOMADAS: por sentir-se ameaçada por José Maria Machado e seus “amigos”, pediu proteção policial, no que foi de pronto atendida.





8.1.11. ARYZOLI TRINDADE SOBRINHO – 30.05.2000



Aryzoli Trindade Sobrinho, que também já havia prestado depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Federal, foi convocado para esclarecer fatos que dizem respeito à ramificacão do crime organizado no Estado de Mato Grosso (narcotráfico, roubo de cargas e carretas, “lavagem” de dinheiro, etc.), citando lugares, fatos e nomes de pessoas envolvidas.



Em seu depoimento disse que trabalhava diretamente com Willian Sozza, que tinha aqui no Estado relacão com o narcotráfico, roubo de carretas e cargas, e “lavagem” de dinheiro; que esteve na cidade de Chapada dos Guimarães, juntamente com o seu ex-patrão, Willian Sozza, e Fernandinho Beira-mar, para um reunião com Josino Guimarães; que Willian Sozza “usaria” Josino Guimarães para “lavar” dinheiro do narcotráfico; que também trabalhariam com “lavagem” de dinheiro, o Sr. Piran e um cidadão que é parente do Governador; que esteve várias vezes em Rondonópolis, fazendo “negócios” do crime organizado, certa feita esteve em companhia do Sr. Rico Hernandes, um conhecido traficante; que a “cobertura” e o apoio para os negócios das carretas roubadas na região de São José dos Quatro Marcos eram dados por um Policial Civil, possivelmente um Delegado de Polícia, de nome Paulo ou Paulão; que Willian Sozza e Josino Guimarães teriam acertado com a direção do Presídio do Carumbé a fuga de dois traficantes; que em Pontes e Lacerda quem dava apoio ao William Sozza era o Sr. Sebastião Bronsque, que trabalhava com carretas roubadas; que quando ficou em uma pousada em Poconé, esta pertencia a um Senhor “branco, catarinense ou gaúcho”, e nesta ocasião Josino Guimarães visitou o Sr. Willian Sozza; que em Rondonópolis há uma fazenda onde os guerrilheiros da FARCS jogam cocaína; que a passagem de drogas da região de Cáceres e Pontes e Lacerda é feito em caminhões com fundo falso, ou acoplados nas madeiras, com apoio de alguns policiais.



Foram mostradas diversas fotos para o Depoente fazer o reconhecimento, das quais reconheceu: a) o Sr. Josino Guimarães, como contato direto de Willian Sozza; b) o Sargento PM Jesus, como a pessoa que “resolvia” todos os “problemas” do Josino Guimarães; c) o Capitão PM Camargo, como sendo o policial que fez um “acerto” na passagem de cargas.



PROVIDÊNCIA TOMADA: encaminhamento de cópias do depoimento para as providências cabíveis dos órgãos competentes, uma vez que as suas denúncias, feitas a nível nacional, já vêm sendo investigadas.





8.1.12. RONALDO SÉRGIO LAURINDO – 31.05.2000



Ronaldo Sérgio Laurindo, na qualidade de Depoente Voluntário, prestou esclarecimentos junto à Comissão, em questões envolvendo o roubo de carretas, o tráfico na fronteira, o suborno no Poder Judiciário, o suborno de Policiais Militares em barreiras, enfim, sobre uma série de informações e fatos, dos quais ele viu e participou, durante os sete anos que passou pela vida do crime.



Citou como traficantes que ele conhecia José Maria Machado, Valdenor Marchesan e Baltazar, morador da cidade de Mirassol D’Oeste.



Fez também um relato dos principais fatos que vivenciou e nomeou os envolvidos, tais como: José Maria Machado, pessoa para qual trabalhou no período de 94 a 96, que praticava o tráfico livremente e impunemente na fronteira, sem ser incomodado pela polícia e nem pela justiça; a droga chegava em pequenos aviões, da Bolívia para a Fazenda de José Maria Machado,de onde seguia para Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Rio-São Paulo, etc.; que José Maria Machado era sócio de Valdenor Marchesan em uma fazenda e em um avião monomotor, marca CESNA 210; que em Chapada dos Guimarães a droga era jogada dos aviões no cerrado, e que certa feita uma dessas cargas foi para o traficante Sidinon.



