Time que esteve entre os melhores do Brasil hoje vive a decadência

Em 1967, o futebol mato-grossense entrou na era da profissionalização. O Mixto venceu o primeiro campeonato oficial. As partidas deixavam de ser disputadas no campo do Liceu e passam para o estádio Presidente Eurico Gaspar Dutra. O popular Dutrinha, localizado no centro e fundado em 1953.

O “Tigre da Vargas” ganhou também as competições de 1969, 1970, 1975, 1976, 1979, 1980, 1981, 1982, 1984, 1988, 1989, 1996. Ficou com o vice em 1985, 1986, 1987, 1992. De 1977 para cá, com a divisão do Estado em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, as disputas entre os “vizinhos” tornam-se escassas.

No pós-amadorismo, a torcida cuiabana aclamou seus amores obsessivos. O centro-avante Bife e o meia-esquerda Ruiter. Obsessivos porque até hoje, nas enquetes cotidianas feitas pela mídia, esses nomes suplantam quaisquer destaques recentes. Bife atuou no alvinegro de 1976 a 1979. Ruiter, de 1960 a 1972 - retornou em 1978 e permaneceu até 1979.

O ano de 1976 não sai da memória mixtense. Naquele ano o clube garantiu uma vaga no Campeonato Brasileiro devido à conquista do certame estadual. Surpreende o Brasil. Na primeira fase, venceu duas partidas, empatou duas e perdeu quatro. Entre os resultados, vitória de 1 a 0 sobre o Vasco da Gama, com gol olímpico do ponta-direita Pelezinho, em 19 de setembro, no Verdão.

A equipe foi então para a repescagem, na qual ganhou três jogos. O Vasco surge novamente como adversário. Perdeu por 1 a 0, em São Januário, gol de Roberto Dinamite. O meia mixtense Pastoril (contratado junto ao Vasco) desperdiçou o empate, que levaria Cuiabá à fase final do Brasileirão. Ele bateu mal um pênalti e Mazaropi defendeu. A vaga fica com os cariocas.

A equipe participou em 1978 e 1979 do Brasileirão, sem sucesso. Na década de 80, a decadência. A sede na avenida Getúlio Vargas sofreu pressões judiciais, principalmente por causa das dívidas trabalhistas.

Orlando Craici, presidente desde o começo dos anos 80 até os dias de hoje, afundou-se com a agremiação. A torcida “Boca Suja” adquire asco do dirigente.

O time ganhou títulos, mas sem empolgar o torcedor. O público, que antes girava de 10 mil a 40 mil pagantes, não ultrapassam a marca dos três mil. Em 1998 e 1999, o Mixto se licenciou do Campeonato Estadual. A sede é vendida em 1999. O clube retorna ao certame este ano, prometendo uma guinada.

A reportagem consultou o livro Egéria Cuiabana”, de Benedito Pedro Dorilêo, que ofereceu relatos a respeito do futebol local até 1976.(GL)




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