Marechal Rondon simboliza a expansão

Do século XVIII para o século XX, dos bandeirantes para um bandeirante maior, Marechal Cândido Rondon. Mais de 200 anos depois, a intenção do branco continuava a mesma: expandir o interior do Brasil, ocupando novos espaços. Mas a forma de ação junto aos índios havia se modificado.

Genocídios deram lugar a diálogo e respeito, especialmente pelas lideranças mais velhas, em nome da comunicação que chegaria à Amazônia, através da linhas telegráficas. Como toda polêmica que envolve hábitos e costumes de culturas diferentes, os resultados destes recentes contatos também são questionados.

A antropóloga Maria de Fátima Roberto, coordenadora do Museu Rondon, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), estudou em sua tese de doutorado o contato do Marechal com os índios parecis, do sub-grupo wámare e kaxiniti, da região de Diamantino, 199 quilômetros ao norte de Cuiabá.

E foi justamente na cultura do grupo, que valorizava personagens com liderança, que Fátima encontrou respostas para uma integração excepcional que aconteceu entre a etnia e Rondon.

Fátima lembra que o Marechal chegou à região de Diamantino por volta de 1907. “Esta é uma região privilegiada pela natureza. Ali nascem os rios mais distantes do Amazonas, que percorrem quilômetros até encontrá-lo”, descreve.

O objetivo de Rondon, e de seus soldados, era chegar até os rios Madeira e Mamoré, dando assim início à ocupação da Amazônia. Com outras nações indígenas que ele havia encontrado até então, como os bororos e os nhambiquaras, houve conflito. Mas com os parecis, a integração foi pacífica.

“Diferente das experiências que Rondon teve antes e depois de passar por Diamantino, com os parecis ele conseguiu um bom relacionamento, sem hostilidade. Eles acolheram Rondon, que dormia e se alimentava com os índios. Os próprios índios mostravam os melhores caminhos para instalar as linhas telegráficas”, relata a pesquisadora. E essas informações, para o Marechal, eram fundamentais. Desta forma, mais do que guiar, os parecis passaram a construir as linhas, junto com Rondon.

Entre as funções que os índios desempenhavam estava a dos chamados guarda-fios, que faziam a manutenção das linhas, deixando-as livres do mato. “Eles também aprenderam o Código Morse e se tornaram telegrafistas”, descreve Fátima. Mesmo quando as estações começaram a entrar em decadência, entre os anos de 1915 e 1920, os índios permaneciam trabalhando.

Foi assim até as décadas de 40 e 50 quando o governo, por falta de recursos, decidiu pela desativação das linhas.

A exemplo de outros funcionários públicos, os parecis tiveram que ser transferidos para a cidade. Perderam o território e nunca mais conseguiram recuperá-lo. Hoje, há registros de 250 descendentes de parecis da região de Diamantino em Cuiabá. “As conseqüências para os índios foram desastrosas. Mas se fosse outro militar, que não estudasse cada grupo antes de fazer contatos, que não respeitasse as tradições da cada etnia, certamente teria morrido muito mais índio”, acredita a pesquisadora.


Massacres marcaram primeiros contatos
Escravidão, exploração de recursos e catolicismo podem explicar subdesenvolvimento
Marechal Rondon simboliza a expansão
Comemorações são importantes para os não-índios, que têm necessidade de se afirmar
Cultura dos parecis facilitou a boa integração
Áreas indígenas ocupam 13% do território
Instituição do distrito de Jarudore impediu que bororos utilizassem o rio Vermelho
Departamento estima em 9 os grupos isolados
Agora são os terenas que brigam por sua reserva
Povos indígenas querem mais autonomia
Presidente de associação acredita em proposta
Leia aqui o relatório final da CPI do Narcotráfico - parte 2
Leia aqui o relatório final da CPI do Narcotráfico - parte 3
Leia aqui o relatório final da CPI do Narcotráfico - parte 4
Leia aqui o relatório final da CPI do Narcotráfico - parte 5
Leia aqui o relatório final da CPI do Narcotráfico - parte 7
Leia aqui o relatório final da CPI do Narcotráfico - parte 8
Leia aqui o relatório final da CPI do Narcotráfico - parte 9