Disse o Depoente que o fato que culminou com a sua prisão e posterior condenação por crime de latrocínio foi “mascarada”, pois, na verdade, ele e mais duas pessoas estavam desenterrando 14 (quatorze) quilos de cocaína, que seria de propriedade de Gilmar Machado, em uma chácara situada às margens do Rio Jauru, e que o caseiro, Sr. Antônio, teve que ser morto porque viu a transação e conhecia as pessoas, e para não parecer o verdadeiro motivo do homicídio foi forjado um latrocínio (roubo seguido de morte).



Citou também que a José Maria Machado são imputadas a autoria de algumas mortes, tais como: a do motorista de caminhão conhecido por Bananeiro, a mando de Zé Machado, e executado por um pistoleiro conhecido por Chapéu Preto; a de um primo de José Maria Machado, que foi morto dentro do Presídio do Carumbé, afirmando que esta morte fora encomendada pelo próprio Zé Maria Machado, e teve como agenciador um Sargento da PM - que isto havia ocorrido entre final de 94 e início de 95; a dos familiares da ex-esposa de Zé Maria Machado, Maria Gorete, que desapareceram na rodovia entre Santo Antônio de Leverger e Cuiabá, entre os anos de 94 e 95, esse crime teria sido encomendado pelo próprio Zé Maria Machado junto a um dos irmãos Pereira; confirmando que foi ele, o Depoente, quem entregou o envelope do pagamento contendo US$ 20,000 (vinte mil dólares) a um dos irmãos Pereira, mais precisamente, a Denivaldo Pereira; e o provável envolvimento de Zé Maria Machado no duplo homicídio de Filogônio Pires e sua companheira, pai de sua amásia, à época, Márcia Mônica Pires de Almeida.



Com relação ao frigorífico de São José dos Quatro Marcos, existe um gerente de nome Luís, que tinha “ligação” com José Maria Machado, o que reforçaria a suspeita do envio de drogas nos containers (câmaras frias) dos caminhões usados no transporte de carne do frigorífico; com referência ao roubo de carretas, ele próprio já chegou a acompanhar pelo menos três, de Cáceres a San Mathias, dizendo que as dificuldades nas barreiras policiais são sanadas através de suborno; que as rotas das carretas roubadas, geralmente são feitas pelas barreiras do Limão e Matão, e que o refino da droga era feita na fazenda de propriedade de Valdenor Marchesan e Zé Maria Machado.



Como autoridades envolvidas em negócios escusos, citou: na Polícia Militar, colaboravam com Zé Maria Machado, o Sargento Anísio, e os Soldados Valentim e Pedrinho, todos moradores da cidade de São José dos Quatro Marcos; na Polícia Civil, dava cobertura para Zé Maria Machado, o Delegado de Polícia da cidade de Araputanga, Dr. Adauri Berlanga; que o Sr. José Maria Machado, tinha ligações com o Juiz de Direito da cidade de São José dos Quatro Marcos, Dr. Abel Balbino Guimarães, a quem, o próprio depoente já foi levar uma quantia em dinheiro a mando de Zé Machado, no valor de US$ 50,000 (cinqüenta mil dólares), o qual foi entregue ao Escrivão de Polícia Manoel, que na época morava com o referido Juiz; que foi dado ao Juiz Abel, um veículo de marca Volkswagen, modelo GOL CL 1.6, de cor verde, com placas de São Paulo, este carro era de propriedade de José Maria Machado.



PROVIDÊNCIAS TOMADAS: por medida de segurança, o Depoente, ao terminar seu depoimento, foi transferido da Penitenciária do Pascoal Ramos para a Delegacia Municipal de Jaciara, e alguns dias depois, para um local seguro, ficando sob a responsabilidade da Secretaria de Estado de Segurança Pública.





