Escravidão, exploração de recursos e catolicismo podem explicar subdesenvolvimento

Refletir profundamente sobre os 500 Anos do Brasil é na verdade parar para pensar em toda a caminhada da humanidade, na opinião do professor de História Clássica e História Medieval da UFMT, Flávio Ferreira Paes Filho. “Os portugueses que vieram para o Brasil eram chamados de conquistadores. O homem está sempre buscando novos espaços. Isto representa massacre e conflito”, aponta Flávio, remetendo-se a antigos reis da Grécia, ou às Cruzadas.

Sob este aspecto, os movimentos religiosos têm uma influência forte. O Tratado de Tordesilhas, de 1492, foi assinado pelos reis da Espanha e de Portugal. E os reis eram considerados, pela própria Igreja, instrumentos divinos.

As comemorações atuais, que remetem a reflexões sobre a forma de colonização do Brasil, levantam ainda outro questionamento. Esta colonização influenciou o quadro de subdesenvolvimento vivido atualmente? Na opinião da historiadora Thereza Martha Presotti, além da colonização de exploração, os processo de escravidão – vividos até o final do século XIX – representam uma amarga herança. Na América do Norte, onde a exploração deu lugar ao povoamento, a história é outra.

Além disso, nos Estados Unidos o protestantismo representou maioria desde o século 17, o que também torna os aspectos diferentes.

“Na América do Norte a intenção era formar uma nova Inglaterra”, lembra Martha. No Brasil, os interesses eram mais mercantilistas. “As vilas eram fundadas, com estrutura administrativa e capitão general, visando as articulações de comércio”, comenta.

A maior prova do caráter de exploração vivido no Brasil dos séculos XVI e XVII está na cana-de-açucar, cujas primeiras mudas foram importadas. “O açúcar, que está ligado à escravidão, tinha um alto valor comercial”, comenta.

HISTÓRIA - Ao falar de tantos fatos do passado, Martha destaca que a história está sendo produzida atualmente. “A história não é uma verdade que você vai buscar no baú, e que tem sempre as mesmas versões”, analisa. “Tudo depende de quem está construindo cada imagem”, acredita, lembrando-se que a Rede Globo, autora da campanha mais comemorativa sobre os 500 Anos, está tentando construir consumo de sua própria imagem.

Mas os livros didáticos também podem passar por uma análise semelhante. “Antigamente a história era simplesmente oficial e descrevia os atos do governo. Hoje em dia os parâmetros curriculares estão incorporando novas versões, mais amplas e plurais”. (JPL)




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