Instituição do distrito de Jarudore impediu que bororos utilizassem o rio Vermelho

Jarudore é uma área indígena bororo com 4.706 hectares, na margem direita do rio Vermelho, no município de Poxoréo, que deveria funcionar como ponto de apoio aos bororos das aldeias de Sangradouro/Volta Grande e Merure, quando de suas viagens – geralmente através da navegação - para as aldeias de Teresa Cristina e Perigara, ambas no Pantanal, e vice-versa.

Sangradouro/Volta Grande e Merure situam-se na região de cerrado, no eixo da BR-070; a primeira nos municípios de General Carneiro, Novo São Joaquim e Poxoréo; e a outra, em Barra do Garças e General Carneiro. Teresa Cristina, em Santo Antônio do Leverger. E Perigara, em Barão de Melgaço.

A distância entre as aldeias do cerrado e as aldeias do Pantanal exige um ponto intermediário para descanso dos índios navegadores. Foi com esse propósito, e atendendo sugestão do sertanista marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, que o governo de Mato Grosso homologou e regularizou Jarudore em 1945.

Porém, por se tratar de território sem ocupação permanente pelos bororos, a área foi invadida, a princípio, por fazendeiros e sitiantes. Posteriormente o Estado referendou a invasão e se tornou o principal agente de ocupação irregular daquela terra indígena, com a criação do Distrito de Paz de Jarudore no município de Poxoréo.

Jarudore é uma invasão do Estado nas terras dos bororos. A vila tem Cartório de Registro Civil, postos de saúde e telefônico, escola estadual, destacamento da Polícia Militar, energia elétrica residencial e comercial.

A área é cortada por rodovias estaduais com linhas regulares de ônibus intermunicipais e municipais homologadas pelo Departamento de Viação e Obras Públicas (DVOP).

Uma ong ligada à Igreja Católica Apostólica Romana na Itália mantém um centro de formação profissional juvenil em Jarudore, com apoio de padres italianos de Poxoréo.

O distrito tem cerca de dois mil moradores na zona urbana, e na legislatura anterior (95/98) da Assembléia Legislativa, o ex-deputado Gilmar Fabris chegou a pleitear a emancipação política da vila para a criação do município de Jarudore.

A ocupação da área praticamente impede a utilização do rio Vermelho como meio de comunicação entre os bororos do cerrado e os do Pantanal. Isso os obriga a deslocamentos por terra, ao contrário dos costumes daquele povo, essencialmente navegador. (EG)




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