8.1.13. NERCÍLIO JOSÉ NUNES – 05.06.2000



Nercílio José Nunes, Capitão da Polícia Militar, convocou os Membros da Comissão para ouvir o seu depoimento, que foi tomado nas dependências do Batalhão de Guardas, onde encontrava-se detido à época, dizendo que em 04 de dezembro de 1999 teve sua carreta tomada de assalto em Rondonópolis, e que tinha registrado queixa na DRF de Rondonópolis, e que até aquela data o seu veículo ainda não se encontrava cadastrado como roubado.



Alegando não confiar no aparelho policial do Estado, fez investigacão por conta própria e prendeu os “prováveis” envolvidos no roubo de sua carreta, e, como consequência disso, foi acusado e preso em flagrante por crime de seqüestro e extorsão.



Disse que deseja colaborar com a CPI, com as informacões que possui, além das que obteve durante o período que procurou pistas sobre sua carreta; inicialmente, citou que a região de Rondonópolis enfrenta problemas de tráfico de drogas, roubos de cargas e carretas; que o irmão do Elivan é um poderoso distribuidor de drogas no Bairro da Manga e Centro de Cuiabá; que Wilson, um indivíduo paraplégico, controla e vende cocaína em Cuiabá; que em Rondonópolis um cidadão por alcunha de Cebolão seria o principal comprador de carretas roubadas; que o Sr. Caetano seria o responsável pela remarcacão dos chassis dessas carretas, técnica conhecida como “pinagem”, em um barracão próximo ao Quartel do Corpo de Bombeiros, em Rondonópolis.



PROVIDÊNCIAS TOMADAS: cópias de seu depoimento foram enviadas ao GAECO e demais órgãos competentes para as providências cabíveis.





8.1.14. JULIETA ALVES WEHREN – 13.06.2000



Julieta Alves Wehren, Presidente da Comissão de Direitos Humanos de Barra do Garças, foi convocada para prestar esclarecimentos a respeito de uma matéria jornalística veiculada no Jornal Diário de Cuiabá, na edição do dia 08 de junho 2000, intitulada “JESUS CRISTO OU BARRABÁS?!”. O citado artigo defende o Juiz de Direito, Dr. Abel Balbino Guimarães, tecendo severas críticas aos Membros da Comissão Parlamentar de Inquérito.



A Depoente, em sua defesa, afirmou que teve o conhecimento da elaboração desse artigo por pessoas que, assim como ela, se solidarizaram com o Dr. Abel, acreditando em sua inocência e atestando a sua idoneidade. Disse, na ocasião, que assinaria tal texto se este não fosse comprometedor. O teor do que foi publicado ela só teve conhecimento após a sua publicação. Afirmou que não o escreveu e tampouco o assinou. Sabia quem era o autor do texto, mas reserva-se no direito de não o denunciar.



PROVIDÊNCIAS TOMADAS: o Dr. Abel Balbino Guimarães, que tinha sido reconvocado para depor, na mesma data que a Depoente, para prestar esclarecimentos sobre todos esses fatos, não compareceu, ocasionando a solicitação, por parte do Presidente da Assembléia Legislativa, Deputado José Riva, junto ao Presidente do Tribunal de Justiça, do pedido de afastamento do Dr. Abel das suas funções de Juiz de Direito, até que fossem apuradas todas as denúncias que pesam contra ele.





8.1.15. JOSINO PEREIRA GUIMARÃES – 14.06.2000



Josino Pereira Guimarães, depoente convocado para prestar esclarecimentos sobre as denúncias registradas por Jorge Meres Alves de Almeida e Aryzoli Trindade Sobrinho, sobre o seu envolvimento com o narcotráfico e a “lavagem” de dinheiro.



