Presidente de associação acredita em proposta

Ao fim das palavras do prefeito, o presidente da associação da aldeia Formoso, Nelsinho Zayzomae, fala. Ele diz que crê na efetivação da prática turística. Ele lembra que essa é pelo menos a terceira vez que Muraro toca no tema - nas duas anteriores nada foi feito.

“Mas a gente acredita que o turismo vai ser feito e ajudar a gente”, comenta o pareci. O dinheiro é importante para a aldeia. A comunidade precisa manter o automóvel conseguido junto à Funai para levar as crianças à escola ou buscar alguém na cidade. Para tratar de alguém com doenças grave e ainda usá-lo para resolver problemas eventuais.

Nelsinho, como é chamado pelos parentes índios, emite sua opinião, calculando bem cada palavra. Para ele, o turismo tem de ser desenvolvido de uma forma cautelosa, para não prejudicar a vida dos moradores da aldeia.

“Os turistas não vão chegar na aldeia. Vão passar pela entrada da área, a uns 5 quilômetros de distância”. Já a estrada paralela até o centro da aldeia é um assunto que merece ser discutido com profundidade.

O cacique Titi está ansioso pelos turistas. Ele atesta que a aldeia precisa de uma outra fonte de renda para garantir a manutenção do transporte. Na visão dele, é possível que haja uma estrada paralela até a aldeia. “Sexta, sábado e domingo. Outro dia tudo parado”, confirma.

O turista não poderia dormir na aldeia. Aí seria arriscar um contato muito íntimo. Poderia haver muitas doenças e o contato intenso acabaria dificultando o repasse dos costumes e da língua dos mais velhos para a juventude.

Conforme o cacique, a aldeia Formoso é auto-suficiente quanto à alimentação. “Tem arroz, feijão, milho, mandioca. Gente pega algum peixe, bicho. Esse não tem dificuldade”.

O chefe da aldeia informa que a idéia foi votada em assembléia e ficou decidido que o turismo deve se transformar em realidade.

Ele diz que as outras aldeias que serão influenciadas pelo turismo também toparam, depois de reuniões. (GL)




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