O Depoente negou todos as acusações que lhe foram imputadas, negando ainda o seu envolvimento com as pessoas de Sidinon Simão de Lima, Willian Sozza, Valdenor Marchesan, Jorge Meres Alves de Almeida, Fernandinho Beira-mar e Aryzoli Trindade Sobrinho, bem como seu envolvimento com qualquer atividade ilícita, seja com o narcotráfico ou com a “lavagem” de dinheiro. Disse ser um pessoa bem relacionada na sociedade mato-grossense, sendo do seu círculo de amizades Juízes, Desembargadores, Deputados, Senadores, Governador do Estado, etc; acusou o Dr. Pedro Taques, Procurador da República em Mato Grosso, de estar querendo “fabricar” um mandante para a morte do Dr. Leopoldino do Amaral, Juiz de Direito; que, em suma, não tinha nenhum envolvimento com a morte do Dr. Leopoldino; confirmou seu relacionamento com o Sr. Valdir Piran, que é seu amigo, e com o Sr. José Osmar Borges; que é amigo pessoal do Desembargador Odiles de Freitas; que a filha do Desembargador Odiles de Freitas namorou um Senhor que é gerente do Frigorífico de São José dos Quatro Marcos, mas não se recorda do nome dele; negou também o seu envolvimento com as vendas de sentenças ocorridas no Tribunal de Justiça de Mato Grosso.



PROVIDÊNCIAS TOMADAS: foram enviadas cópias de seu depoimento a todos os órgãos, para as devidas providências.





8.1.16. JOSÉ MARIA MACHADO – 27.06.2000



A convocação de José Maria Machado teve três momentos distintos. No primeiro, prestou esclarecimentos sobre as denúncias formuladas contra ele, por Márcia Mônica Pires de Almeida e Ronaldo Sérgio Laurindo; no segundo, prestou-se a fazer uma acareação com Carlos Kleber Paes de Barros, ex-Diretor do Presídio do Carumbé e José Márcio Francisco de Figueiredo, Carcereiro do Presídio do Carumbé, a quem acusou, das mais variadas formas, de realizarem corrupção dentro daquela casa de detenção e reclusão; por último, prontificou-se a trazer provas da denúncia que fizera contra um Deputado Estadual.



Negou ter envolvimento com o narcotráfico ou com quaisquer outros atos ilícitos, pelo contrário, disse ser um cidadão honrado que participava da sociedade de São José dos Quatro Marcos e que ajudava as autoridades locais no combate aos traficantes; que estava preso injustamente, acusado de ter mandado matar um cidadão de nome Adão, de matar Ailson Ricci, vulgo Belezinha, e também de estar envolvido na morte do Sr. Filogônio, pai de Márcia Mônica Pires de Almeida, com quem conviveu por um certo período; que também era inocente de todas as acusações, e só estava preso porque se recusou a pagar R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) para uma autoridade do Poder Judiciário; acusou o esquema de corrupção no Presídio do Carumbé, principalmente no que concerne às transferências de presos; que foi transferido do Carumbé para o Presídio da Mata Grande, em Rondonópolis, por não ter pago o pedido de R$ 10.000,00 (dez mil reais), que seriam distribuídos na seguinte proporção: R$ 5.000,00 (cinco mil reais), para o Coordenador, José Carlos de Carvalho; R$ 3.000,00 (três mil reais), ao Diretor, Kleber, e R$ 1.000,00 (um mil reais), para o Maurício; e o restante, R$ 1.000,00 (um mil reais), seria para outro Agente Carcerário; que por ter se negado a pagar tal quantia, foi, juntamente com Antonio João, Julimar, Ronildo e Alex, transferido daquele Presídio; afirmou que existe um Deputado Estadual, atualmente com assento no Legislativo, infiltrado no narcotráfico; que conhece o Sr. Valdenor Marchesan, como conhece as demais pessoas que moram na região; que também conhece o Dr. Abel Balbino Guimarães, mas não mantém nenhum relacionamento com o mesmo, inclusive o referido Juiz já havia lhe processado por porte ilegal de armas; que não tem relacionamento com Manoel, o Escrivão de Polícia; que conheceu o Dr. Orlando e o Dr. Adauri , Delegado de Polícia da região, mas não tem nenhum relacionamento de amizade com eles; que tem um avião SENECA que usava para visitar propriedades de garimpo em Nova Era, no Estado de Minas Gerais; que o Sr. Laurindo, que também depôs na CPI, trabalhou com ele apenas dezoito dias, e foi mandado embora por ter furtado um talão de cheques, que a verdadeira mandante do crime do Sr. Filogônio e sua amásia, foi a Dona Maria Justina, ex-exposa do Sr. Filogônio,e mãe de Márcia Mônica.



Na acareção realizada com Carlos Kleber Paes de Barros, Ex-Diretor do Presídio do Carumbé e com José Márcio Francisco de Figueiredo, Carcereiro do Presídio do Carumbé, ambos negaram as acusações.



Como havia se comprometido a trazer as provas de suas acusações com relação à corrupção no Presídio do Carumbé, trouxe apenas um termo de declaração, assinado por reeducandos que confirmavam a sua denúncia; não apresentou provas e nem o nome da provável autoridade do Judiciário que lhe havia pedido suborno; também não apresentou provas e nem o nome do Deputado Estadual que estaria infiltrado no narcotráfico, alegou que não entregou tais provas porque os membros da Comissão não haviam cumprido o que tinham combinado, ou seja, transferir os seus irmãos que se encontravam presos em Cuiabá, no Corumbé, para a cidade de Araputanga ou região.



Quanto a esta última parte, temos uma ressalva a ser feita: durante a oitiva do Sr. José Maria Machado, este alegou que haveria um Deputado Estadual envolvido com o narcotráfico, não querendo, porém, naquela ocasião, citar o seu nome. A sessão foi suspensa pela Presidente, e os Membros da Comissão, juntamente com o Depoente, reuniram-se em uma reunião secreta, e, após muitas negociações, este declinou o nome do Deputado como sendo o de Amador Tut, e que no prazo de cinco dias apresentaria todas as provas contra ele, caso suas exigências fossem cumpridas pela Comissão. Uma delas seria a transferência de seus irmãos, presos no Presídio do Carumbé, para a Delegacia de São José dos Quatro Marcos. Os Deputados presentes se prontificaram a dar cumprimento às suas exigências no que lhes fosse possível. Conseqüentemente, esta sessão foi dada por encerrada, após o que os Deputados, membros da Comissão, tornaram público as informações prestadas pelo Depoente.



Decorrido o prazo, o Depoente foi reconvocado para apresentar as provas alegadas. Durante a nova audiência, disse estar com todas as provas que comprometeriam o retromencionado Deputado, porém, não as entragaria, uma vez que a Comissão não cumprira com o acordo feito com ele. A conclusão a que chegamos foi a de que o Sr. José Maria Machado não tinha prova alguma contra quaisquer pessoas, e que realmente queria era apenas a transferência de seus irmãos para aquela cidade para tentarem fuga, pois naquele presídio não existe segurança alguma.



PROVIDÊNCIAS TOMADAS: a Comissão conseguiu transferir os irmãos do Depoente, do Presídio do Carumbé para a Delegacia Especializada de Entorpecentes, mas não para a cidade de São José dos Quatro Marcos, tendo em vista que a Juíza da Comarca, que atuava no processo daqueles réus, impediu, alegando falta de segurança.



8.2. SITUAÇÕES JURÍDICAS ATUAIS DOS DEPOENTES E DAS PESSOAS CITADAS EM DEPOIMENTOS



Nercílio José Nunes, recolhido no Batalhão de Guarda da Polícia Militar, em razão de Prisão em Flagrante Delito por porte ilegal de arma, cárcere privado e seqüestro, aguardando julgamento;



José Maria Machado, recolhido no Presídio da Mata Grande, em Rondonópolis, acusado de prática de crime de homicídio, aguardando julgamento;



Sidinon Simão de Lima, cumprindo pena no Presídio da Mata Grande, em Rondonópolis, pela prática de crime de tráfico de drogas, condenado inicialmente a 17 anos, recorreu e sua pena foi reduzia a 12 anos;



Ricardo Garcia, vulgo Ricardo Butina, preso na fazenda de Sidinon Simão de Lima, atualmente cumprindo pena no Presídio da Mata Grande, em Rondonópolis, condenado a 7 anos e 2 meses, pela pratica de tráfico de drogas;



Joana Batista Moraes de Lima, presa juntamente com o seu marido, Sidinon Simão de Lima, atualmente cumprindo pena no Presídio Feminino de Cuiabá, condenada a 11 anos pela prática de crime de tráfico de drogas;



Cabo PM Valdir Pereira, com sua prisão preventiva decretada, atualmente encontra-se em lugar incerto e não sabido, suspeito de envolvimento com narcotráfico e homicídio;



Sargento PM José Jesus de Freitas, suspeito de envolvimento com homicídio e com o narcotráfico, reconhecido por Aryzoli Trindade Sobrinho como homem que resolveria os “problemas” de Josino Pereira Guimarães, e ligado a Willian Sozza;



Jorge Meres Alves de Almeida, enquadrado no Programa Nacional de Proteção à Testemunha, e aos cuidados da Polícia Federal;



Dr. Abel Balbino Guimarães, Juiz de Direito, suspeito de favorecer narcotraficante, denúncias encaminhadas ao Tribunal de Justiça do Estado, atualmente exercendo suas funções na comarca de Barra do Garça – MT;



Dr. Paulo Toledo Ribeiro Júnior, Juiz de Direito, suspeito de favorecer em sentença narcotraficantes, ainda exerce suas funções na cidade de São José dos Quatro Marcos -MT, denúncias encaminhadas ao Tribunal de Justiça do Estado;



Márcia Mônica Pires de Almeida, depôs na Comissão denunciando seu ex-amásio, José Maria Machado, como narcotraficante que estaria ligado às autoridades da região de São José dos Quatro Marcos, Mirassol D'Oeste e Araputanga, tais como o Juiz de Direito, Dr. Abel Balbino Guimarães, o Escrivão de Polícia, Manoel, e outros. Foi solicitada proteção à sua pessoa, ficando policiais militares responsáveis por sua segurança;



Aryzoly Trindade Sobrinho, responde pela prática de crime de homicídio, atualmente recluso na Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande - MS, e também depôs na Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Federal;



Ronaldo Sérgio Laurindo, depôs na Comissão fazendo algumas denúncias, e por estar condenado pela prática de crime de latrocínio, foi transferido para a Penitenciária de Jaciara - MT, após transferido para outro presídio, ficando sua segurança a cargo do Secretário de Segurança Pública;



Josino Pereira Guimarães, indiciado com envolvimento na morte do Juiz de Direito, Leopoldino do Amaral, suspeita de envolvimento com o narcotraficante Willian Sozza, atualmente responde processo em liberdade;



Valdenor Marchezan, já foi condenado por tráfico de drogas, a Polícia Federal em operação tentou prendê-lo em flagrande delito, mas não obtiveram sucesso, após decretada sua prisão preventiva foi detido no Estado de Minas Gerais, juntamente com o seu filho, Alessandro Pereira Marchezan, atualmente recolhido no Presídio do Carumbé, Cuiabá - MT, aguarda julgamento pela prática de tráfico de drogas;



Alessandro Pereira Marchezan, escapou do cerco da Polícia Federal na fazenda de seu pai, na fronteira Brasil/Bolívia, decretada sua prisão preventiva foi detido com Valdenor Marchezan, no Estado de Minas Gerais, atualmente aguardando julgamento na Delegacia Municipal de Mirassol D'Oeste - MT, pela prática de tráfico de drogas;



Marlene Pereira Marchezan, estava presa em razão de ter sido encontrada na fazenda de seu ex-marido, Valdenor Marchezan, por ocasião de uma operação da Polícia Federal, atualmente esta em liberdade, mas ainda responde processo pela prática de tráfico de drogas;



Escrivão de Polícia Manoel de Souza Jesus da Silva, está sendo indiciado, em Inquérito Policial, pela prática de roubo de gado no Município de São José dos Quatro Marcos – MT, e encontra-se detido na Delegacia Regional de Cáceres – MT.



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